A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O efeito Fitz-Cronin


Estávamos brincando e um cara me disse: "Vês aquele pássaro ali no toco? " Como se chama? ”Disseste que eu não fazia ideia.

"Ele é um touro de garganta marrom" - respondeu o rapaz - "o teu pai não te ensina muito sobre ciência. ”

Sorrisos entre eu e eu, porque meu pai já tinha me ensinado que o nome não diz nada sobre o pássaro. Ele ensinou-me: "Vês aquele pássaro? É um pássaro de garganta marrom, mas na Alemanha chama-se halzenflugel e em chinês é chung ling e mesmo que saibas todos esses nomes, ainda não sabes nada sobre esse pássaro; só sabes algo sobre as pessoas, sabes como se chama. ”

O resultado de tudo isto tem sido que eu não consigo lembrar o nome de ninguém e quando as pessoas falam comigo sobre física elas ficam muitas vezes exasperadas porque quando dizem "efeito Fitz-Cronin" eu pergunto "Qual é o efeito? ”.

Gostaria de lhe dizer uma ou duas palavras sobre "palavras" e "definições", porque é importante aprender palavras. Mas não é ciência. Só porque não é ciência, não significa que não tenhamos que ensinar palavras. Não estamos falando sobre o que ensinar, estamos falando sobre o que é ciência.

Não é ciência saber passar dos graus Celsius para os graus Fahrenheit. É necessário, mas não é exatamente ciência.

Para comunicar, precisamos usar palavras, e está tudo bem. É uma boa ideia tentar compreender quando estamos a ensinar ferramentas científicas, como palavras, e quando estamos a ensinar Ciência.

Finalmente, encontrei uma forma de verificar se ensinámos uma ideia ou apenas outra definição. Experimente perguntar: "Sem usar a nova palavra que acabou de ouvir, tente explicar pelas suas próprias palavras o que acabou de aprender".

Richard Feynman no seu discurso “O que é a Ciência? ” apresentado na décima quinta conferência da National Teachers Association (Nova Iorque, 1966) e mais tarde apareceu em The Physics Teacher (1969).

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Os Raios Cósmicos de Ultra-Alta Energia


Uma nova teoria proposta pela física Glennys Farrar, da Universidade de Nova York, sugere que as fusões de estrelas de nêutrons podem ser responsáveis pela origem dos Raios Cósmicos de Ultra-Alta Energia (UHECRs), as partículas mais energéticas do universo. Essas partículas possuem energias milhões de vezes superiores às alcançadas por aceleradores humanos, e sua origem tem sido um mistério por seis décadas.

De acordo com o estudo publicado na Physical Review Letters, os UHECRs seriam acelerados em fluxos magnéticos turbulentos resultantes das fusões de estrelas de nêutrons binárias, antes da formação de um buraco negro. Esses eventos também geram ondas gravitacionais poderosas, algumas já detectadas por colaborações como LIGO-Virgo. A teoria de Farrar explica a correlação entre a energia dos UHECRs e sua carga elétrica, além das energias extraordinárias observadas em alguns eventos.

A pesquisa prevê que os UHECRs de mais alta energia se originam de elementos raros, como xenônio e telúrio, sugerindo a busca por essas componentes nos dados atuais. Além disso, neutrinos de altíssima energia, resultantes de colisões de UHECRs, seriam acompanhados pelas ondas gravitacionais produzidas na fusão de estrelas de nêutrons. Essas previsões oferecem oportunidades para validação experimental futura.

Se confirmada, essa teoria não apenas esclareceria a origem dos UHECRs, mas também proporcionaria uma nova ferramenta para compreender eventos cósmicos cataclísmicos, como fusões de estrelas de nêutrons que formam buracos negros. Esses processos são responsáveis pela criação de elementos preciosos e exóticos, incluindo ouro, platina, urânio, iodo e xenônio.

Fonte: https://phys.org/news/2025-03-theory-star-mergers-universe-highest.html



quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A caminho do tudo – Parte IX (Versão 2026)

 A REVOLUÇÃO COPERNICANA

Copérnico : Detonando as esferas de Aristóteles


“Algumas pessoas, assim que ficarem sabendo deste livro que escrevi sobre a revolução das esferas universais, em que atribuo uma espécie de movimento ao globo terrestre, iram clamar para que me façam calar”.
Nicolau Copérnico



Amigos, parece título de episódio da série Dragonball Z, reconheço, mas como sugeri no inicio do blog, somos todos filhos de Nicolau. Nicolau Copérnico viveu 80 anos em uma época de investigação e descoberta sem precedentes. Nasceu na cidade Polonesa de Torun e estudou em Cracóvia, Bolonha e Pádua antes de retornar à sua terra natal. Nessa época ele já tinha aprendido como funcionava a astronomia de Ptolomeu. Quanto mais estudava o modelo de Ptolomeu, menos ficava satisfeito com ele. Para ele, era um simples modelo do sistema solar centrado na Terra, Que não explicava o movimento dos planetas que eram observados. Entre as dificuldades, citava:

Se as trajetórias das trajetórias são círculos perfeitos, por que Marte, Júpiter e Saturno as vezes parecem “retroceder”em seus caminhos através dos céus;

• Por que os planetas parecem girar mais depressa a mais devagar quando se movem em suas órbitas;


• Se todos os planetas giram em torno da Terra em trajetórias circulares, isso significa que estão a mesma distância de nós, Por que Marte e Júpiter variam tanto em brilho no decorrer de um ano?


A fim de explicar essas observações o modelo de Ptolomeu precisava de alguns ajustes. Em vez de se mover em círculos simples à volta da terra, se achava que cada planeta também se movia em um ou mais círculos pequenos conhecidos como epiciclos.



Para Copérnico essa mistura de órbitas parecia ser “grosseira e deselegante” e ofereceu uma solução mais simples : talvez o sol e não a Terra, fosse o centro do sistema solar. Essa idéia de o Sol ser o centro do sistema solar já tinha sido sugerido por alguns antigos astrônomos Gregos, como em alguns textos sugeridos, por Aristarco de Samos. Entretanto ninguém elaborou os detalhes da teoria, e a idéia foi abandonada.

E sua grande sacada, Copérnico percebeu que um sistema centrado no Sol resolvia muitos dos problemas que perturbavam o modelo de Ptolomeu. As variações no brilho e velocidade dos planetas do ponto de vista de uma Terra em movimento, agora faziam sentido.


Havia, é claro, algumas perguntas à serem respondidas pelo modelo de Copérnico, muitas delas baseadas no “senso comum”. Se a Terra realmente se move porque a TRIONDA  jogada pra cima, cai no mesmo ponto de onde foi lançada? Por que os pássaros não são lançados para trás contra o sentido de movimento da Terra? O próprio Aristóteles já tinha sido hilário devido a essas idéias.

Copérnico tinha uma resposta: a atmosfera da Terra não precisava ser transportada junto com ela, e assim nenhum movimento pode ser observado( galera, somente o Sir. Isaque Newtom responderia de forma mais clara esta questão com seu principio da inércia).

E havia mais dúvidas: se a terra se movia em volta do Sol, as estrelas deveriam parecer mudar de posição no decorrer de um ano. Esclarecendo: imagine você caminhando na floresta amazônica, enquanto em movimento, as árvores próximas parecem mudar de posição em relação as árvores mais distantes atrás delas. Mas, porém, contudo, todavia e entretanto, nenhuma mudança assim foi vista nas posições das estrelas. E, se a Terra se move em uma grande órbita, ela teve estar mais perto de certas estrelas em certas épocas no ano; portanto, as estrelas deveriam mudar de luminosidade no decorrer das estações. A resposta, raciocinou Copérnico, é que as estrelas devem estar muito longe em comparação com o nosso sistema solar, brilhante no pensar. Essa visão de universo infinito era um afastamento radical da visão popular medieval, fantástico.

Alguns mitos surgirão em volta da revolução copernicana:

O sistema heliocêntrico resolveria todos os problemas da astronomia com uma só tacada; Comentário: não foi bem assim, afim de observar com precisão os movimentos observados do sol, da luz e dos planetas, ele também precisava de epiciclos.

• Os lideres religiosos eram contrários a um sistema centrado no sol por que privava a humanidade de um lugar “especial”no universo; Comentário: De fato o centro do universo de Aristóteles estava reservado para o CAPIROTO ( não confundam com o Petillo) e seus anjos; a idéia da Terra em movimento era muito perturbadora e havia uma certa relutância em aceitar o “infinito cosmos” proposto pelo modelo de Copérnico.

Copérnico deveria estar se borrando..... de medo por não publicar sua teoria. Somente na velhice ele permitiu que a sua grande obra, De Revolutionibus Orbium Celestium ( Sobre as revoluções das esferas celestiais ), fosse publicada; um exemplar completo foi lhe apresentado em seu leito de morte, causando um infarto fulminante ( a segunda parte, a do infarto, é mentirinha tá ). Sem o seu conhecimento , seu editor acrescentou um prefácio, ou uma declaração afirmando que o sistema heliocêntrico era apenas um modelo teórico, estava com medinho de virar churrasco também!

Mas acho que Copérnico sabia era mais que apenas uma abstração. Completando o senso de equilíbrio do modelo ele escreveu que “descobrimos nesse arranjo organizado a maravilhosa simetria do universo, e uma firme e Harmoniosa conexão entre o movimento e o tamanho das esferas (...). A pura elegância do modelo heliocêntrico, a idéia, não os detalhes, foi suficiente para convencê-lo de que se tratava de uma verdadeira descrição da natureza.

Devemos muito a esse homem, tudo começou com ele e somos todos filhos do brilhante e medroso NICOLAU COPÉRNICO cujas idéias serviram de base para o desenvolvimento da física pelos cientistas que o sucederam seus “herdeiros intelectuais”.

Beleza de história, já estou estudando o próximo post. O título é: Tycho apenas Um GRANDE observador.

O que têm de bom?
* Apenas um ano de contato com Kepler foi necessário para Kepler estudar e escrever as leis que regem a mecânica celeste;

O que têm de ruim?
* Sua vida social; primeiro perdeu um talho do nariz em um duelo. Sua morte foi por causa de uma infecção urinária, motivo, etiqueta. Mais esta é uma outra história. 

Aguardo vocês.
A fim de explicar essas observações o modelo de Ptolomeu precisava de alguns ajustes. Em vez de se mover em círculos simples à volta da terra, se achava que cada planeta também se movia em um ou mais círculos pequenos conhecidos como epiciclos.