A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

A equação de Dirac


A equação de Dirac deduzida para ser uma ponte entre a Relatividade Restrita  e a Mecânica Quântica 

Por Argos Arruda Pinto.

Obs.: Este texto, por se referir a uma equação de grande complexidade na Física, possui mais a intenção de descrevê-la e mostrar a sua importância, tanto na Mecânica Quântica quanto na Física de Partículas, e na relação entre a Teoria da  Relatividade e a Física Quântica. Por isso o divido em duas partes.

Parte I - O contexto

Paul Adrien Maurice Dirac (1902-1984) ou simplesmente Paul Dirac, foi um físico teórico e matemático inglês, considerado um dos fundadores da Mecânica Quântica e da Eletrodinâmica Quântica. Sua contribuição inclui a famosa equação de Dirac, uma formulação matemática fundamental na Física Quântica e na Teoria da Relatividade, sendo desenvolvida em 1928.

Naquela época já existia, evidentemente, a Mecânica Quântica para movimentos de partículas não relativísticas, descritas pela equação de Schrödinger,  mas ela não está de acordo com a relatividade especial. Dizemos que ela não é covariante sob as transformações de Lorentz.


Dirac queria obter uma relação entre o movimento de elétrons em velocidades próximas à da luz, ou seja, a relação entre  a  Teoria da Relatividade de Einstein com a Mecânica Quântica para este problema, e, então,  teria que ajustar a equação de Schrödinger, introduzindo um  operador de nome  hamiltoniano e assim chegar na sua própria equação. Evidente haver mais detalhes da Matemática na busca dessa equação, mas um primeiro e fundamental passo seria o operador hamiltoniano. 

Ele é um conceito da Mecânica Quântica que representa a energia total de um sistema. É usado para descrever como o estado de um sistema quântico muda com o tempo. Em termos simples, você pode pensar nele como uma regra que diz como as coisas se movem e interagem em um nível quântico. 

Havia também  naquela época, em termos relativísticos, a equação de Klein-Gordon de 1927 que explicava apenas as partículas de spin 0 e a equação de Proca descrevendo as partículas de spin 1, estranhamente sem data de publicação. 

Dirac acabou por explicar as partículas de spin ½ como os elétrons e os quarks.

Ele acabou até por provar teoricamente a existência do pósitron, a antipartícula do elétron, a antimatéria do elétron. 

Em 1933, Paul Dirac foi laureado pelo Nobel de Física devido à descoberta do pósitron pelo físico estadunidense Carl A. Anderson (1904-1991) em 1932. Anderson também levou o Nobel de Física quatro anos depois, em 1936.

A importância dessa formulação não parou por aí.

Outras contribuições incluem:

1. A Eletrodinâmica Quântica (QED)

A QED é uma teoria que descreve a interação entre partículas carregadas e o campo eletromagnético.

A equação de Dirac é usada para formular a QED, permitindo cálculos precisos de propriedades do elétron.

2. A Cromodinâmica Quântica (QCD)

É uma teoria fundamental na física teórica que descreve as interações fortes. Essa força atua entre quarks,  partículas elementares que compõem prótons, nêutrons, píons, e glúons.

Os glúons são as partículas mediadoras da força nuclear   forte entre quarks e os píons são os mésons leves denominados π0, π+ e π-, responsáveis pela chamada força residual forte.  O píon é a abreviação de méson π, partícula descoberta pelo físico brasileiro César Lattes (1924-2005) e equipe, em 1947.

Aqui estão algumas características importantes da QCD:

2a. Confinamento: A força entre quarks não diminui à medida que eles se afastam. Isso significa que quarks nunca são encontrados isoladamente; eles estão sempre confinados dentro de partículas compostas chamadas hádrons, que são os bárions e mésons.

Os bárions são as partículas constituídas de três quarks, como os prótons e os nêutrons.

2b. Liberdade assintótica: Em altas energias, quarks e glúons interagem fracamente, criando um plasma de quarks e glúons. Essa previsão da QCD foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Física em 2004.

Em resumo, a QCD é essencial para entender a estrutura da matéria e é uma parte importante do modelo padrão da física de partículas.

Cientistas se inspiram em trabalhos de outros cientistas, obtém novas ideias, modificam partes de um trabalho, ou seja, como em todas as atividades humanas, uma pode ser refutada, estendida, alterada  ou servir de caminho a novas realizações. 

Dirac mostrou ao mundo na década de 20 que a equação de Schrödinger, além da adaptação à Relatividade Restrita, realizaria descobertas importantes para a Mecânica Quântica com partículas de altas energias. 

Talvez esse fato, e aqui abro uma conjectura, inspirou outros grandes físicos a trilharem novas rotas investigativas ou realizarem trabalhos em termos de ideias já concebidas naqueles anos.

Então eu tomo a liberdade aqui de mudar um pouco o assunto, mas ficar nas partículas de altas velocidades, energias, estados correlacionados, etc., e, o próprio Paul Dirac pode ter influenciado muitos cientistas a procurar outras relações entre as diversas áreas da Física.

Einstein, por exemplo,  dedicou grande parte da sua vida de pesquisador, após a Relatividade Geral, ao procurar uma teoria denominada Teoria do Campo Unificado.

Seria uma teoria que unificaria todas as forças fundamentais  das  partículas  elementares do universo,  através de apenas um campo. Não conseguiu e este problema continua em aberto.

Não sabemos se foi devido ao Dirac, mas, aquela época era propícia para tanto como eu já disse.

Após Einstein, físicos tentaram unificar todos os fenômenos físicos, inclusive unir  a Teoria da Relatividade Geral com a Mecânica Quântica, algo bem difícil, na chamada Teoria de Tudo. Reuniriam todas as energias, forças, partículas, etc. Também não conseguiram.

Veio então a Teoria-M, tentando unificar a Teoria das Cordas, a Supergravidade e a Supersimetria. 

Ela é considerada uma teoria ainda em desenvolvimento e muitos aspectos dela são pouco compreendidos e explorados. A Teoria-M é complexa e requer mais evidências experimentais para ser validada ou refutada.

Existe até um receio dos físicos em se tentar uma teoria única englobando toda a Física em um conjunto de equações relacionadas entre si.

Não conseguir um feito desses representa um fracasso na carreira deles, deixando-os no quase esquecimento. A exceção foi Einstein devido à sua enorme contribuição para a Física em seus trabalhos.

De qualquer maneira, se toda a energia do universo estava concentrada em algo naqueles primeiros instantes iniciais de 0 s a 10^(-43) s, existe, creio eu, uma relação entre as quatro formas de energia entre si. Todas, e todas as suas consequências, forças, campos, etc., vieram do mesmo “algo”, e, tenho certeza, sempre haverá um físico, pelo menos, na jornada de descobrir uma relação entre tudo.

Parte II - A equação de Dirac em seus  termos constituintes

Na imagem abaixo temos a equação de Dirac e perceba a matemática de alto nível nela presente, os seus termos, e conforme a descrição que farei para apenas um primeiro contato seu. E também não posso nesta breve descrição colocar uma frase ou uma palavra chave a mais, pois eu teria que adicionar mais e mais explicações, tornando este texto inviável em tamanho.

1. O termo entre parênteses incluí 4 outros:

1a. A constante de Planck reduzida ou o “h cortado”, igual a h/2π, ou seja, a constante de Plank dividida por 2π, muito usada na Mecânica Quântica;

1b. A letra grega γ (gama) elevada a outra letra grega μ (mu), representa as matrizes de Dirac, objetos ou construções matemáticas facilitando a compreensão da relatividade especial com o spin dos elétrons;

1c. Agora, a letra ∂ (Del) com índice μ (mu) é um operador de derivadas parciais. Já citei neste grupo as derivadas de apenas uma variável. As derivadas parciais possuem diversas variáveis e se mantém algumas fixas para derivar aquela que você precisa;

1d. E o termo mc é a massa da partícula multiplicada pela velocidade da luz.     

1e. Então termina-se o parênteses, seguido pela letra grega ψ (psi), que é a função de onda de Schrödinger para o elétron, neste caso. Ela   contém todas as informações sobre o estado de uma partícula e é usada para calcular probabilidades de encontrar a partícula em diferentes posições ou estados.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A caminho do tudo – Parte XI (Versão 2026)


A REVOLUÇÃO COPERNICANA

Johannes Keples e a harmonia dos céus

Amigos, tenho sonhos diferentes, espero no próximo ano, após a aposentadoria, visitar a basílica de Santa Cruz em Florença e tocar o túmulo de Galileu; o de Isaac Newton na Abadia de Westminster também seria uma boa pedida, quem sabe né? 

Em cima de uma colina em praga ergue-se uma grandiosa estátua de bronze de dois grandes homens. A esquerda está Tycho segurando um sextante e ao seu lado Kepler, o teórico, olhando para o céu, não dá para entender o por que, já que o observador foi Tycho. O que a escultura não mostra é o relacionamento turbulento dos dois. Tycho era ríspido e um pouco Dunga ( arrogante ), vestia roupas extravagantes com um nariz de metal; Kepler, o mais fraco, um pouco tímido e místico. Talvez a última dupla excêntrica na história da ciência.

Sabemos que os dois homens não conseguiram entrar em um acordo sobre a estrutura do sistema solar: Kepler era um copernicano inabalável; Tycho, até o fim, rejeitou o modelo heliocêntrico. Embora Kepler fosse um teórico brilhante, não era um observador, este era o departamento de Tycho. De fato, durante o período em Ven, Tycho acumulara todos os dados que Kepler poderia querer, mais o teimoso Tycho não queria entregar a Kepler. Mesmo em seu leito de morte, diz-se que Tycho implorou a Kepler para não usar os seus dados apoiando o sistema de Copérnico, que cabeça dura. Após a sua morte Kepler foi forçado a negociar com seus herdeiros para ter acesso aos dados do observador.

Por fim, ele conseguiu o que precisava. Pondo em ação os seus poderes matemáticos, Kepler procurou um padrão simples nas observações de Tycho dos planetas. Ele acabou encontrando essa simplicidade: descobriu que a órbita de cada planeta não era um círculo, como todos pensavam; mas sim uma elipse. Com os círculos de Copérnico substituídos pelas elipses de Kepler, tudo se encaixou devidamente no lugar e não eram mais necessários os tais epiciclos.

Kepler logo descobriu mais duas leis do movimento planetário: um elo entre a velocidade do planeta e sua posição na órbita, e um elo entre o período orbital do planeta e sua distância média do Sol. Foi um mestre matemático do orgulhar o Sandro Peixoto.


Kepler não tinha todas as respostas. Para começar, ele acreditava que a trajetória de um planeta era governada pelo magnetismo, a forca que faz com que a agulha de uma bússola aponte para o norte, tal erro só foi corrigido por Newton quando atribuiu o movimento planetário a gravidade, a força que governa os corpos que caem. Contudo a sua descoberta das órbitas elípticas foi um avanço. Kepler, cativo pala simplicidade e elegância do seu modelo, sabia que o sistema heliocêntrico era mais que uma conveniência matemática. Era, ele tinha certeza, a verdadeira descrição do firmamento. “Outros podem tomar a atitude que quiserem”, escreveu ele.

Kepler morreu em 1630, quando a guerra devastava a Europa. A guerra apagou todos os sinais de seu túmulo, mas sua reputação que repousa nas leis do movimento planetário e na sua perfeição do sistema copernicano estava assegurada. Graças a Kepler, o sistema solar era um lugar muito menos misterioso. 

Escrevo estas linhas na véspera das eleições, na esperança de que, amanhã, a democracia saia fortalecida. Que a vontade popular seja soberana, que o povo brasileiro continue protagonista de sua própria história, livre de qualquer submissão aos interesses das elites econômicas. Afinal, o Brasil pertence ao seu povo, e é dele que deve emanar todo o poder.

Viva a democracia! Viva o povo brasileiro!

Ps. o sonho do professor para 2027, após a aposentadoria...


Túmulo de Galileu na basílica de Santa Cruz em Florença



sábado, 3 de outubro de 2026

Prêmio Wolf 2026


Immanuel Bloch e Jun Ye compartilham o Prêmio Wolf 2026 em Física por avanços no controle de sistemas atômicos ultracônticos.

Bloch ajudou a transformar átomos presos em lattices de luz de laser em modelos experimentais de matéria quântica. Ye desenvolveu relógios atômicos ópticos de extraordinária precisão.

Aqui está um detalhe que acho notável: em 2022, a equipe de Ye mediu a diferença no ritmo do tempo entre o topo e o fundo de uma nuvem atômica de apenas um milímetro de altura. Os átomos mais altos aceleraram ligeiramente, como prevê a generalidade da relatividade de Einstein.

Como estudante de matemática, acho isso profundamente satisfatório. Uma equação em uma página se torna uma diferença medível dentro de uma nuvem de átomos minúscula.