A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A órbita de Júpiter


Se alguém perguntasse onde fica o centro do Sistema Solar, o que você responderia? Provavelmente, diria que fica no eixo do Sol. Afinal, todos os planetas giram em torno da nossa estrela. Acontece que essa resposta não é totalmente correta.

Na astronomia, o centro de massa de dois ou mais corpos que orbitam um ao outro, ou seja, o ponto sobre o qual todos estes corpos orbitam, se chama baricentro. Isso é bastante comum quando os astrônomos precisam encontrar o centro de uma estrela binária, por exemplo. Esse conceito é muito importante para entender a física no universo.

No caso do Sistema Solar, os planetas e o Sol também orbitam em torno de um centro de massa comum. Não estamos falando do centro galáctico - esse é outro assunto que inclui toda a espiral galáctica na qual o Sistema Solar está localizado. O que precisamos considerar aqui é o “puxão” gravitacional que os planetas impõem sobre o Sol.

Até pouco tempo os cientistas tiveram bastante dificuldade para calcular o baricentro com precisão, em especial por causa de Júpiter. É que o gigante gasoso possui tanta massa - o dobro de massa de todos os outros planetas juntos - que acaba exercendo força gravitacional sobre nossa estrela por um longo tempo.

No entanto, apesar do desafio que a tarefa apresenta, uma equipe de astrônomos conseguiu pela primeira vez identificar o centro de todo o Sistema Solar: 100 metros de distância do Sol, logo acima da superfície da estrela. Se o Sol fosse do tamanho de um estádio de futebol, essa área de cem metros seria equivalente a aproximadamente o diâmetro de um fio de cabelo.

Para chegar a esse resultado, a equipe utilizou os pulsares - estrelas de nêutrons de rotação rápida, ou restos super densos de uma estrela que explodiu em uma supernova. Esses objetos emitem radiação eletromagnética na forma de feixes brilhantes que varrem o cosmos em um movimento circular, enquanto a própria estrela gira, como um farol. Esses clarões de luz são tão precisos que os pulsares se tornaram uma das ferramentas favoritas dos cientistas para calcular distâncias entre objetos cósmicos.

Centros observacionais têm utilizado pulsares para encontrar ondas gravitacionais de baixa frequência, porque elas causam distúrbios sutis no tempo entre um feixe e outro do “farol cósmico”. Isso também é muito útil para calcular o baricentro do Sistema Solar, e foi assim que os cientistas conseguiram realizar o cálculo com tanta precisão. Agora, sabendo a posição exata da Terra em relação ao baricentro, os astrônomos podem fazer detecções muito mais precisas de ondas gravitacionais de baixa frequência.

Stephen Taylor, professor da Universidade Vanderbil, conta que “ao encontrar ondas gravitacionais dessa maneira, além de outros experimentos, obtemos uma visão mais holística de todos os diferentes tipos de buracos negros no Universo”.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O efeito Fotoelétrico e a vida na terra 🌎


Em 1905, Albert Einstein explicou o efeito fotoelétrico*, que consiste na emissão de elétrons de um material quando atingido pela luz - ver https://www.facebook.com/share/p/167eckpoQi/

Quando a luz atinge a clorofila das plantas ocorre um processo similar, ou seja, elétrons são expelidos. Tais elétrons são captados por transportadores que os carregam até certas moléculas especializadas em transferir energia. São essas moléculas que fornecem a energia (vinda da luz) para construir uma molécula energética (a glicose) a partir do gás carbônico (CO2), no ciclo de Calvin (ver figura). 

O elétron perdido da clorofila é reposto a partir de outra reação química, também utilizando a luz, que quebra a molécula da água (ver figura abaixo à esquerda). É essa reação (fotólise da água) que gera o oxigênio que respiramos.

A glicose pode ser armazenada em compostos mais complexos nas plantas, como o amido. São essas moléculas energéticas que juntamente com o oxigênio mantêm praticamente toda a vida na Terra. 

Somos todos seres feitos com luz a partir de um pequeno salto quântico**! 


REFERÊNCIAS 

https://www.sciencedaily.com/releases/2018/09/180919133304.htm

Lehninger, Albert L., et al. "Princípios de bioquímica." Princípios de bioquimica. 1995. 839-839.

*No efeito fotoelétrico os elétrons são emitidos para o espaço livre e no efeito fotovoltaico os elétrons entram em outro material, gerando energia elétrica.

**Salto quântico é a mudança abrupta (descontínua) de um nível de energia para outro, especialmente de um elétron com a perda ou ganho de um quantum de energia.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Caminho do Tudo - Parte III (Edição 2026)


de boa? 


Empedocles encontra o seu elemento


Iniciamos fevereiro e o ano letivo de 2026 com todo gás, prosseguimos com nossa história na caminhada da teoria de tudo; de uma forma diferente e divertida esperamos ajudar na compreensão da história da ciência em nossa crônica, deixe seu comentário no final da leitura …


Empedocles  nasceu numa colônia grega chamada Acragas na ilha da Sicília e se destacou ganhando reputação como político, orador e poeta; pode ter bancado até de médico. Entre o que escreveu, dois extensos poemas sobreviveram. Entre outras coisas, demonstram o seu enorme ego, ele achava que era o cara e se colocou como divino: 


Um deus imortal, não mais mortal, eu viajo, honrado por todos, como convém, engrinaldado com faixas e fitas novas. Sempre que entro em uma cidade próspera, sou reverenciado por homens e mulheres. Eles me seguem aos milhares...se achava.


Uma lenda diz que ele encontrou a morte se atirando dentro de um vulcão, talvez para provar que era imortal, se aconteceu, achou o que queria.....fogo. Devia ser espírita pois acreditava em reencarnação e nascer ou morrer era só ilusão. Antes de mergulhar no tal vulcão, passou um tempo pensando no mundo natural e tentou explicar por que achava que a terra era esférica e o mar salgado. Esta é uma das perguntas mais difíceis que conheço: “de onde vem a água e quem botou sal no mar”, perguntem por ai e me respondam, sem sacanagem. Se diz por ai que supôs também que a luz viajava a uma velocidade finita...naquela época só pode ter tentado adivinhar mas, pensa aí, se achava o cara e pensava bem, em? 

O mais importante de tudo é que foi Empédocles quem primeiro propôs a idéia dos elementos. Ele concluiu que tudo no universo foi feito a partir de quatro tipos de materiais: terra, ar,fogo e água. Acreditava que esses quatro elementos ou “raízes”, como os chamou dão origem a tudo o que se vê no mundo natural.


A partir desse elementos nascem todas as coisas que já foram, são e serão: árvores,homens,mulheres, aves, animais, peixes nutridos em água salgada, bem como os deuses de longas vidas, honrados acima de tudo. Pois eles( os elementos) são sempre eles mesmos, porém encontrando-se uns com os outros, eles tomam diversas formas e contornos(...). Ps. na integra dito por ele, já está gostando do cara?


Empédocles comparou a sua visão à de um pintor, que é capaz de produzir qualquer cor, misturando o vermelho, meu garantido, azul, povo contrário e amarelo nas proporções certas, entendes? Nada é criado ou destruído, argumentou ele; tudo é simplesmente mistura, você deve ter lembrado de Lavoisier. Pois bem, essa é para o olímpico Marcos Matarazzo, ele tinha uma teoria sobre o que governava o movimento dos objetos; eles eram atraídos ou repelidos, dizia ele, pelas forças oponentes de philia ( amor ) e neikos ( discórdia ).


Por que Empédocles dizia que existiam quatro elementos, e não três ou cinco, seis ... possivelmente influenciado pelo que via em sua volta, perto de sua casa a beira mar: terra sob seus pés, acima dele ar, fogo no Sol e que sabe na lareira e água por todo lado. Diz a história que também achava que o número quatro tinha um lugar especial na matemática do amigo aniversariante do mês Sandro Peixoto e dos gregos antigos.

Sem microscópio como podia ter visto tudo isso? Acho que os gregos usavam a razão para propor um palpite bem fundamental. Dois pensadores deram esse passo na segunda metade do quinto século um foi Leucipo e o segundo seu seguidor, Um homem chamado DEMÓCRITO. Mais essa é uma outra história, até breve.


Ps. Estou esperando ajuda, no próximo post preciso falar de Demócrito. Que tal o tema : Demócrito e o átomo : uma grande idéia sobre algo pequeno. 

Colaboração, textos : kleber.bastos@ifam.edu.br 


Aguardo comentários, até março. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Por que 1hora tem 60 minutos?


Há cerca de 5.000 anos, os Sumérios, que viviam na antiga Mesopotâmia (atual Iraque), revolucionaram a forma como percebemos e medimos o tempo.

Os matemáticos da Mesopotâmia Antiga utilizaram um sistema de numeração baseado no número 60 conhecido como sistema sexagesimal e posicional, provavelmente inspirado nas computações feitas para construir seus "primitivos" calendários lunares: 12 meses de 30 dias solares.

Este sistema único levou a dividir posteriormente uma hora em 60 minutos e um minuto em 60 segundos , conceitos que ainda são utilizados hoje.

A necessidade dos Sumérios de disporem de um cronometragem preciso foi impulsionada pela sua sociedade agrícola. Calendários precisos eram essenciais para plantar e colher culturas. Eles também precisavam de coordenar suas complexas cerimônias religiosas e atividades administrativas.

Para ajudar a medir o tempo, os Sumérios fizeram importantes avanços na astronomia.

Eles observaram os movimentos dos corpos celestes e usaram esse conhecimento para criar um calendário lunar de 12 meses.

Os Sumérios dividiram o ano em doze ciclos lunares, embora este tempo não coincidisse com o ano solar (que era mais longo), então eles adicionavam um dia a cada quatro anos para compensar (o que é agora o ano bissexto).

Mais tarde, os babilônios fracionaram o dia em 24 horas e a hora em 60 minutos, que se alinhava estreitamente com as estações agrícolas.

Estas divisões não eram arbitrárias, mas foram projetadas para serem práticas e facilmente divisíveis, reflectindo a compreensão avançada da matemática suméria.

Esta abordagem inovadora do tempo teve um impacto profundo em civilizações posteriores, incluindo os babilônios, gregos e romanos, que adotaram e desenvolveram ainda mais o sistema sumério.

O legado do sistema de cronometragem Sumérios é evidente nos nossos relógios e calendários modernos, demonstrando a influência duradoura da sua engenhoca na nossa vida diária.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O período dos planetas do Sistema Solar


🌍 Período Orbital dos Planetas do Sistema Solar 🌞🚀
Você sabia que cada planeta leva um tempo diferente para completar uma volta ao redor do Sol? Esse tempo é chamado de período orbital. Confira quanto tempo cada planeta leva para dar uma volta completa:

🌑 Mercúrio – 88 dias
O mais próximo do Sol, Mercúrio tem o período orbital mais curto. Seu ano dura apenas 88 dias terrestres!

🌕 Vênus – 225 dias
Vênus leva 225 dias para completar sua órbita. Curiosidade: Ele gira no sentido contrário ao da maioria dos planetas.

🌎 Terra – 365 dias
Nosso planeta demora 365 dias (ou um ano) para dar uma volta ao redor do Sol.

🔴 Marte – 687 dias
Conhecido como o Planeta Vermelho, Marte leva quase dois anos terrestres para completar sua órbita.

🌟 Júpiter – 12 anos
O gigante gasoso Júpiter leva 12 anos terrestres para completar uma volta ao redor do Sol.

🪐 Saturno – 29 anos
Com seus famosos anéis, Saturno demora 29 anos para completar uma órbita.

💧 Urano – 89 anos
Urano, o planeta gelado, precisa de 89 anos terrestres para finalizar uma volta ao redor do Sol.

🌊 Netuno – 165 anos
O mais distante dos planetas conhecidos, Netuno leva impressionantes 165 anos terrestres para completar sua órbita.

credito: o_universo_br

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O meta verso de Stranger Things



Créditos: @entenda mais ciência 

🎬 Você já ouviu falar do Mundo Invertido? Ele aparece na série Stranger Things, um fenômeno mundial da televisão. A ideia é fascinante — mas o que disso tem base científica e o que é pura ficção?

🔬 Na série, o Mundo Invertido é apresentado como uma realidade paralela sombria, que espelha o nosso mundo, porém com condições ambientais extremas e organismos hostis. O contato entre esses mundos estaria ligado a experimentos secretos do governo e aos poderes da personagem Eleven, uma menina com habilidades psíquicas como telecinese e percepção extrasensorial — poderes inteiramente fictícios, usados como recurso narrativo.

🌌 A ciência contemporânea não descarta a possibilidade de outros universos, mas apenas no campo teórico. Entre as ideias discutidas estão o multiverso cosmológico associado à inflação do universo, a interpretação de muitos mundos da mecânica quântica e teorias físicas que preveem dimensões espaciais extras, como a teoria das cordas. Nenhuma dessas hipóteses, porém, prevê a existência de um universo espelhado ao nosso, congelado no tempo ou acessível fisicamente a partir do nosso mundo.

🕳️ Essas hipóteses ajudam a entender de onde vêm as inspirações da série, mas não implicam a possibilidade de interação direta entre universos. Na física teórica, existem soluções matemáticas conhecidas como buracos de minhoca, ou pontes de Einstein–Rosen. Essas estruturas são hipotéticas, exigiriam energias extremas e formas de matéria nunca observadas e não contam com qualquer evidência experimental de existência ou estabilidade. Portais como os mostrados na série pertencem, portanto, exclusivamente ao domínio da ficção científica.

🧪 O Mundo Invertido apresenta atmosfera irrespirável, esporos e condições extremas. Ambientes hostis existem no universo — como Vênus, luas geladas ou certos exoplanetas. Ainda assim, um mundo quase idêntico ao nosso, diferindo apenas por ser biologicamente incompatível, é cientificamente improvável.

👾 O Demogorgon é apresentado como uma criatura predadora do Mundo Invertido, atuando como seu principal caçador. Embora a vida fora da Terra seja cientificamente plausível, a forma e o comportamento extremos do Demogorgon não são compatíveis com a lógica da evolução biológica, que favorece eficiência, integração ecológica e adaptação ao ambiente, e não agressividade constante e isolamento ecológico.

🔎 Em resumo, o Mundo Invertido não encontra respaldo na ciência atual. A série se inspira em conceitos científicos reais — como multiverso, dimensões extras e vida fora da Terra — mas os transforma em metáforas narrativas, não em explicações científicas. Essa liberdade é justamente o que torna Stranger Things tão eficaz como ficção.

📚 REFERÊNCIAS

Tegmark, M. 2003. Parallel Universes. Scientific American, 288(5): 40–51.

Carr, B. (ed.). 2007. Universe or Multiverse? Cambridge University Press.

Greene, B. 1999. The Elegant Universe. W. W. Norton & Company.

Randall, L. 2005. Warped Passages: Unraveling the Mysteries of the Universe’s Hidden Dimensions. HarperCollins.

Visser, M. 1995. Lorentzian Wormholes: From Einstein to Hawking. AIP Press.

Davies, P. 2010. The Eerie Silence: Renewing Our Search for Alien Intelligence. Houghton Mifflin Harcourt.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Caminho do Tudo - Parte II (Edição 2026)


Tales de Mileto e a pergunta que nunca envelhece: do que é feito o mundo?

Salve Janeiro de 2026, mês de férias, a dois dias parti de SP onde estava com a família, na direção dos Capixabas,  terra boa com muito peixe e camarão 🦐. Espero conhecer Santa Tereza e voltar a comer a banofe abençoada por Anchieta. 

Alguns professores contam os dias de férias, os alunos contam os minutos… e eu, como sempre, conto histórias — as de hoje, as de ontem e as de 2.600 anos atrás.

E por falar em lá atrás, volto para Mileto.

Tales era… como posso dizer?

O cara.

O sujeito que previu eclipse, desviou rio, irritou deuses e ainda colocou a Grécia na trilha da luz intelectual.

Se aquilo não é currículo, não sei o que é.

Heródoto — nosso correspondente internacional da Antiguidade — conta que Tales ajudou até em estratégia militar ao mexer no leito de um rio.

Se estivesse vivo em 2026, seria facilmente contratado para ajudar a resolver a bronca da enchente no RS, seca no Amazonas e, de quebra, explicar no Jornal Nacional por que o clima está do jeito que está.

Mas o que realmente fez Tales entrar para a história não foi o eclipse, nem os truques hidráulicos.

Foi uma pergunta simples e gigantesca:

“Do que é feito o mundo?”

Para Tales, a resposta era água.💦 

Hoje parece estranho, mas com o que ele tinha à disposição — olhos, lógica e o mar batendo ali perto — foi uma conclusão bem ousada.

Ele percebeu que tudo precisava de água para viver, que a água mudava de forma, que cercava a Grécia como uma muralha líquida.

E pensou:

Se tudo depende disso… talvez tudo venha disso.”

Não estava sozinho na ousadia.

Anaxímenes jurou que era ar ☁️ 

Heráclito apostou no fogo.🔥 

Cada um defendia seu elemento como se estivesse numa final de campeonato — e eles levavam essas discussões tão a sério quanto os torcedores do meu Vascão levam o time (sai fora Corinthians).

Mas, veja bem: a genialidade deles não está em acertar.

Está em perguntar.

Pela primeira vez, alguém olhou para a natureza e tentou explicar sem mitos, sem deuses de plantão, sem mágicas.

Foi o nascimento da ideia de que o mundo tem regras — e que vale a pena estudá-las.

É por isso que, mesmo hoje, em pleno período de férias, eu continuo encantado.

Continuamos tentando responder a mesma pergunta de Tales — agora com telescópios, químicos, IA e satélites — mas a essência é a mesma:

curiosidade, coragem e uma boa dose de teimosia.

De resto, professor, aluno, grego, amazonense…

Todos estamos apenas tentando entender do que é feito o mundo e, se possível, aproveitar o recesso quando ele chega.

Um abraço — e segura firme, porque janeiro é um mês bom!

Nos vemos com um próximo episódio em fevereiro.