A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

domingo, 24 de outubro de 2010

A semana na Ciência

A semana 1 - Físicos do Cern esperam conseguir provas de que universos paralelos existem


GENEBRA (Reuters) - Os físicos que investigam a origem do universo esperam ter, no ano que vem, as primeiras provas da existência de conceitos caros aos escritores de ficção científica, como mundos ocultos e dimensões extras.
À medida que o Grande Colisor de Hádrons (LHC) do Cern, nas proximidades de Genebra, opera com uma força maior, eles falam cada vez mais sobre uma "Nova Física" no horizonte, que poderia mudar por completo os pontos de vista atuais sobre o universo e o seu funcionamento.
"Universos paralelos, formas desconhecidas de matéria, dimensões extras...Isso não é coisa de ficção científica barata, mas teoria física muito concreta que os cientistas tentam confirmar com o LHC e outros experimentos."
Isso foi o que escreveram os integrantes do Grupo de Teoria do centro internacional de pesquisa no boletim direcionado aos funcionários do Cern este mês.
Enquanto as partículas se chocam no vasto complexo subterrâneo do LHC a energias cada vez maiores, os "extra bits do universo" - se é que eles existem como o previsto - poderão ser vistos no computador, afirmam os teóricos.
O otimismo é crescente entre as centenas de cientistas que trabalham no Cern, ao longo da fronteira entre França e Suíça, numa experiência de 10 bilhões de dólares, que inicialmente apresentou problemas, mas este ano vem cumprindo suas metas.

COLISÃO DE PRÓTONS

Em meados de outubro, disse o diretor-geral Rolf Heuer à equipe no último fim de semana, os prótons eram colididos ao longo do anel subterrâneo de 27 quilômetros a uma taxa de 5 milhões por segundo - duas semanas antes da data prevista para esse número.
No ano que vem, as colisões ocorrerão - se tudo continuar seguindo bem - a uma taxa que produzirá o que os físicos chamam de "femtobarn inverso", mais bem descrito como uma quantidade colossal de informações para a avaliação dos analistas.
As colisões recriam o que aconteceu numa minúscula fração de segundo após o "Big Bang" primordial, 13,7 bilhões de anos atrás, que gerou o universo que conhecemos hoje e tudo o que ele contém.
Depois de séculos de observações cada vez mais sofisticadas da Terra, apenas 4 por cento do universo é conhecido - porque o restante é formado pelo que tem sido chamado de matéria escura e energia escura (porque são invisíveis).


A semana 2 - Nasa capta imagens de restos do cometa Halley



O mais famoso dos cometas, o Halley ainda causa comoção. Com um ciclo de 76 anos a cada visita à Terra, não é preciso esperar até 2061 para vê-lo.
O Halley deixa um rastro de poeira cósmica e gelo chamados meteoroides. Quando pertos da órbita da Terra, colisões acontecem a milhares de quilômetros acima do planeta, dando origem a uma chuva de meteoroides.
Segundo a Nasa, embora o pico da chuva de meteoroides seja por volta de 21 de outubro, as câmeras da Nasa (agência espacial norte-americana) registraram as imagens de orionideos no último dia 15.
Como estão na constelação de Órion, recebem o nome de orionídeos e se movem a uma velocidade de 237 km/hora --por causa dessa rapidez, não duram muito e se incendiam na atmosfera.
A agência afirma que observar os orionideos no céu é fácil, se se estiver longe dos centros urbanos. Cada meteoro que aparece na constelação Órion é um orionídeo que pode ser visto como sendo um pedaço do cometa Halley morrendo no espaço.



A semana 3 - Nasa fotografa momento em que supermancha solar lança labaredas no espaço



A agência espacial norte-americana (Nasa) divulgou nesta quinta-feira em seu site a imagem da supermancha solar batizada de 1112, no exato momento em que lançava labaredas no espaço.
Até hoje, nenhuma explosão produziu uma ejeção expressiva de massa coronal (partículas de altas energias) em direção ao planeta Terra.
Outro dado importante é a existência de um grande filamento magnético cortando o hemisfério sul do Sol. Ele é tão extenso, que ultrapassa a distância que separa a Terra da Lua --cerca de 380 mil quilômetros.
É possível identificar um ponto brilhante um pouco acima do filamento --a radiação ultravioleta da supermancha solar. Se ocorresse uma explosão, toda a estrutura entraria em erupção.


A semana 4 - Lua abriga tesouros como a prata, revela estudo

WASHINGTON, 21 outubro 2010 (AFP) - O solo lunar é mais rico do que se pensava até agora, com vestígios de prata em meio a uma mistura complexa de elementos e componentes encontrados dentro de uma das crateras da Lua, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira.

Pesquisadores da Brown University, que analisaram partículas de poeira lunar, obtidas por uma colisão organizada pela Nasa no ano passado, descobriram uma surpreendentemente rica mistura que, além de prata, incluiu água e compostos como hidroxil, monóxido de carbono, dióxido de carbono, amônia e sódio livre.
"Este lugar parece um baú de tesouros de elementos, de compostos que foram liberados por toda a lua, e pararam neste local, em permanente escuridão", afirmou o geólogo da Brown University, Peter Schultz, chefe das pesquisas que serão publicadas em artigo na edição de 22 de outubro da revista Science.
As partículas lunares foram coletadas quando um foguete da Nasa atingiu a Lua cerca de um ano atrás, dando a cientistas a oportunidade de aprender sobre a composição do solo nos polos da Lua, algo que nunca havia sido examinado.
As descobertas foram feitas pelo Satélite Lunar CRater Observing and Sensing, da Nasa, ou missão LCROSS, um experimento de 79 milhões de dólares no âmbito do qual a agência espacial americana enviou um foguete para colidir com a cratera Cabeus, no polo sul lunar.
O foguete acertou a cratera a uma velocidade de 9.000 km/hora, provocando a elevação de uma enorme pluma de material do fundo da cratera, que permaneceu intocado pela luz do sol durante bilhões de anos.
Ao envio do foguete se seguiu, minutos depois, uma nave equipada com câmeras para registrar os efeitos do impacto.
Em novembro do ano passado, a Nasa divulgou as primeiras descobertas do experimento, ao anunciar a descoberta de uma "quantidade significativa" de água congelada na lua.
Schultz destacou, em seu estudo, que as missões Apolo, realizadas décadas atrás, já haviam encontrado não apenas vestígios de prata, mas também ouro, na face da Lua voltada para a Terra.
Mas a descoberta de prata na cratera Cabeus sugere que átomos de prata de toda a Lua migraram para os polos.
Schultz advertiu, no e entanto, que a relativamente escassa concentração de prata detectada na cratera "não significa que possamos minerar a Lua para extraí-la".

 TIRINHA DO DIA

sábado, 23 de outubro de 2010

A caminho do tudo – Parte XXVI

A REVOLUÇÃO DE EINSTEIN

O éter preenche o vazio



Gente boa, se eu tivesse de fazer um resumo do século passado “diria que ele ressuscitou as maiores esperanças já concebidas pela humanidade e destruiu todas as ilusões e ideais. Vocês podem achar até uma contradição no que escrevo, mais o século foi de contradição pois no deu guerras de trincheiras, genocídio, a destruição do nosso ambiente e o perigo do excesso de gente. Em contrapartida nos trouxe a liberdade e prosperidade, avanços tecnológicos e científicos e um maior entendimento do nosso universo.

A grande revolução de Einstein, tema deste estudo, começou em 30 de julho de 1905, quando um periódico alemão publicou um artigo de um jovem cientista que trabalhava em um departamento de patentes. Era o primeiro contato de Einstein com a relatividade e ele mudou o mundo para sempre.

Para entender esta mudança de pensamento temos que retornar ao passado e ao pensamento Newtoniano. As leis de Newton embora tivessem duzentos anos, estavam ganhando força, mais algumas implicações eram perturbadoras. A lei da gravitação universal por exemplo, afirma que todo objeto no universo exerce uma atração gravitacional sobre qualquer outro objeto no universo, sem importar a distância entre eles. Mas como essa força é transmitida? Quando um guri empurra ou puxa um carrinho ele está sempre em contato com ele ou com uma corda preza no mesmo. Mas a gravidade de algum modo salta no espaço vazio sem contato algum. Ela permite que o Sol “segure”a Terra sem nenhuma ponte entre eles. O melhor pitaco dado pelos Newtonianos era que a gravidade era transmitida por uma substância invisível que ocupava todo o espaço chamada éter.

Esse mister éter estava na mente de todo o físico até a chegada de Maxwell com seu eletromagnetismo onde a luz não precisava de um meio para se propagar, mais por onde viajaria? Novamente os físicos precisaram invocar o deus éter.

Esse éter era uma substância muito estranha pois precisava preencher o universo inteiro e até mesmo todo o espaço vazio; afinal a luz á capaz de chegar à nós desde o Sol e as estrelas distantes através de um espaço cósmico quase um vácuo. O éter precisava ser invisível e destituído de massa, sem ainda oferecer resistência enquanto a Terra gira ao redor do Sol. A luz faria outras cobranças ao éter : para transmitir ondas eletromagnéticas, o éter precisava ter as propriedades do que os físicos da época chamavam de sólido elástico, ou seja, tinham de ser extremamente rígido, mais rígido que o aço. Não se sabia como uma substância tão diferente poderia funcionar. O éter parecia ser necessário para explicar algo tão intrigante quanto a velocidade da luz. Mais para entender este conceito deveremos avaliar nossas idéias e conceitos sobre o movimento e da velocidade ....na próxima semana.


Espero que tenham gostado da introdução do longo e interessante estudo, um abraço e até sexta onde estudaremos como era a relatividade antes de Einstein.

TIRINHA DO DIA
 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Física em três tempos de POESIA

Amigos da física, esta poesia é uma preparação para a Caminho do Tudo - Parte XXVI :

A revolução de Einstein. Espero vocês....




No túmulo de Isaac Newton (1642-1727), na Abadia de Westminster, em Londres, Inglaterra, estão gravados os versos que o panegírico de Alexander Pope (1688-1744) esculpiu:

Nature and Nature’s law lay hid in night.
God sad “Let Newton be“ and all was light.

Em português, numa tradução poeticamente livre, ou livremente poética:

A natureza e as suas leis jaziam na noite escondidas.
Disse Deus “Faça-se Newton” e houve luz nas jazidas.

Uma outra versão do elogio de Pope foi produzida por Aaron Hill (1685-1750), seu desafeto literário, e diz assim:

O’er Nature’s laws God cast the veil of night.
Out blaz’d a Newton’s soul and was light.

Traduzindo, no mesmo espírito:

Sobre as leis da Natureza Deus lançou da noite o manto escuro.
Fora ardia um princípio essencial de Newton e era dia puro.

Consagrou-se, contudo, o dístico de Pope por qualidades próprias, pela inscrição no túmulo do herói da mecânica moderna e a tal ponto e de tal forma que entrou, sem trocadilho, pela porta da cultura pop e estourou em sucesso no best-seller de Dan Brown O código Da Vinci , cuja trama organiza-se, em sua parte final, em torno do quebra cabeças em versos que envolve o poeta do século XVIII, o físico no seu jazigo e o jazigo na Abadia de Westminster, cenário do desenlace do frenesi narrativo das peripécias exótico-esotéricas do romance.

Com as leis de Newton, o mundo científico viveu, ao menos até a segunda metade do século XIX, a sensação de que a física havia concluído sua tarefa e que a ciência estava, enfim, às portas de obter as respostas definitivas sobre os segredos da natureza e os mistérios do mundo.

Contudo, no dia 14 de dezembro de 1900, Max Planck anuncia, na Sociedade Berlinense de Física, que a energia não é emitida e tampouco absorvida continuamente, mas sim na forma de pequeninas porções discretas chamadas quanta, ou fótons, cuja grandeza é proporcional à freqüência da radiação.

Nascia a física quântica e as determinações do mundo que a física newtoniana fazia compreender abalavam-se com toda a teoria e as certezas construídas de seu saber.

Em 1905, o “annus mirabilis” da ciência, da natureza, Einstein publica os artigos que revolucionarão a física e estabelecerão os seus fundamentos modernos: “Sobre um ponto de vista heurístico relativo à geração e à transformação da luz”; “Sobre uma nova determinação das dimensões moleculares”; “Sobre o movimento de partículas suspensas em fluídos em repouso”; “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento” e “A inércia de um corpo depende da sua energia?”, no qual propõe a sua famosa equação:  E = mc2.

Com a teoria da relatividade restrita consagrada, Einstein trabalha numa nova teoria da gravitação, a sua teoria da relatividade geral e, em 1911, no artigo “Sobre o efeito da gravidade na propagação da luz” anuncia que o campo gravitacional deveria provocar a curvatura da luz. Em 1921 conquista o Prêmio Nobel e consolida sua reputação como cientista, como humanista e como cidadão do mundo. Nessa época, Einstein viaja bastante, desempenhando com contínua intensidade esses diversos papéis sociais com que foi revestindo sua vida. Em Londres, para onde se dirigiu depois de estar em Manchester, Sir John Squire (1884-1958) poeta, crítico, historiador e jornalista inventor da dupla paródia, que consiste em transmitir o conteúdo da obra de um poeta no estilo de um outro, acrescentou ao epitáfio de Alexander Pope para Newton os dois versos que, com fina ironia, dão bem a medida dos transtornos científico-culturais que as descobertas de Einstein provocaram nas certezas de então:

It did not last: the Devil howling “Ho!
Let Einstein be!” restored the status quo.

Em nossa tradução:

Durou pouco: o Diabo uivando “Oh!
Einstein seja feito!” restaurou o status quo.

Como o mundo é feito de mudanças, conforme anotações em prosa e verso desde o renascimento, ou mesmo antes, e como lá se vão cem anos miraculosos do admirável ano de 1905 e outros quase tantos da homenagem divertida de John Squire aos abalos revolucionários da ciência, acrescento aqui meu tributo aos donos da criação. Peço licença poética para emendar as antigas reverências com uma nova irreverência cheia de espanto maroto e sincera admiração, ficando assim, re-emendado, o poema original e também sua versão:

Nature and Nature’s law lay hid in night.
God said “Let Newton be” and all was light.
It did not last: the Devil howling “Ho!
Let Einstein be!” restored the status quo.
After a while, playing dice, thinking they were free
In the space-time they started singing “What will be, will be!”

Traduzindo:

A natureza e as suas leis jaziam na noite escondidas.
Disse Deus “Faça-se Newton” e houve luz nas jazidas.
Durou pouco: o Diabo uivando “Oh!
Einstein seja feito!” restaurou o status quo.
Passado um momento, jogando dados em livre pensar
No espaço-tempo todos cantavam “O que será, será!”.

Carlos Vogt(A)

TIRINHA DO DIA