A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Como construir uma máquina do tempo


Para construir uma máquina do tempo, primeiro precisamos de um buraco negro, que será o coração do equipamento. Para consegui-lo, pegue uma estrela dessas bem velhinhas, a maior que você encontrar. Para tudo dar certo, é necessário que ela tenha uma massa correspondente a no mínimo 3,6 vezes a constante de Chandrasekhar. Pode ser uma supergigante vermelha, já que as azuis são mais raras. Evite as binárias , pois são estrelas muito complicadas de lidar. Além de tudo, com freqüência, têm o péssimo hábito do canibalismo. Escolhida a estrela, comprima-a com muita força para que ela queime de vez o que lhe resta de combustível. Durante essa operação, é aconselhável usar luvas térmicas e protetor solar. Afinal, a pele humana é muito sensível.


Quando pressentir que a estrela está prestes a explodir, se afaste rapidamente a uma distância segura, para não sofrer nenhum tipo de ferimento. É bom avisar os vizinhos para que não se assustem com a explosão. Óculos escuros são bem-vindos também. Após a explosão da supernova, se tudo deu certo, você terá criado um buraco negro. Espere a poeira abaixar e faça então uma inspeção no caroço que sobrou. Você provavelmente terá dificuldades em enxergar o objeto, afinal ele é totalmente negro. Assim, é aconselhável marcar bem a posição em que a estrela se encontrava antes da explosão. Porém, tome cuidado! Não se aproxime demais do objeto, pois se ele for realmente um buraco negro, você poderá ser tragado para sempre. Assim, respeite o horizonte de eventos, cujo raio de Schwarzschild deverá ser previamente calculado.

Para ter certeza que o objeto criado é realmente um buraco negro, pode-se fazer alguns testes. Por ser um buraco negro jovem, ainda não houve tempo suficiente para se formar um disco de acreção. Logo, não há emissão de raios X. Então, uma primeira estimativa pode ser feita, percorrendo o espaço em torno do objeto, sempre pelo horizonte de eventos, levando um filme fotográfico na mão. Se em algum lugar perceber que o filme foi velado, é porque raios X estão sendo emitidos. Isto é um mau sinal e indica que você conseguiu criar apenas um pulsar. Neste caso, deve-se voltar à primeira etapa e escolher uma estrela mais gordinha desta vez, repetindo todo o processo. Caso nenhuma evidência de raios X seja detectada, não fique eufórico. É preciso ainda passar pelo teste final, que consiste em verificar se o objeto está emitindo radiação Hawking. Para isto, apenas percorra o horizonte de eventos, verificando se partículas de matéria e anti-matéria estão sendo criadas. Em se confirmando isto, parabéns! Você conseguiu produzir um buraco negro.


A máquina do tempo está quase pronta. Agora, é necessário verificar se o buraco negro criado está em rotação. Ele pode ter adquirido rotação no momento da explosão, mas pode também estar estático. Como saber? Afinal, você não o enxerga e também não pode se aproximar muito para tocar sua superfície. A solução é improvisar uma corda com uma pedra amarrada na ponta. Parado sobre o horizonte de eventos, solte então a pedra em direção ao buraco negro, que será por este atraído. Vá dando corda, até sentir a pedra tocar a superfície. Neste momento, você sentirá se a pedra tocou uma superfície parada ou em movimento. Caso a superfície esteja em movimento, parabéns! A máquina do tempo está pronta. Em caso negativo, não se desespere. Para tudo se dá um jeito. É necessário botar o buraco negro para girar. Nada que meia dúzia de bombas de hidrogênio, estrategicamente dispostas não resolvam. Mas é claro que você não vai querer contaminar com radiação todo o seu bairro. Assim, temos outra solução. Lembra daquela corda? Pois é, vamos utilizá-la de novo. Só que agora, amarre uma pedra maior na sua ponta e solte-a em direção ao buraco negro. A pedra ficará “colada” junto à superfície pela ação do potente campo gravitacional do buraco negro. Em seguida, circunde o buraco negro pelo horizonte de eventos, arrastando a corda, enrolando umas quatro a cinco voltas. Em seguida, puxe a corda com força para iniciar o giro. É como dar a partida em um motor de barco. Se estiver muito pesado para puxar, chame seus vizinhos para ajudar. E não se preocupe, uma vez iniciado o movimento de rotação, pela grande inércia, o buraco negro continuará rodando para sempre. Se quiser, pode agora chamar seu buraco negro em rotação de buraco de minhoca.



Finalmente está pronta a sua máquina do tempo. Mas, antes de começar a usufruir desta maravilha, há algumas coisas que você precisa saber. Não é possível entrar na sua máquina do tempo sem algumas precauções. Ao penetrar no horizonte de eventos sem nenhuma proteção, você sentirá um puxão gravitacional em seus pés, resultado do efeito de maré. Quanto mais próximo do centro do buraco negro, maior a força de estiramento, de maneira que você sentiria um certo desconforto. E, convenhamos, ninguém gosta de viajar desconfortavelmente. Assim, vamos providenciar uma espécie de gaiola, construída com duas chapas de aço com aproximadamente um metro quadrado cada uma, com espessura de uma polegada e dezesseis cabos de aço de uma polegada de diâmetro e dois metros de comprimento. Os cabos devem unir as duas superfícies pelas bordas, formando uma espécie de jaula, exatamente da sua altura. Mas lembre-se! Os cabos de aço devem ser de boa qualidade. Só compre-os em um lugar de sua confiança, pois sua segurança dependerá deles.


Para atravessar o horizonte de eventos, entre na gaiola, pisando em uma das chapas e segurando a outra com as mãos acima da cabeça. No começo será incômodo e pesado segurar a chapa. Mas é um desconforto momentâneo. Logo em seguida, o efeito de maré se encarrega de esticar os cabos de aço, diminuindo e eliminando o esforço de segurar a chapa.

A sua viagem até o centro do buraco negro pode agora se dar sem problemas. Ao chegar lá, ajuste a data e a hora que deseja sair. Se algumas teorias estiverem corretas, você será vomitado por um buraco branco, sendo atirado no tempo desejado em algum canto do universo. Por isto, é bom levar um mapa estelar para achar o caminho de casa. A má notícia é que para voltar ao tempo presente você deverá construir um outro buraco negro. Mas, para quem já fez um, agora é moleza. E boa viagem.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Hawking e a evidência de Deus



O novo livro do físico inglês Stephen Hawking (The Grand Design) tem tudo para dar sequência a uma discussão sem sentido e que, por isso mesmo, tende a levar a lugar algum: a idéia de que a criação do Universo dispensa a necessidade de Deus, ou de um deus, qualquer que seja ele.

Devidamente considerada, a idéia da existência ou não de Deus, sempre intrigou os humanos e, fundamentalmente, os dividiu em dois blocos: os que acreditam e os que não acreditam Nele.

Na sociedade de massas em que vivemos neste início do século 21, no entanto, uma discussão como essa é mais aborrecida que propaganda eleitoral, com seu sonolento desfile de lugares-comuns.

Com alguma frequencia as pessoas querem saber se acreditamos em Deus.

Qual o significado de uma pergunta como esta?

O que o interlocutor imagina que seja Deus? Um velhote vestindo bata-branca, de barbas longas, sentado em um trono tendo ao lado seu indefectível cajado?

Essa é uma idéia possível de Deus?

Aparentemente sim, para boa parte das pessoas.

Evidentemente que se trata de uma imagem infantil ou infantilizada, capaz de revelar conteúdos de natureza psicanalítica, mas incapaz de trazer qualquer contribuição a uma discussão que exige, acima de tudo, refinamento intelectual.

E isso tanto para aceitar quanto negar a existência de uma divindade máxima.

Acreditar que cientistas sejam capazes de resolver questões dessa magnitude é, antes de tudo, falta de informação sobre a natureza da ciência.

A ciência existe para, fundamentalmente, diminuir o sofrimento humano. A ciência é capaz de construir um relato inteligível sobre a natureza das coisas, incluindo a origem do Universo e da nossa surpreendente presença nele.

Mas isso não tem qualquer relação com afirmar ou negar, por exemplo, a existência de Deus. Ainda que uma confusão primária neste caso induza a equívocos como dar sequência a uma conversa sem fim e sem finalidade alguma.

Cientistas, de modo geral, conhecem profundamente (até o ponto que se possa considerar profundo) seus campos específicos de pesquisa. Mas costumam ser igualmente ignorante em outros.

Não muitos homens da ciência transcenderam o conhecimento a ponto de articular considerações promissoras numa ponte capaz de conduzir a conexões com um território tão possivelmente surpreende quanto ao de divindades.

Ou o equivalente disso.

Gênios como Erwin Schrödinger (1887-1961), físico austríaco, foi um deles. Seus escritos relacionados à transcendência de um cotidiano restrito, na direção de planos mais refinados de consciência e possibilidades, são, acima de tudo, experiências de profunda satisfação intelectual.

Mas, aqui, as considerações são de natureza incomparável ao que pensa, entre outros, o biólogo inglês Richard Dawkins (no livro, Deus, um Delírio) vítima do que um psicanalista diagnosticaria como “mania de grandeza”.

A batalha a que Dawkins se entregou, no passado recente, não é outra senão a de acuar e destruir o que ele chama de “Deus”.

Assim, entre homens como Schrödinger e Dawkins, para comparar dois cientistas, há uma separação de bilhões de anos luz.

A exploração da pretensa existência de Deus (seja lá o que isso signifique nos mais diferentes contextos considerados) produziu e continua produzindo, torturas, guerras e destruição ceifando vidas de homens, mulheres, velhos e crianças ao longo de milênios de história.

O que dá consistência a uma das frases de efeito de G. K. Chesterton (1874-1934), escritor e poeta inglês para quem, “quando deixamos de acreditar em Deus, passamos a acreditar em qualquer besteira”.

Claro que isso não significa tentar provar o que quer que seja.

Esta é apenas uma frase inteligente.

Conteúdo que sempre falta neste tipo de discussão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Luz negra, olhos vermelhos & + Óptica na veia.



A "luz negra", geralmente observada em boates, na realidade emite uma pequena porcentagem de luz violeta e uma grande porcentagem de raios ultravioleta, invisível ao olho humano. Entretanto, alguns materiais denominados fotoluminescentes, absorvem os raios ultravioleta e devolvem ao ambiente raios com freqüências menores, na região do violeta. Essa fluorescência permite efeitos luminosos interessantes, como aqueles observados em boates.

Pela mesma razão alguns sabões em pó "lavam mais branco": após a lavagem, a roupa reflete a parte visível dos raios solares e também transforma o ultravioleta em visível. Portanto, essa peça de roupa emite mais luz visível do que recebe: "é mais branca". Entretanto, isso não significa, necessariamente, que esse sabão deixe a roupa mais limpa do que os outros.

Ao olharmos para uma fonte de luz pontual, como por exemplo as luzes de uma cidade a noite, geralmente, observarmos a deformação dessa fonte em nossos olhos (como o desenho de uma estrela de natal). Esse é um exemplo simples do comportamento ondulatório da luz. Ela é difratada ao passar pela pupila do olho, ou por entre os cílios quando os olhos estão entreabertos.


A pupila do olho é preta, mas fica avermelhada em fotos tiradas com "flash".

O olho humano é como uma câmara escura com um orifício, a pupila (Fig. 01). Como, normalmente, a luminosidade é maior fora do que dentro do olho, nós enxergamos a pupila preta. Entretanto, o fundo do olho, a retina, é intensamente irrigado por vasos sanguíneos, o que lhe dá uma cor vermelho-alaranjada. Por isso quando uma luz intensa, como o "flash" de fotografia, entra no olho, a cor vermelha é preferencialmente refletida. Isso deixa a pupila avermelhada nas fotografias.
Ao observarmos estrelas no céu, às vezes, temos a sensação de só conseguirmos enxergar aquelas mais fracas quando não olhamos diretamente para elas, mas um pouco ao seu lado. Isso ocorre porque em nossos olhos, as células mais sensíveis a pouca luminosidade, os bastonetes, se situam na periferia de uma parte da retina, onde normalmente formam-se as imagens nítidas. Por esse motivo, algumas pessoas que dizem ver vultos durante a noite podem estar diante desse fenômeno.


"À noite, todos os gatos são pardos".

Não sabemos ao certo a origem dessa frase, mas com certeza, ela pode ter uma explicação física. Ocorre que a noite, quando a luminosidade é pouca, o olho humano é mais sensível à região azul do espectro da luz, menos sensível ao amarelo e menos ainda ao vermelho. Além disso, com baixa luminosidade, as células responsáveis pela visão colorida, os cones, são muito menos sensíveis do que os bastonetes que distinguem apenas as diferentes intensidades de brilho e, portanto, correspondem à uma visão em preto e branco. Assim, de modo geral, todas as coisas ao nosso redor adquirem uma tonalidade cinza (ou parda) quando a luminosidade do ambiente é fraca.


Nas guerras, pessoas daltônicas muitas vezes foram usadas para descobrir camuflagens.

O olho humano normal possui três tipos de células (os cones) que permitem diferenciar as cores entre si: uma delas é sensível à luz vermelha, outra é sensível à luz verde e outra, à azul. Essas três cores combinadas em maior ou menor intensidade resultam numa infinidade de tonalidades que enxergamos. O olho daltônico, entretanto, tem falta de um ou, em casos mais raros, de dois tipos de cones. Por isso, o daltônico não enxerga as mesmas cores que a maioria das pessoas enxergam. Como a maior parte dos objetos que vemos, na realidade, refletem luz de várias cores que, juntas, resultam na cor característica do material, para o daltônico, o verde de uma camuflagem não terá o mesmo tom do verde de uma mata.

Muitos animais possuem a visão em preto e branco. Alguns deles, entretanto, enxergam melhor do que o homem, como por exemplo a águia (daí vem a expressão "enxergar com olhos de águia"). Outros, como o rinoceronte, são extremamente míopes. Mas o mais interessante é que vários animais enxergam uma parte dos raios infravermelhos. Isso lhes permite caçar durante a noite, já que um corpo emite raios infravermelhos conforme a sua temperatura.


Tire de foco a imagem e veja os golfinhos saltando

A visão em três dimensões (ou esterioscópica) depende muito do fato de possuirmos dois olhos (visão binocular). Você pode verificar que, ao fechar um de seus olhos, perderá grande parte da noção das distâncias entre os objetos. Isso ocorre porque os dois olhos captam a imagem do mesmo objeto de posições diferentes, devido à distância entre os olhos. Essas duas imagens são superpostas no cérebro, o que dá a sensação de 3D.