A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A caminho do tudo – Parte VIII (Versão 2026)

 A REVOLUÇÃO COPERNICANA

Das trevas, de novo a LUZ

“Ao interpretar as escrituras, quando o evento descrito não admite explicação natural, então, e apenas então, devemos recorrer a milagres.”
André de São Victor


Senhores, a onda do conhecimento primeiro encontrou morada nos monastérios e nas escolas urbanas que começavam a pipocar por toda a Europa. Muitas foram fundadas por frades franciscanos chamados de frades cinzentos. Como o cristianismo era agora a força cultural de todo continente esse centros de culto e oração também estavam se transformando nos centros culturais; no fim da idade média eles abraçaram a ciência, naquele tempo chamada de filosofia natural. Os lideres religiosos dependiam do trabalho de astrônomos que através de observações do firmamento determinavam a data da páscoa, o dia mais sagrado do calendário cristão.

Na verdade, o monastério não eram as únicas instituições que abrigavam aqueles que sabiam ler, escrever e ensinar, as primeiras universidades começaram a aparecer e por volta de 1400, quase toda nação européia tinha uma. O problema era que não era esperado dos professores que fossem originais e inovadores mais que selecionassem, preservassem e passassem adiante o conhecimento tradicional. No caso da filosofia natural isso significava ensinar os textos do velho Aristóteles e de seus seguidores, inclusive Ptolomeu.


Como papeamos no episódio V, Ptolomeu construiu um modelo de universo baseado na visão de que a terra era o centro de tudo, ou geocêntrico de Aristóteles, nas quais os corpos celestes são transportados através do céu em esferas cristalinas. O problema não era que Aristóteles e Ptolomeu ignoravam o que viam no céu, acho que queriam estabelecer um modelo que permitisse aos astrônomos acertar de modo correto as posições futuras dos astros celestes. Considerando seu conhecimento do movimento aparente daqueles corpos, o sistema das esferas cristalinas era plausível e sua descrição do universo, lógica. Em vez de observar se os planetas se moviam em círculos perfeitos, diziam os astrônomos que o movimento era circular e se empenhavam para que todos seguissem sua onda. A história da terra fixa se tornara tão enraizada e inquestionável que nenhum espaço sobrou para os encrenqueiros duvidosos e permaneceu incontestável por mais de 1000 anos.

O cristianismo aos pouco adotou as idéias de Aristóteles e Ptolomeu e a teoria parece ter um senso comum de que a terra parece ser firme e imóvel debaixo dos pés; As estrelas e os planetas pareciam girar em torno de nós.
Jovens parece que estou lendo Josué, na Bíblia, onde ele ordena que o Sol pare, e não a terra, para que o dia seja prolongado permitindo que o povo de Deus fosse vitorioso em uma Batalha contra os Cananeus.



Ps. Neste momento o meu lado religioso me abala, o confronto religião x ciência me perturba muito, são 23:45 e vou tirar uma soneca quando acordar continuo; perdão por registrar esse momento de conflito. Seria muito bom estudar essa história da Bíblia pelo lado cientifico como também a tomada de Jericó com o soar das trombetas. Tenho uma boa teoria (ressonância).

Aos poucos o que se chama ciência voltou a clarear novamente, haviam muitos dogmas na Europa, algumas posições sem questionamentos e não mais um deserto intelectual. Alguns estudiosos estavam lentamente promovendo uma nova visão da ciência moderna, vou citar alguns nomes encontrados na pesquisa:

Albertus Magno, naturalista alemão fez estudos detalhados em insetos, aves e mamíferos. A natureza, disse ele, era algo para ser vista com os próprios olhos, e não apenas lida nos livros e nós amazonenses não conhecemos a nossa região;

Tómas de Aquino, deu a razão e a revelação uma igualdade na busca da verdade, pensamento não aceito pela igreja ;

Robert Grossetest, Roger Bacon e John Pecham estudaram a luz e a óptica e enfatizaram o valor do experimento;

André de São Victor, recomendou enfaticamente a investigação racional em vez de atribuir cegamente os fenômenos naturais a Deus.

William de Ockham, sugeriu que ao comparar duas teoria diferentes a que faz menos suposições sobre os fatos conhecidos é a melhor explicação. O argumento hoje conhecido como “navalha de Ockham”ainda repercute entre os cientistas.


Aos poucos a ciência como uma Fênix começou a emergir das sombras da filosofia medieval. Um campo em particular, a astronomia, iria deferir um nocaute na visão de mundo na Europa medieval.

A ciência moderna, em especial a física moderna, só pôde ver a luz do dia depois que as esferas cristalinas de Aristóteles foram desmanteladas, mas isto é uma outra história; um abraço a todos, em duas horas o Brasil joga contra a Noruega, que tenha vencido quando esta publicação for liberada, bom recesso a todos.


Ps. Durante o período de estudo, leitura e escrita, lembrei-me de meus avós materno e de seu sobrenome que muito me orgulha...LUZ de meu avô Raimundo da LUZ o primeiro a esquerda.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A descoberta de Erastótenes


Por volta de 240 a.C., um filósofo grego chamado Erastótenes fez uma descoberta que continua a nos surpreender até hoje.

 Na época, ele era o diretor da famosa Biblioteca de Alexandria, onde estudiosos se reuniam para aprender. 

Usando seu conhecimento sobre o Sol, Eratóstenes determinou o tamanho da Terra de uma maneira verdadeiramente inovadora.

 No solstício de verão, ele percebeu que, na cidade de Syene (atual Assuã, no Egito), o Sol estava diretamente acima, enquanto em Alexandria projetava uma pequena sombra. 

Ao perceber que a diferença nos ângulos entre essas duas localidades poderia ser usada para medir a circunferência da Terra, ele elaborou um plano engenhoso.

Medindo o ângulo da sombra em Alexandria e conhecendo a distância entre as duas cidades, Eratóstenes fez uma estimativa surpreendentemente precisa do tamanho da Terra. 

Seu resultado foi de 39.375 quilômetros (cerca de 24.662 milhas), um valor bastante próximo da circunferência real, que é de aproximadamente 40.075 quilômetros (24.901 milhas). 

Isso é realmente impressionante, considerando o quão antiga foi essa descoberta e a pouca tecnologia disponível na época.

Esse método engenhoso não apenas demonstrou o brilhantismo de Eratóstenes, mas também sua habilidade de conectar diferentes ideias e observações para resolver um problema que parecia impossível naquele tempo.

Seu trabalho lançou as bases para que futuros cientistas compreendessem o mundo em uma escala muito maior. 

Embora tenha vivido na antiguidade, sua descoberta continua relevante até hoje, mostrando até onde a curiosidade e o intelecto humano podem nos levar.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

As placas tectônicas da América do Sul e o terremoto na Venezuela


O forte terremoto registrado recentemente na Venezuela levou muita gente a fazer a mesma pergunta: por que terremotos intensos são relativamente comuns em alguns países, mas extremamente raros no Brasil?

A resposta está nas placas tectônicas.

A crosta terrestre não é uma peça única. Ela é fragmentada em grandes blocos chamados placas tectônicas, que se deslocam lentamente sobre uma camada mais profunda do manto terrestre.

Essas placas podem afastar-se, colidir ou deslizar lateralmente umas em relação às outras. Em muitos casos, elas ficam presas devido ao atrito. Enquanto isso, enormes tensões vão se acumulando nas rochas. Quando essa tensão supera sua resistência, ocorre uma ruptura súbita, liberando uma grande quantidade de energia na forma de ondas sísmicas: é o terremoto.

O ponto onde essa ruptura ocorre no interior da Terra é chamado foco (ou hipocentro). Já o epicentro é o ponto da superfície localizado exatamente acima do foco, onde geralmente os tremores são mais intensos.

A Venezuela está próxima ao limite entre as placas Sul-Americana e do Caribe, uma região geologicamente muito ativa. Já o Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das bordas onde se concentram as maiores tensões.

Por isso, embora pequenos abalos sísmicos ocorram ocasionalmente em nosso país, terremotos de grande intensidade são extremamente raros por aqui.

Referências

- USGS (U.S. Geological Survey). Earthquake Hazards Program.

- USGS. This Dynamic Earth: The Story of Plate Tectonics.

- Grotzinger, J. & Jordan, T. H. Understanding Earth. Cambridge University Press.


terça-feira, 23 de junho de 2026

O invisível de Empédocles


Atribui-se a Empédocles a descoberta do ar no século IV a.C. Para isso o grego parece ter feito um experimento muito simples utilizando um tipo de clepsidra. Tal artefato consistia em uma esfera oca com um gargalo aberto e com vários furos na parte inferior. Quando mergulhada em um recipiente com água com o gargalo exposto ela é preenchida pelo líquido. Após estar cheia de água a clepsidra é retirada do recipiente com um de nossos dedos tapando o gargalo. Desse modo a água fica retida na esfera e podemos usá-la como um chuveiro ao destampar o gargalo. 

Empédocles notou que se tentasse preencher a clepsidra com o gargalo tapado a água não entrava em seu interior. Então concluiu que alguma substância material obstruía a entrada da água. Essa substância só poderia ser o ar. Empédocles presumiu que o ar era formado de uma matéria tão refinadamente dividida que não podia ser vista.

Este foi o primeiro passo para que cientistas - por meio de experimentos mais elaborados - descobrissem séculos mais tarde que o ar é formado por diversas substâncias.

REFERÊNCIA

Furley, D. (1957). Empedocles and the Clepsydra. The Journal of Hellenic Studies 77(1): 31-34. doi:10.2307/628630

quarta-feira, 17 de junho de 2026

A invenção da roda é humana?


Frequentemente a roda é mencionada como uma das invenções mais importantes da humanidade. É difícil precisarmos o momento de sua descoberta. Embora possa ter sido concebida em algum momento a partir de 50.000 antes do presente, quando os humanos viveram a Explosão Criativa do Paleolítico Superior, a evidência mais antiga do seu uso para locomoção é de 5.100 a 5.300 anos atrás - da antiga cidade de Uruk, na Mesopotâmia. No entanto, o registro inequívoco mais antigo de uma roda foi encontrado na Ljubljana (Eslovênia) e tem aproximadamente a mesma idade dos registros da Mesopotâmia.

Ao longo da história, grande parte das invenções humanas foi inspirada no mundo natural (e.g. o avião a partir das aves planadoras), mas a roda para locomoção é usualmente reconhecida como uma inovação 100% creditada ao Homo sapiens. Na realidade, podemos dizer que a natureza chegou perto várias vezes, afinal as plantas Tumbleweeds, os besouros-de-esterco (Scarabaeidae), a aranha-roda dourada (Carparachne aureoflava), o crustáceo estomatópode (Nannosquilla decemspinosa) e o pangolim (Manis spp.) usam ou podem usar o sistema rotativo de locomoção.

A única estrutura verdadeira de roda e eixo conhecida em biologia é o motor que aciona o flagelo de uma bactéria. Podemos dizer que esses microorganismos “inventaram” a roda muito antes dos humanos. Essas bactérias giram o flagelo usando um motor molecular em forma de roda.

Há mais de 5.000 anos os humanos não poderiam ter ideia do mecanismo de roda e eixo de uma bactéria flagelada, mas talvez tenham se inspirado em um besouro-do-esterco para criarem a estrutura que mudou o rumo da humanidade.

REFERÊNCIAS

Bakker, J., Kruk, J., Lanting, A., & Milisauskas, S. (1999). The earliest evidence of wheeled vehicles in Europe and the Near East. Antiquity, 73(282), 778-790. doi:10.1017/S0003598X00065522

Gasser, Aleksander (March 2003). “World’s Oldest Wheel Found in Slovenia”. Government Communication Office of the Republic of Slovenia. Archived from the original on 2016-08-26. Retrieved 2015-03-07.

LaBarbera, M. (1983). Why the Wheels Won’t Go. The American Naturalist, 121(3), 395–408. http://www.jstor.org/stable/2461157

terça-feira, 9 de junho de 2026

Condutores e Isolantes


Os fios elétricos são geralmente feitos de cobre e recobertos por um isolante plástico, frequentemente o PVC (policloreto de vinila). Os metais são bons condutores de eletricidade. Isso significa que os elétrons podem transitar com facilidade em seu interior, o que não ocorre em um isolante como o plástico. Mas qual o motivo dessa diferença?

O átomo de um metal tem entre 1 e 3 elétrons em sua última camada. Devido as suas maiores distâncias do centro, esses elétrons estão sujeitos a uma menor força de atração do núcleo. Isso faz com que nos metais haja elétrons livres para se moverem facilmente. Podemos dizer que há um verdadeiro mar de elétrons nos metais e quando uma diferença de potencial é aplicada há impulsionamento dessas partículas, gerando a corrente elétrica.

Por outro lado, um isolante não tem elétrons livres e não permite que a corrente elétrica flua através dele. Elementos com mais de 4 elétrons na última camada são considerados isolantes. No caso dos plásticos, como o PVC, que é um grande molécula, existem ligações covalentes, fortes e estáveis entre os átomos. Portanto, os elétrons estão fortemente envolvidos nessas ligações, o que impede a propagação da corrente elétrica.

sábado, 6 de junho de 2026

A invenção da Lâmpada

A lâmpada é considerada uma das invenções mais importantes da história da humanidade. Por mais de um século as lâmpadas de filamento foram as principais responsáveis por iluminar a nossa vida noturna. O princípio dessa lâmpada consiste em um filamento aquecido por corrente elétrica, que fica incandescente e gera luz.

O PAI DA LÂMPADA ELÉTRICA - O químico britânico Humphry Davy foi o primeiro cientista a conseguir gerar luz dessa maneira. Em 1802, ele gerou luz, por um curto período de tempo, ao fazer corrente elétrica passar por uma tira de carbono.

APERFEIÇOAMENTO - A invenção de Davy foi aprimorada por Warren De la Rue, em 1820, que usou um filamento de platina enrolado (bobina) dentro de um tubo de vácuo. Após isso, muitos outros pesquisadores também desenvolveram filamentos capazes de emitir luz. O modelo de lâmpada mais próximo dos atuais foi desenvolvido por Joseph Swan em 1878. Finalmente, em 1879, Thomas Edison (e que portanto não foi o inventor!) conseguiu desenvolver uma lâmpada com filamento de alta durabilidade e que foi comercializada.

NOVA GERAÇÃO - Nikola Tesla patenteou em 1885 nos Estados Unidos, uma lâmpada elétrica a arco. No interior do bulbo da lâmpada haviam dois eletrodos, imersos em gás. Os eletrodos produziam descarga elétrica que excitava o gás a emitir luz. Essa lâmpada foi precursora das lâmpadas fluorescentes atuais. As lâmpadas incandescentes foram quase que completamente substituídas pelas lâmpadas fluorescentes. Agora passamos a utilizar as lâmpadas de LED, que não geram calor intenso e consomem menos energia. O que mais virá no futuro?

REFERÊNCIAS
https://www.livescience.com/43424-who-invented-the-light...
https://www.bulbs.com/learning/history.aspx
https://www.thoughtco.com/who-invented-the-lightbulb-1991698
https://teslaresearch.jimdofree.com/electric-lighting/

quarta-feira, 3 de junho de 2026

A caminho do tudo – Parte VII (Versão 2026)

A REVOLUÇÃO COPERNICANA

Uma nova visão, um novo despertar 

Fico feliz pelo seu retorno e por acompanhar a leitura do vlog. Agora fica também a expectativa para que o Brasil faça uma grande partida daqui a meia hora contra a seleção do Panamá, em preparação para a Copa do Mundo de 2026. Hoje, 31 de maio, seguimos sendo a pátria que entra em campo com a paixão do futebol nos pés e no coração.

ahweh, Deus meu (...) Assentaste a Terra sobre suas bases, inabalável para sempre e eternamente.  (Salmos 104)
Está claro que a terra não se move, e que ela não se encontra em nenhum outro lugar senão no centro.

Aristóteles


O que os gregos realizaram foi tremendo, mas não durou. Depois que atingiu o seu pico no quinto e quarto séculos a.C. com grandes pensadores como Sócrates, Platão e Aristóteles, o mundo grego começou a desmoronar. Os séculos que se seguiram trouxeram guerras entre as cidades gregas, ataques dos macedônios e por fim a conquista pelo exercito de Alexandre o grande. Com a perda da vida estável da política, veio o fim da prosperidade; sem prosperidade o “lazer” dos meninos foi perdido; e sem lazer, a atividade científica foi perdida.

Nossa história precisa, então, fazer o furo do Paracuba; O que passa é que é difícil procurar uma teoria unificada da física quando ninguém está praticando a física. Para conectar a ciência grega com a ciência de hoje, precisamos explorar uma picada fragmentada (pequeno caminho na mata), depois que os primeiros experimentos de investigação racional chegaram ao fim.

Depois dos soldados de Alexandre vieram os do império Romano. Os Romanos eram muitos bons em leis e história, e produziram grandes obras de literatura; a arquitetura era bem desenvolvida entre eles, mas para ciência pura, aquela vinda da Grécia tinham pouco tempo.Por fim Roma também desmoronou quando asterix e obelix, ops, tribos do norte e leste da Europa avançaram pela Itália.


Um elemento do mundo Romano sobreviveu, O cristianismo, oferecendo uma mensagem de esperança aos pobres, famintos e desabrigados da Europa. Ela prometia salvação no mundo vindouro mas acho que pouco fez para investigação científica, dizia agostinho:

“Não é necessário sondar a natureza das coisas, como faziam aqueles que os gregos chamavam de physici”,

ou ainda “É suficiente que os cristãos acreditem que a única causa das coisas criadas... é a bondade do criador, o único e verdadeiro Deus”.

Tudo bem,mas acho que a observação da natureza ficou para depois.

Depois da queda de Roma uma sensação de desalento e desespero dominou o continente; tudo que restava era a fé em um mundo invisível e sofrimento dos dias presentes. A Terra e os céus não eram mais dignas de uma análise intelectual.


No oriente, províncias antes de Roma, agora do império Bizantino, as coisas eram diferentes. A língua grega foi mantida viva e o que os gregos escreveram, preservado. Quando os muçulmanos de língua árabe varreram a região, eles absorveram o conhecimento grego nas terras que conquistaram.

Durante 500 anos os árabes foram os “guardadores mundiais” do conhecimento científico, mantendo vivas as idéias dos gregos e acrescentando as suas própria invenções e descobertas. Eles construíram universidades e bibliotecas, também grandes observatórios e usaram astrolábios e quadrantes para mapear o céu. Catalogaram centenas de estrelas e seu legado sobrevivem em nomes de várias delas, eram sábios. Estudaram a navegação e a bússola magnética. Da índia tomaram emprestado o sistema decimal que usamos hoje, baseado no que chamamos agora de “algarismo arábico”. Para o grande desgosto de alguns pequenos amigos estudantes, os árabes inventaram a álgebra e a trigonometria. Talvez tenham traduzido e preservado incontáveis textos gregos. Parece que a Europa mergulhava nas trevas da idade média e o mundo árabe manteve a chama do conhecimento acessa.

Muito tempo se passou para todo esse conhecimento desaguasse na Europa. Quando os cristãos reconquistaram as terras da Sicília e Espanha, ganharam também um tesouro de conhecimento de muitos séculos. Idéia escritas pelos gregos e estudadas pelos árabes foram então traduzidas de novo, desta vez para o latim. Em cidades Espanholas multilingües copiavam texto após texto, manuscritos gregos agora enriquecidos com as idéias dos árabes e dos indianos. O trabalho deles detonou uma explosão de conhecimento que mudou o mundo, mas essa é uma outra história.

Seja bem vindo a Revolução Copernicana, aguardo comentários, sugestões, roteiros de trabalho e contribuição literária. 

Um abraço e vamos assistir o jogo, até o próximo mês.







quarta-feira, 27 de maio de 2026

O que são Detectores de Neutrinos e como funcionam


O neutrino é a partícula mais abundante do universo - mas também a mais esquiva. Encontrar neutrinos exige grandes e complicadas configurações experimentais como o detector Super-Kamiokande, que está localizado sob o Monte Ikeno no Japão e o resultado de uma colaboração internacional entre 150 pesquisadores de 35 instituições diferentes.

Em 1998 usando o detector Super-Kamiokande, Takaaki Kajita detectou neutrinos criados em reações entre os raios cósmicos e a atmosfera terrestre. As medições mostraram desvios, que foram explicados pela mudança de neutrinos entre os diferentes tipos.

Ele compartilhou o Prêmio Nobel de Física de 2015 com Arthur McDonald pela "descoberta de oscilações de neutrinos, que mostra que os neutrinos têm massa. ”

Suas descobertas estão em desacordo com o Modelo Padrão, que é baseado em neutrinos sem massa, abrindo novas perguntas e ideias em física.

Aprenda assistindo à palestra do Prêmio Nobel de Takaaki Kajita: https://bit.ly/3HQ9Z6A

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Joseph-Louis Lagrange


Joseph-Louis Lagrange (nascido Giuseppe Luigi Lagrangia) é considerado um dos matemáticos mais influentes do século XVIII. Nascido em Turim em 25 de janeiro de 1736, inicialmente foi forçado a seguir os passos do pai e começou a estudar jurídico. Ele apaixonou-se quase por acidente, parece graças a um tratado de Edmond Halley (o astrônomo que teorizou que os fenômenos astronômicos da passagem dos cometas ocorrida em 1531, em 1697 e 1682 deveriam ser atribuídos ao mesmo e previram o seu retorno em 1758, tornando-se famoso a partir daquele momento, então chamado "Halley's Comet").

Lagrange era um autodidato. Estudou sozinho os principais tratados publicados naquele período, mas em particular um trabalho de Eulero sobre mecânica impressionou-o muito, formando-o a nível científico. No manual de mecânica discutimos a moto do ponto material, pela primeira vez através da análise matemática e Lagrange aprendeu a importância da demonstração analítica em vez de geométrica, escolhendo, até o fim de sua carreira, o primeiro dos dois métodos. Testemunhar esta escolha é o prefácio da sua obra-prima, a Mécanique analytique (Meccanica Analytica), onde é possível ler um lacônico "nenhuma figura estará presente nesta obra". O tratado só foi publicado em 1788 em Paris, quando Lagrange tinha cinquenta e dois anos de idade, mas ficou claro que era apenas a conclusão de um pensamento científico desenvolvido muitos anos antes. Citando Hamilton: “Lagrange fez da mecânica uma espécie de poema científico. ”

Ele era extremamente reservado e não gostava de ser o centro das atenções. Quando ele se mudou de Berlim, onde foi eleito presidente da aula de ciências da Academia de Berlim por proposta de Eulero, em Paris o rei Luís XVI doou-lhe a quantia de dinheiro necessária para cobrir a viagem e Lagrange escreveu a um amigo:

"Isso são boas notícias, mas não precisa mais falar sobre mim. "

As cartas que ele envia para a sua família são raras, uma ou duas por ano, e são tudo menos prolise; ele fala principalmente sobre o clima e os invernos que são muito duros para enfrentar. Em 1772 ele envia uma carta ao seu irmão Carlo:

“Recebi a sua carta há muito tempo, mas não tendo nada importante para lhe dizer, adiei a resposta dia após dia”.

Em Paris, Lagrange foi nomeado um dos primeiros membros do Senado em 1799, condecorado com a patente de Grande Oficial da Legião de Honra em 1804 e nomeado Conde do Império em 1808. Napoleão Bonaparte sentiu-se desconfortável por ele, definindo-a como a "fière pyramide des matématiques" (a pirâmide alta das ciências matemáticas).

Créditos foto Wikipédia

quarta-feira, 13 de maio de 2026

O teletransporte Quântico


Numa experiência inovadora, os físicos da Universidade de Oxford alcançaram o teletransporte entre dois computadores quânticos, distribuindo com sucesso unidades críticas de um processador quântico através de múltiplas máquinas sem sacrificar o desempenho.

Este feito demonstra o potencial de escalar a tecnologia quântica teletransportando estados quânticos através de uma rede de sistemas conectados.

O experimento envolveu enredar os estados quânticos de diferentes objetos (qubits) e usar medidas em um para forçar um objeto enredado a alguma distância para adotar a identidade quântica do original. Enquanto o teletransporte ocorreu a uma curta distância de dois metros, prova a viabilidade de criar supercomputadores quânticos através da ligação de processadores menores.

Ao contrário da transmissão de informações quânticas através de ondas de luz, que são suscetíveis à corrupção, o teletransporte depende da transmissão de dados binários clássicos contendo resultados de medição. Estes dados permitem que o fim receptor manipule a sua partícula enredada para replicar o original.

No experimento de Oxford, o estado de spin teletransportado alcançou uma correspondência de 86% com o original, o suficiente para servir como um portão lógico para o algoritmo de Grover, que funcionou com 71% de eficiência nos dois processadores. As ligações fotônicas usadas para interligar os módulos oferecem flexibilidade valiosa, permitindo atualizações ou substituições sem interromper toda a arquitetura.

Este avanço poderia diversificar as aplicações de redes quânticas, potencialmente transformando-as em ferramentas para a pesquisa de física fundamental. A pesquisa foi publicada na Nature.

📄 PAPEL DE PESQUISA:

D. Principais et al. , "Computação quântica distribuída através de uma ligação de rede óptica", Natureza (2025)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

A caminho do tudo – Parte VI (Versão 2026)

 Raspa do Tacho: O legado grego

Para fazer justiça ao que eles iniciaram...devemos encará-los pelo menos como protocientistas, que estavam no limiar daquela parte de filosofia antiga que era chamada de física.
A. A. LONG



Caros amigos, até que ponto existe uma conexão entre a ciência grega e a física moderna? De algum modo  claro, os gregos estavam errados. O átomo revelou ser divisível, e a química do Aristides já tem mais de cem elementos em vez dos quatro abraçados por Empédocles. A cosmologia de Arquimedes e Ptolomeu, iria enfrentar uma mudança profunda. Mas de muitos modos os gregos acertaram na mosca. O mundo físico é realmente explicável em termos de partes invisíveis das quais só existem umas poucas variedades. Vamos bater um papo e comparar o que Demócrito disse: “ não existe nada além de átomos e vazio”, já o pioneiro da teoria quântica Erwin Schorodinger, o cara do gato preto, afirma que “a matéria é formada por partículas, separadas por distâncias grandes; ela está envolvida pelo espaço vazio”. Me parece que o pensamento grego é altamente moderno, concordas?

Lembramos os gregos, não pelas conclusões, falhas muitas vezes, mas pelo raciocínio que usaram para chegar lá. Considerando o que conheciam do mundo, convenhamos, era válido. Pela primeira vez, pessoas começaram a estudar a matéria que constitui o mundo em que vivemos e as forças que governam o seu comportamento. E a partir da diversidade e desordem do que viram, elas tentaram compreender os princípios compreensíveis das leis naturais. Os gregos podem não tem sido tão sofisticados quanto os físicos de hoje, e seus métodos eram limitados, mas sua meta era a mesma.

Conclusão deste tacho: eles foram os primeiros a procurar a unificação da natureza sem apelar para Tupã ou Zeus, mas examinando o mundo e procurando ordem de dentro do caos aparente. Eles queriam encontrar uma explicação que fosse ao mesmo tempo simples e abrangente. Em resumo, se camisetas existissem na Grécia no lugar de túnicas, a de Tales iria dizer “Tudo é água”, e a de Demócrito “Está tudo nos átomos”. Que bacana em? No entanto jovens o progresso nem sempre foi rápido; a teoria atômica, por exemplo, demorou tempos pacas. A chama da curiosidade humana, da investigação científica, nem sempre iria ardem com vontade, porém uma vez acesa, jamais seria apagada. Beleza estudar os gregos. Senhores vou tentar mudar de fase neste jogo, os gregos foram tremendo e atingiram o máximo no quarto e quinto séculos a.C. mas depois tudo começou a desmoronar. Se preparem para a próxima fase e novas histórias na “REVOLUÇÃO COPERNICANA”, até breve.

Ps. Aguardo comentários e contribuições literárias.

Textos de apoio:

1. Antiga filosofia grega , de Jonathan Barnes
2. As origens da ciência ocidental, de David C. Lindberg

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ondas Gravitacionais


Quando os astrônomos detectaram as primeiras ondas gravitacionais há muito previstas em 2015, abriu-se uma nova janela para o universo. 

Poderíamos usar ondas gravitacionais para nos comunicar?

A ideia é intrigante, embora além de nossas capacidades agora. Ainda assim, há valor em explorar o hipotético, pois o futuro tem uma maneira de chegar mais cedo do que às vezes pensamos.

Uma nova pesquisa examina a ideia e como ela pode ser aplicada no futuro. É intitulado "Comunicação Gravitacional: Fundamentos, Estado da Arte e Visão de Futuro" e está disponível no servidor de pré-impressão arXiv. Os autores são Houtianfu Wang e Ozgur B. Akan. Wang e Akan estão ambos no Grupo de Internet de Tudo, Departamento de Engenharia, Universidade de Cambridge, Reino Unido.

"A descoberta das ondas gravitacionais abriu uma nova janela observacional para a astronomia e a física, oferecendo uma abordagem única para explorar as profundezas do universo e fenômenos astrofísicos extremos. Além de seu impacto na pesquisa astronômica, as ondas gravitacionais também atraíram atenção generalizada como um novo paradigma de comunicação", explicam os autores.

As comunicações eletromagnéticas tradicionais têm desvantagens e limitações definidas. Os sinais ficam mais fracos com a distância, o que restringe o alcance. Os efeitos atmosféricos podem interferir nas comunicações de rádio e difundi-las e distorcê-las. Há também restrições de linha de visão, e o clima solar e a atividade espacial também podem interferir.

O que é promissor sobre a comunicação por ondas gravitacionais (GWC) é que ela pode superar esses desafios. O GWC é robusto em ambientes extremos e perde energia mínima em distâncias extremamente longas. Ele também supera problemas que afligem a comunicação eletromagnética (EMC), como difusão, distorção e reflexão. Há também a intrigante possibilidade de aproveitar GWs criados naturalmente, o que significa reduzir a energia necessária para criá-los.

"A comunicação gravitacional, também conhecida como comunicação por ondas gravitacionais, promete superar as limitações da comunicação eletromagnética tradicional, permitindo uma transmissão robusta em ambientes extremos e grandes distâncias", apontam os autores.

Para avançar a tecnologia, os pesquisadores precisam criar ondas gravitacionais artificiais (GWs) no laboratório. Esse é um dos principais objetivos da pesquisa GW. Os GWs são extremamente fracos e apenas massas enormes se movendo rapidamente podem gerá-los. Mesmo os GWs que detectamos vindos de buracos negros supermassivos em fusão (SMBHs), que podem ter bilhões de massas solares, produzem apenas efeitos minúsculos que requerem instrumentos incrivelmente sensíveis como o LIGO para serem detectados.

Gerar GWs fortes o suficiente para detectar é um primeiro passo necessário.

"A geração de ondas gravitacionais é fundamental para o avanço da comunicação gravitacional, mas continua sendo um dos principais desafios no desenvolvimento tecnológico contemporâneo", escrevem os autores. "Os pesquisadores exploraram vários métodos inovadores para conseguir isso, incluindo ressonância mecânica e dispositivos rotacionais, materiais supercondutores e colisões de feixes de partículas, bem como técnicas envolvendo lasers de alta potência e campos eletromagnéticos."

Há muito trabalho teórico por trás do GWC, mas menos trabalho prático. O artigo aponta a direção que a pesquisa deve tomar para preencher a lacuna entre os dois.

Obviamente, não há como recriar um evento tão incrível quanto uma fusão de buracos negros em um laboratório. Mas, surpreendentemente, os pesquisadores têm considerado o problema já em 1960, muito antes de detectarmos GWs.

Uma das primeiras tentativas envolveu massas rotativas. No entanto, a velocidade de rotação necessária para criar GWs era impossível de alcançar, em parte porque os materiais não eram fortes o suficiente. Outras tentativas e propostas envolveram cristais piezoelétricos, superfluidos, feixes de partículas e até lasers de alta potência. O problema com essas tentativas é que, embora os físicos entendam a teoria por trás delas, eles ainda não têm os materiais certos. Algumas tentativas geraram GWs, pensam os cientistas, mas não são fortes o suficiente para serem detectáveis.

"Ondas gravitacionais de alta frequência, muitas vezes geradas por massas ou escalas menores, são viáveis para produção artificial em condições de laboratório. Mas eles permanecem indetectáveis devido às suas baixas amplitudes e à incompatibilidade com as sensibilidades dos detectores de corrente", explicam os autores.

São necessárias tecnologias de detecção mais avançadas ou algum método para alinhar os GWs gerados com os recursos de detecção existentes. As tecnologias existentes visam detectar GWs de eventos astrofísicos. Os autores explicam que "a pesquisa deve se concentrar no projeto de detectores capazes de operar em faixas mais amplas de frequência e amplitude".

Embora os GWs evitem alguns dos problemas que as comunicações EM enfrentam, eles não estão isentos de problemas. Como eles podem viajar grandes distâncias, o GWC enfrenta problemas com atenuação, distorção de fase e mudanças de polarização ao interagir com coisas como matéria densa, estruturas cósmicas, campos magnéticos e matéria interestelar. Isso pode não apenas degradar a qualidade do sinal, mas também complicar a decodificação.

Existem também fontes de ruído exclusivas a serem consideradas, incluindo ruído gravitacional térmico, radiação de fundo e sinais GW sobrepostos. "O desenvolvimento de modelos de canal abrangentes é essencial para garantir uma detecção confiável e eficiente nesses ambientes", escrevem os autores.

Para fazer uso de GWs, também precisamos descobrir como modulá-los. A modulação do sinal é fundamental para as comunicações. Olhe para qualquer rádio de carro e você verá "AM" e "FM". AM significa "Modulação de Amplitude" e FM significa "Modulação de Frequência". Como poderíamos modular GWs e transformá-los em informações significativas?

"Estudos recentes exploraram diversos métodos, incluindo modulação de amplitude (AM) baseada em fenômenos astrofísicos, modulação de frequência induzida por matéria escura (FM), manipulação de material supercondutor e abordagens teóricas não baseadas em métricas", escrevem os autores. Cada um deles é promissor, além de ser sufocado por obstáculos.

Por exemplo, podemos teorizar sobre o uso de matéria escura para modular sinais GW, mas nem sabemos o que é matéria escura. "A modulação de frequência envolvendo matéria escura escalar ultraleve (ULDM) depende de suposições incertas sobre as propriedades e distribuição da matéria escura", escrevem os autores, dirigindo-se a um elefante na sala.

Pode parecer que o GWC está fora de alcance, mas é tão promissor que os cientistas não estão dispostos a abandoná-lo. Nas comunicações do espaço profundo, a comunicação EM é prejudicada pelas vastas distâncias e interferência de fenômenos cósmicos. A GWC oferece soluções para esses obstáculos.

Um método melhor para se comunicar a longas distâncias é fundamental para explorar o espaço profundo, e o GWC é exatamente o que precisamos. "As ondas gravitacionais podem manter uma qualidade de sinal consistente em distâncias imensas, tornando-as adequadas para missões além do sistema solar", escrevem os autores.

A comunicação prática por ondas gravitacionais está muito distante. No entanto, o que antes era apenas teórico está gradualmente mudando para a prática.

"A comunicação gravitacional, como uma direção de pesquisa de fronteira com potencial significativo, está gradualmente passando da exploração teórica para a aplicação prática", escrevem Wang e Akan em sua conclusão. Dependerá de trabalho árduo e avanços futuros.

A dupla de pesquisadores sabe que é necessário muito trabalho duro para avançar na ideia. Seu artigo é profundamente detalhado e abrangente, e eles esperam que seja um catalisador para esse trabalho.

"Embora um sistema de comunicação por ondas gravitacionais totalmente prático permaneça inviável, pretendemos usar esta pesquisa para destacar seu potencial e estimular mais pesquisas e inovações, especialmente para cenários de comunicação espacial", concluem.

🔹 MAIS INFORMAÇÕES: Houtianfu Wang et al, Comunicação gravitacional: fundamentos, estado da arte e visão de futuro, arXiv (2025). DOI: 10.48550/arxiv.2501.03251

Informações da revista: arXiv 

Fornecido por Universe Today 

🌏 Créditos/fonte/Publicação: por  Evan Gough, Universo Hoje . phys.org
 

----------------------------------------------------------------------

terça-feira, 28 de abril de 2026

O fluxo de calor e a física quântica


No estranho mundo da mecânica quântica, propriedades como o entrelaçamento e a coerência - que permitem que partículas sejam misteriosamente conectadas ou existam em superposições - são notoriamente difíceis de medir. Mas e se o próprio calor pudesse agir como testemunha destes efeitos quânticos?

Inspirado pelo demônio de Maxwell - uma experiência de pensamento onde um ser minúsculo e inteligente aparentemente desafia as leis da termodinâmica - os cientistas exploraram como a troca de calor entre um sistema quântico e seu ambiente pode revelar propriedades quânticas escondidas. Ao introduzir uma memória quântica que auxilia no processo, eles derivaram restrições de energia fundamentais mostrando que o calor não flui apenas de uma forma clássica. Em vez disso, a forma como o calor se move pode carregar assinaturas de comportamento não clássico.

Esta descoberta leva a uma nova ferramenta: uma testemunha baseada no calor para fenômenos quânticos. Ao contrário dos métodos tradicionais que requerem manipulação direta e medição de estados quânticos frágeis, esta abordagem baseia-se em medições de energia simples de um sistema secundário (uma ancila térmica). Os pesquisadores demonstraram como este método poderia detectar o emaranhamento em certos estados quânticos e a coerência em sistemas interagindo com campos eletromagnéticos.

Ao transformar o calor num detetive quântico, este trabalho oferece uma nova maneira promissora de sondar os mistérios do mundo quântico - potencialmente ajudando o desenvolvimento de computadores quânticos e sensores que dependem dessas propriedades esquivas.


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Isaac Newton


Isaac Newton (1643-1727) foi um cientista, matemático, físico, astrónomo, alquimista e teólogo inglês, considerado uma das figuras mais influentes da história da ciência. Suas contribuições revolucionaram nossa compreensão do mundo natural e lançaram as bases da física clássica.

Principais contribuições:

1. Lei da Gravitação Universal: Newton formulou que todos os objetos se atraem uns aos outros com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa.

2. Leis do Movimento: Estabeleceu as três leis fundamentais que explicam o movimento dos corpos:

Primeira lei (Lei de inércia): Um objeto em repouso permanece em repouso e um objeto em movimento continua em movimento, a menos que uma força externa atue sobre ele.

Segunda lei: A força é igual ao produto da massa e da aceleração (F = ma).

Terceira lei: Para cada ação, há uma reação igual e oposta.

3. Desenvolvimento do cálculo: Independentemente de Leibniz, Newton desenvolveu o cálculo diferencial e integral, ferramentas matemáticas essenciais para descrever fenômenos físicos.

4. Ótica: Newton mostrou que a luz branca é composta de todas as cores do espectro visível, usando um prisma para decompor e depois recompor.

5. "Principia": Sua obra mais famosa, "Philosophi æ Naturalis Principia Mathematica" (1687), onde apresentou suas teorias da gravitação e do movimento.

Fatos curiosos:

Newton nasceu prematuro em 4 de janeiro de 1643 em Woolsthorpe, Inglaterra.

Foi professor na Universidade de Cambridge e membro da Royal Society.

Esteve envolvido em debates com outros cientistas, especialmente com Robert Hooke e Gottfried Wilhelm Leibniz.

Passou os últimos anos da sua vida como diretor da Casa da Moeda Inglaterra.

Seu legado permanece como um dos pilares fundamentais da ciência moderna.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Qualidades do som


O som é decorrente de uma vibração que se propaga em um meio, provocando zonas de compressão (partículas mais compactadas) e zonas de rarefação (partículas mais espalhadas). De modo simplificado, podemos representar o som como ondas similares àquelas avistadas na água. São várias as características das ondas sonoras que formam os diferentes sons que ouvimos.

TIMBRE - O timbre é a qualidade sonora que permite distinguir os sons de diversas origens. As ondas sonoras emitidas por uma flauta e um violino são reconhecidas porque possuem formatos diferentes. 

INTENSIDADE - A intensidade do som corresponde ao que habitualmente chamamos de volume. Quanto maior a intensidade, maior a amplitude da onda sonora e maior é a energia transportada. A intensidade pode ser medidas em decibéis. Um sussurro tem aproximadamente 10 decibels e um trovão cerca de 100 decibels. Sons com intensidades acima de 80 decibels, já são prejudiciais aos nossos ouvidos. 

ALTURA - A altura é a característica de grave e agudo e está relacionada à sua frequência. O som grave tem baixa frequência, ao passo que o agudo tem alta frequência. A frequência é medida em Hertz. Os seres humano são capazes de ouvir frequências de 20 a 20.000 Hertz. O som grave de um tambor tem cerca de 300 Hertz, já o agudo de um apito pode ter mais de 1.000 Hertz.

O som é um fenômeno da natureza e parte importante da experiência humana. A diferenciação dos diversos sons nos ajudou a sobreviver e permitiu a nossa comunicação. Hoje, os sons, se bem usados, nos entretem e melhoraram a nossa qualidade de vida.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Efeito Terrell - Penrose


Durante mais de 65 anos, os físicos debateram uma consequência bizarra da teoria especial da relatividade de Einstein - que os objetos que se movem perto da velocidade da luz não se contraem apenas em comprimento, mas também parecem rodados para um observador. Agora, pela primeira vez, este efeito foi confirmado experimentalmente num laboratório.

Em 1959, James Terrell e Roger Penrose apontaram que, embora a relatividade especial prediz a contração de Lorentz (os objetos parecem mais curtos ao longo da direção de movimento), algo estranho acontece com objetos tridimensionais como esferas ou cubos. Como a luz do lado distante do objeto demora mais tempo a alcançar o observador do que a luz do lado próximo, o objeto parece rodado em vez de contraído quando capturado em uma imagem.

Físicos da Universidade Técnica de Viena testaram esta ideia utilizando um laser, uma câmara stop-motion ultrarrápida e objetos em movimento. Ao cronometrar cuidadosamente os pulsos de laser e ligar imagens, eles criaram um cenário onde a luz viajou efetivamente a apenas 6,6 pés/s (2 m/s) - permitindo-lhes observar o efeito Terrell-Penrose em ação. Os resultados coincidiram com previsões teóricas, confirmando que esta estranha ilusão de ótica é real.

Esta descoberta ponde a teoria e a experiência, mostrando que a relatividade continua a moldar a nossa compreensão da realidade de maneiras que ainda estamos 

Saiba mais:

https://physicsworld.com/a/curious-consequence-of-special-relativity-observed-for-the-first-time-in-the-lab/


quarta-feira, 1 de abril de 2026

A Caminho do Tudo - Parte V (Versão 2026)

 

Caros leitores do 5o episódio de nossa crônica, perdemos para França de 2 x 1 e os 320 milhões de técnicos já entraram em cena na véspera da copa do mundo de 2026, como bom vascaíno afirmo que faltou o Ryan na frente, mas vou parar por aí. 

Comparando os filósofos gregos com os demais pensadores em um universo futebolístico, afirmo que os mesmos seriam os galáticos comparados a  Zidane, Ronaldo, Beckham, Figo, Raúl, Roberto Carlos e Casilas no Real Madrid, tempo bom.

Os pré-Socráticos representariam os primeiros jogadores nesse drama intelectual, pensadores posteriores iriam levar a civilização grega as alturas laureadas, a vitória de um campeonato mundial.

Euclides é lembrado pelo seu grandioso tratado, elementos da geometria, que coloca centenas de problemas matemáticos e suas soluções em uma série de teoremas e provas. 


Arquimedes foi um matemático igualmente notável, bem como brilhante inventor e engenheiro; na série de TV os caçadores de mitos, já vi temas que são lendas sendo estudados, entre eles o espelho côncavo que queimou velas de navios romanos. O parafuso de Arquimedes ainda é usado no Egito para extrair água do rio para a agricultura.

Depois de descobrir a lei do poder da flutuação, empuxo, entrando numa banheira cheia, saiu gritando pelas ruas de Siracusa pelado gritando “Eureca”que significa descobri. Estava sendo colocado em prova pelo Rei Hierão III.


Os conhecimentos profundos de matemática dos gregos podem ter sido a sua maior contribuição para a ciência ocidental.Porem nem todas as contribuições foram positivas, acho eu. Considere o caso de Aristóteles.


Ele era um pensador brilhante; podemos observar que quando questionados sobre qual o maior filosofo de todos os tempos, os estudiosos apontam para Aristóteles ou seu mestre Platão

Incansável observador e estudioso, Aristóteles escreveu lógica, ética, retórica, política, história natural e metafísica. Na minha Física, ele estudou a atmosfera, o trovão e o relâmpago , terremotos e mineralogia. Mas, porem, contudo, todavia e entretanto certos aspectos a física foram de uma de uma perspectiva moderna falhos. Em vez de procurar a causa dos fenômenos naturais ele se concentrou na procura do propósito e levou a física a um impasse. Vamos parar pra pensar, já dizia meu inesquecível professor de física Walter Esteves da UFAM; considere que um objeto pesado caia no chão. Para Aristóteles a resposta era simples: o objeto deve estar se esforçando para chegar ao local mais baixo, a terra sólida. Objeto pesado, pensava ele, deve cair mais depressa que os objetos mais leve. O propósito do objeto pesado é repousar sobre a terra o seu lugar natural, e ele fará isso mais depressa que os objetos mais leve. Mais tarde veremos que Galileu deu um show sobre essa idéia. Pensando como os caçadores de mitos, a idéia era até plausível, considerando o que ele conhecia sobre o mundo no ar, um martelo cai realmente mais rápido que uma pena, mas dificilmente seria uma visão de mundo que encorajasse investigação ou experimentos.


Aristóteles , também contemplou a estrutura do cosmo. Ele visualizou o universo como uma série de esferas concêntricas e cristalinas que transportavam o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas em volta da Terra. Observação aos meus caros, cinco planetas eram conhecidos na antiguidade – Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, sem lunetas, ok? Elas só apareceram com Galileu. 


Vinculados a essa esfera os planetas se moviam em círculos perfeitos a forma mais perfeita conhecida na geometria. As esferas, disse ele, devem ser imutáveis; somente abaixo do nível da Lua e mudança era possível. E era unicamente nessa mais interior da esferas, Terra, que a matéria era composta dos quatro elementos: terra, ar, fogo e água. Acima na esfera dos planetas e estrelas, havia um tipo diferente de substância, um quinto elemento ou Quinta-essência. Enquanto isso a Terra imperfeita, estava morta, imóvel no centro daquelas grandes esferas.


O astrônomo egípcio Cláudio Ptolomeu posteriormente absorveu as idéias de Aristóteles numa cosmologia mais completa. Ele expôs suas idéias em um tratado volumoso que se tornou conhecido como o Almagest, o Majestoso ou o Grandioso. Baseando-se no sistema geocêntrico de Aristóteles o colossal Almagest serviria como a essência de todo o ensino astronômico por um espantoso período de 14 séculos, mas essa é uma outra História. Para mim Aristóteles embora tivesse sido um pensador brilhante, desencorajou a experimentação em sua filosofia.


Aguardo você no próximo mês para continuidade de nossa conversa …