A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

segunda-feira, 29 de junho de 2026

As placas tectônicas da América do Sul e o terremoto na Venezuela

O forte terremoto registrado recentemente na Venezuela levou muita gente a fazer a mesma pergunta: por que terremotos intensos são relativamente comuns em alguns países, mas extremamente raros no Brasil?

A resposta está nas placas tectônicas.

A crosta terrestre não é uma peça única. Ela é fragmentada em grandes blocos chamados placas tectônicas, que se deslocam lentamente sobre uma camada mais profunda do manto terrestre.

Essas placas podem afastar-se, colidir ou deslizar lateralmente umas em relação às outras. Em muitos casos, elas ficam presas devido ao atrito. Enquanto isso, enormes tensões vão se acumulando nas rochas. Quando essa tensão supera sua resistência, ocorre uma ruptura súbita, liberando uma grande quantidade de energia na forma de ondas sísmicas: é o terremoto.

O ponto onde essa ruptura ocorre no interior da Terra é chamado foco (ou hipocentro). Já o epicentro é o ponto da superfície localizado exatamente acima do foco, onde geralmente os tremores são mais intensos.

A Venezuela está próxima ao limite entre as placas Sul-Americana e do Caribe, uma região geologicamente muito ativa. Já o Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das bordas onde se concentram as maiores tensões.

Por isso, embora pequenos abalos sísmicos ocorram ocasionalmente em nosso país, terremotos de grande intensidade são extremamente raros por aqui.

Referências

- USGS (U.S. Geological Survey). Earthquake Hazards Program.

- USGS. This Dynamic Earth: The Story of Plate Tectonics.

- Grotzinger, J. & Jordan, T. H. Understanding Earth. Cambridge University Press.


terça-feira, 23 de junho de 2026

O invisível de Empédocles


Atribui-se a Empédocles a descoberta do ar no século IV a.C. Para isso o grego parece ter feito um experimento muito simples utilizando um tipo de clepsidra. Tal artefato consistia em uma esfera oca com um gargalo aberto e com vários furos na parte inferior. Quando mergulhada em um recipiente com água com o gargalo exposto ela é preenchida pelo líquido. Após estar cheia de água a clepsidra é retirada do recipiente com um de nossos dedos tapando o gargalo. Desse modo a água fica retida na esfera e podemos usá-la como um chuveiro ao destampar o gargalo. 

Empédocles notou que se tentasse preencher a clepsidra com o gargalo tapado a água não entrava em seu interior. Então concluiu que alguma substância material obstruía a entrada da água. Essa substância só poderia ser o ar. Empédocles presumiu que o ar era formado de uma matéria tão refinadamente dividida que não podia ser vista.

Este foi o primeiro passo para que cientistas - por meio de experimentos mais elaborados - descobrissem séculos mais tarde que o ar é formado por diversas substâncias.

REFERÊNCIA

Furley, D. (1957). Empedocles and the Clepsydra. The Journal of Hellenic Studies 77(1): 31-34. doi:10.2307/628630

quarta-feira, 17 de junho de 2026

A invenção da roda é humana?


Frequentemente a roda é mencionada como uma das invenções mais importantes da humanidade. É difícil precisarmos o momento de sua descoberta. Embora possa ter sido concebida em algum momento a partir de 50.000 antes do presente, quando os humanos viveram a Explosão Criativa do Paleolítico Superior, a evidência mais antiga do seu uso para locomoção é de 5.100 a 5.300 anos atrás - da antiga cidade de Uruk, na Mesopotâmia. No entanto, o registro inequívoco mais antigo de uma roda foi encontrado na Ljubljana (Eslovênia) e tem aproximadamente a mesma idade dos registros da Mesopotâmia.

Ao longo da história, grande parte das invenções humanas foi inspirada no mundo natural (e.g. o avião a partir das aves planadoras), mas a roda para locomoção é usualmente reconhecida como uma inovação 100% creditada ao Homo sapiens. Na realidade, podemos dizer que a natureza chegou perto várias vezes, afinal as plantas Tumbleweeds, os besouros-de-esterco (Scarabaeidae), a aranha-roda dourada (Carparachne aureoflava), o crustáceo estomatópode (Nannosquilla decemspinosa) e o pangolim (Manis spp.) usam ou podem usar o sistema rotativo de locomoção.

A única estrutura verdadeira de roda e eixo conhecida em biologia é o motor que aciona o flagelo de uma bactéria. Podemos dizer que esses microorganismos “inventaram” a roda muito antes dos humanos. Essas bactérias giram o flagelo usando um motor molecular em forma de roda.

Há mais de 5.000 anos os humanos não poderiam ter ideia do mecanismo de roda e eixo de uma bactéria flagelada, mas talvez tenham se inspirado em um besouro-do-esterco para criarem a estrutura que mudou o rumo da humanidade.

REFERÊNCIAS

Bakker, J., Kruk, J., Lanting, A., & Milisauskas, S. (1999). The earliest evidence of wheeled vehicles in Europe and the Near East. Antiquity, 73(282), 778-790. doi:10.1017/S0003598X00065522

Gasser, Aleksander (March 2003). “World’s Oldest Wheel Found in Slovenia”. Government Communication Office of the Republic of Slovenia. Archived from the original on 2016-08-26. Retrieved 2015-03-07.

LaBarbera, M. (1983). Why the Wheels Won’t Go. The American Naturalist, 121(3), 395–408. http://www.jstor.org/stable/2461157