A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Top 10 Enem 2013


Atualidades são complemento à teoria aprendida em sala de aula, diz professor

Mariana Monzani
Do UOL, em São Paulo
Comentários1
Mais do que dominar o conhecimento adquirido na escola, os alunos que estão se preparando para os vestibulares precisam compreender as chamadas atualidades, que devem estar presentes no repertório do candidato.
“Atualidades são fenômenos que acontecem no ano e somente no ano, e o aluno tem que saber o porquê das coisas e saber relacioná-las com o conteúdo aprendido na escola”, explica Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora geral do curso e colégio Objetivo.
Segundo Paulo Roberto Moraes, professor e coordenador de geografia do curso Anglo, não se pergunta sobre o fato em si, mas se usa o fato para falar sobre as ciências (geografia, física, química, história, biologia, etc). Portanto, o aluno precisa ficar de olho nos meios de comunicação, se informar e elaborar novas questões que possam ajudá-lo na hora dos estudos. Dessa forma, as atualidades passam a ser um complemento aos conceitos teóricos.
“O aluno precisa ficar atento aos fatos. Uso nas aulas, por exemplo, o Código Florestal, que é um assunto atual, para falar sobre o desmatamento no território brasileiro”, diz o professor.
Não basta se informar e passar horas estudando todo o conteúdo se o aluno não sabe ler o jornal. Habilidade na hora da leitura facilita a compreensão de todo o resto. “Para consolidar o conhecimento, é essencial que o aluno esteja bem informado. Ler o jornal é bom e faz com que ele tenha maior sensibilidade para interpretar e questionar os temas e acontecimentos sobre o mundo”, explica Moraes.
Para Vera Lúcia, o jornal é importante, também, para uma boa argumentação na hora da redação. “O editorial do jornal é ponto básico para desenvolver uma boa redação, pois isso dá argumentos e elementos para compor um texto articulado.”, afirma.


Apostas para 2013

Os vestibulares do fim do ano se aproximam e os alunos devem prestar atenção aos fatos mais recentes. Assim, os estudos não devem se restringir apenas aos livros e apostilas.

Click nos Links

Top 1 - Corrupção e Ética na Política

Top 2 - Terrorismo
Top 3 - Crise no Mundo Arabe
Top 4 - A Crise do Euro
Top 5 - As olimpíadas e as Nações
“As quatro áreas básicas, com os temas específicos dentro delas, que me parecem os mais pertinentes são: a política nacional, levando em conta a questão da corrupção e a ética em nossa política; a política internacional, relacionada ao terrorismo e o mundo árabe; economia e a crise do euro; e, neste ano, as olimpíadas a a sua contribuição para o bom relacionamento entre as nações.” diz Antônio Carlos Olivieri, diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.
Para Vera Lúcia, as atualidades são geografia pura e aposta nas questões internacionais como tema recorrente nas próximas provas. “Acho que serão abordados o Rio + 20 e a política ambiental;os conflitos na Síria e as questões geopolíticas; a crise do euroParaguai versus Mercosul; o Governo Dilma e os problemas da infraestrutura brasileira; o sistema de cotas na educação brasileira; a monarquia europeiaa Venezuela e a questão dos direitos humanos; as eleições nacionais e as eleições mundiais; e a questão da usina hidrelétrica de Belo Monte”, explica. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

:: O VOO PARABÓLICO DO SAPATO :::


Folha/UOL



José Serra, quando era candidato à presidência da república em outubro de 2010, protagonizou um episódio que clamava por uma análise física.

Ontem, agora como candidato à prefeito de São Paulo, Serra foi novamente centro das atenções de um novo "experimento" que envolve Física. Ao cobrar uma falta, num campinho de futebol de terra na Zona Leste, periferia de São Paulo, seu sapato foi lançado obliquamente e parece ter entrado bem no ângulo, indo parar na rede, enquanto a bola, lenta e rasteira, foi defendida pelo goleiro (veja o vídeo logo acima). O candidato a prefeito ficou por algum tempo só de meia, pisando no barro, até que alguém resgatou o seu sapato.

Mas vamos ao que interessa, ou seja, à Física:


1. Movimento de alavanca


Em primeiro lugar, para chutar a bola, a perna de comprimento L faz um movimento de alavanca que gira com velocidade angular ω. O pé, na ponta desta alavanca, terá máxima velocidade escalar (ou tangencial) V0 pois V0 = ωr. Como o pé está na extremidade da perna, o raio da trajetória semi-circular é máximo e vale r = L. Assim, o pé tem velocidade V0 = ωL quando toca a bola.


2. Pequeno atrito
Como era um sapato social, calçado com meias sociais que são mais finas e lisas, o coeficiente de atrito estático μe entre a parte interna do sapato e o tecido da meia não é grande. O atrito estático máximo, neste caso, é dado Ae = μe.N onde N são as forças normais (de compressão) trocadas entre a parte interna do sapato e a meia. Numa caminhada normal, o pé atinge velocidade baixa e, portanto, não acelera/desacelera a ponto de soltar-se do pé. Mas num chute de futebol, bem mais violento, o pé atingiu velocidade grande o suficiente para que o sapato, com a mesma rapidez de movimento, não pudesse ser brecado. Faltou Ae porque o valor de μe é bem baixo. O pé parou. Mas o sapato, por inércia, seguiu o seu movimento, na direção tangente à trajetória semicircular do pé, como previsto pelas Leis de Newton.


3. Lançamento Oblíquo

Neste caso, quando o sapato soltou-se do pé, a perna de comprimento L fazia um certo ângulo com a vertical e, portanto, o vetor velocidade V0 = ωL do pé (e também do sapato) formava um ângulo θ com a horizontal. Desta forma, o sapato foi lançado, como uma bala (ou projétil) de canhão. Este ângulo θ é conhecido na balística, parte da Física que estuda os movimentos dos projéteis, como ângulo de lançamento.


:: Modelagem Matemática

A figura acima nos mostra a decomposição do vetor velocidade inciail do sapato Vo em eixos ortogonais (x e y).
Do triângulo (verde) que é retângulo podemos escrever as seguintes relações:



O sapato vai descrever um movimento num plano vertical. Desprezando o atrito com o ar, a única força que atua sobre o sapato (já em voo) é o peso. Logo, a única aceleração do sapado depois de lançado é a própria aceleração da gravidade (g = 9,8 m/s²) que é vertical e para baixo. Este movimento bidimensional pode ser decomposto num movimento retilíneo uniforme na direção horizontal (eixo x) e outro movimento retilíneo uniformemente variado na direção vertical (eixo y). As equações de movimento serão:

Na direção horizontal (eixo x):


Na direção vertical (eixo y):


Se isolarmos o "t" na expressão de x acima e substituirmos na expressão de y teremos:


Note que a expressão acima (em vermelho) corresponde a uma parábola. O sinal negativo do termo Ax² ratifica ser uma parábola "côncava para baixo". Está demonstrado: o sapato (ou qualquer outro corpo) lançado obliquamente e que se mova ao sabor da gravidade terá trajetória parabólica num plano vertical!
Das equações acima podemos ainda deduzir alguns parâmetros relevantes.
  • Alcance do chute
    Distância máxima horizontal percorrida pelo sapato:

  • Tempo total de voo
    Tempo que o sapato demora para percorrer a parábola completa:

  • Máxima altura atingida
    Altura do sapato em relação ao chão no ponto mais alto da trajetória parabólica:
Com as três equações acima podemos estimar a velocidade V0 com que o sapato do Serra deixou o pé. Pelo vídeo, estimamos (sem muito rigor) que o tempo de voo é T = 1,5 s. Pela imagem congelada estimamos que θ = 45o e sabemos que g = 9,8 m/s². Então:



Conclusão: o sapato deixou o pé do candidato José Serra a cerca de 10 m/s (ou 36 km/h)

Podemos também estimar o alcance D do sapato, ou seja, a distância de onde foi lançado até onde cairia de volta no chão se não tivesse tocado na rede antes:



Conclusão: o sapato cairia a 10 m do candidato Serra se não tivesse sido colhido pela rede.

Podemos ainda estimar a altura máxima H atingida pelo sapato em voo:



Conclusão: o sapato atingiu altura máxima em torno de 2,5 m.


São apenas estimativas, que podem, com mais cuidado, serem melhoradas. Mas os valores obtidos são compatíveis com a realidade observada, não são? Viu só como usando a boa Física conseguimos modelar o comportamento do Universo?
____________________
Mas a pergunta mais importante ainda não foi feita e nem é de Física: qual a relevância política desta cena?

Pergunto porque um candidato a prefeito não deveria ocupar tempo na mídia expondo as suas ideias e projetos? De quem é a culpa desta distorção? Dos jornalistas que cobriam o dia do candidato e deram valor exagerado a esta bizarrice? Ou foi tudo armado para vivar assunto do dia, especialmente nas mídias sociais? Não estou acusando ninguém. Mas: 1) Por um lado, o candidato deixa claro, antes de chutar, "meu sapato tá ruim, esse sapato sai do pé, ele vai sair... "; e 2) A cena foi filmada e fotografada de vários ângulos. Não parece um cenário armado com resultado já previsto? Estranho...

Antes que alguém me acuse ou me condene por esta ou aquela tendência política, deixo claro que não voto na capital. Nem tenho nada contra nem a favor do cadidato José Serra que pela segunda vez está sendo inspiração para um post que adorei escrever aqui no Física na Veia! Afinal, aqui no blog tudo é pretexto para ensinar/aprender Física!



prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)

domingo, 23 de setembro de 2012

A Semana na Ciência


Armas digitais contra o desperdício

Aplicativos de celular e programas de computador chegam para 

racionalizar as compras no mercado e evitar que os brasileiros 

joguem 10,9 milhões de toneladas de frutas e hortaliças no lixo 

todos os anos

Juliana Tiraboschi
SUSTENTA-ABRE-IE-2237.jpg
CARRINHO 
A chef Vivi Araujo usa aplicativo que 
calcula a quantidade certa de ingredientes
Todos os anos, 30% das frutas (5,3 milhões de toneladas) e 35% das hortaliças (5,6 milhões de toneladas) produzidas no País acabam no lixo, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Nossas geladeiras colaboram muito com esses números. É muito comum comprar muito mais do que se pode consumir. Para atenuar isso, programadores criam sites e aplicativos para celular com serviços para acabar com a indústria do desperdício. Há programas que calculam a quantidade de ingredientes de acordo com o número de pessoas a serem servidas, que fazem listas de alimentos que estão próximos do vencimento e sugerem pratos com base na lista de compras para aproveitar tudo até o fim.

Entre as pessoas que estão vendo diminuir a quantidade de lixo orgânico em casa está a chef Vivi Araujo, consultora do Crudo Casa Hotel em Salesópolis (SP) e autora do blog e programa “Pé na Cozinha”. Ela já usou o aplicativo Love Food, Hate Waste (Ame a Comida, Deteste o Desperdício). “Podemos calcular as quantidades com bastante precisão; facilita as compras e dá muitas ideias de receitas com itens que você já tem em casa”, diz. A desvantagem é que, ao selecionar um alimento para calcular a quantidade, não dá para especificar se ele será acompanhamento ou prato principal, e ainda não existem muitos itens em algumas categorias, como a de carnes.
IEpag95e96_Sustenta-2.jpg
Enquanto outros aplicativos são comuns no Exterior (confira as fotos nesta página), o Brasil está num estágio anterior. Aqui há sites que ajudam a organizar as compras e a comparar preços, como o Boa Lista e o Meu Carrinho. A tendência é que, com a crescente preocupação com a sustentabilidade, surjam novas ferramentas com foco no combate ao desperdício. O site Igluu, por exemplo, monta cardápios semanais de acordo com as preferências do usuário, de forma a aproveitar os ingredientes em mais de uma receita. Na semana que vem, os desenvolvedores lançarão uma ferramenta em que o cliente monta uma lista de itens que já tem em casa e recebe receitas que usam aqueles alimentos. 

O mercado Apanã, em São Paulo, que oferece produtos orgânicos e sustentáveis, planeja lançar no ano que vem um site de vendas com aplicativo para celular que avisa quando um produto estiver próximo do vencimento. Se a embalagem estiver intacta e ainda dentro de uma margem razoável do prazo de validade, o cliente poderá trocar o produto por outro igual, mais novo. “As pessoas estão procurando alimentos mais frescos, queremos ajudá-las a comprar melhor, sem desperdícios”, diz Miguel Carvalho, sócio da Unibio, empresa por trás do mercado. Com o que vai economizar ao parar de jogar alimento fora, o consumidor vai até poder trocar de celular.
Foto: Rogério Cassimiro

O mapa das nossas minas

Segundo maior produtor mundial de ferro e manganês, o Brasil 

faz a conta de quanto tempo as atuais reservas irão durar 

enquanto procura por novas jazidas

Edson Franco
MINAS-ABRE-IE-2237.jpg
Piercings, motores de jatos e oleodutos têm algo em comum. Todos levam nióbio em sua composição. Resistente e raro, esse metal é um presente geológico para o Brasil, que concentra 98% da oferta mundial. Caso novas jazidas não sejam encontradas, esse quase monopólio nacional tem prazo para acabar. Ao ritmo atual de exploração, em 57 anos não será encontrado mais um grama de nióbio em solo brasileiro.

Com preocupações desse tipo, os maiores geólogos e especialistas em mineração do mundo se reúnem em Santos (SP), entre 30 de setembro e 5 de outubro, durante o 46º Congresso Brasileiro de Geologia. Além de encontrar formas de beneficiar as populações das áreas exploradas, os pesquisadores vão expor ideias que garantam matéria-prima para que as gerações futuras também possam ter seus piercings, jatos e oleodutos.

Especialistas na área são unânimes em afirmar que estão distantes os dias em que os recursos minerais estarão extintos. Muito mais do que se preocupar com o fim das reservas conhecidas, engenheiros e geólogos devem descobrir como explorá-las com mais eficiência e procurar por novas jazidas. “No Brasil, podemos e precisamos encontrar muitas outras reservas. O problema é que gastamos em pesquisa geológica o mesmo que Argentina e Chile, que têm território muito menor”, pondera Fábio Braz Machado, presidente da comissão organizadora do congresso. 

Contrário às previsões mais alarmistas sobre o fim de nossas reservas, o geólogo David Siqueira Fonseca, do Departamento Nacional de Produção Mineral, lembra o cenário da crise do petróleo em meados dos anos 1970. “Diziam que o mundo teria óleo, no máximo, até 1985. Mas as técnicas de prospecção evoluíram tanto que ninguém mais estipula uma data para o fim do petróleo na Terra”, diz. Para ele, um dos maiores problemas da mineração nacional é o baixo conhecimento que o País tem sobre suas próprias formações geológicas. Um fator que impede estudos mais aprofundados são as áreas de proteção ambiental ou indígenas. Nelas, os cientistas são impedidos de lançar as suas sondas. Mas isso não gera um conflito entre geólogos e ecologistas. “Essas áreas são uma espécie de reserva para o futuro. Quando as jazidas atuais estiverem esgotadas, será a hora de discutir o momento de começar a explorar essas áreas”, afirma Fonseca.
IEpag98e99_Minas-2.jpg
Outra dificuldade da pesquisa geológica nacional é a falta de engenheiros e geólogos. Estimular a formação e preparação de profissionais especialistas em mineração é uma das preocupações do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Desde o início deste século, a mineração nacional passou por um boom e chegou a uma situação de pleno emprego, o que obriga as empresas do ramo a prospectar engenheiros e geólogos como se fossem ouro.

Mesmo com essa deficiência de pessoal, o Brasil comemora a descoberta de jazidas com metais supervalorizados e raros nesses tempos em que a tecnologia exige materiais cada vez mais versáteis. Em 2011, foi encontrada na Bahia uma grande reserva de tálio, metal usado em contrastes de exames cardiológicos e como supercondutor na transmissão de energia. Outra descoberta, também na Bahia, ocorreu neste ano. O geólogo João Carlos Cavalcanti encontrou no oeste do Estado uma reserva estimada em 28 milhões de toneladas de neodímio – um dos 17 elementos que compõem o grupo de minerais chamado de terras raras, usados em equipamentos como carros elétricos, smartphones e tablets.

Enquanto os estudiosos debatem soluções e comemoram descobertas como essas, o público que for ao congresso em Santos terá várias portas de entrada para o mundo da geologia. A 800 metros do Centro de Convenções Mendes, sede do evento, será montada a Praia das Geociências, espaço para que leigos e curiosos conheçam a variedade geológica do Brasil. Os frequentadores também poderão adquirir o livro “Brasil Geológico”, do geólogo Ricardo Siqueira, que juntou ciência e fotografia para investigar as mais fascinantes formações rochosas brasileiras. Por fim, quem comparecer volta para casa com uma amostra da nossa riqueza mineral: um vidrinho contendo 1,8 ml de petróleo vindo diretamente do pré-sal.