A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ariadna e Caramelo


O que uma história de amor incondicional pode nos ensinar

A princesa Ariadna era filha de Minos, rei de Creta, e de Pasífae. Seu meio-irmão, o Minotauro, foi uma das primeiras criaturas híbridas da mitologia. Meio-touro, meio-homem, nasceu da atração proibida entre a rainha e um animal. Revoltada com o que julgava ser aberrante, Ariadna forneceu ao herói grego Teseu a espada para que matasse o monstro e também o novelo de lã para que ele encontrasse a saída do labirinto.


Thiago Arantes nasceu na periferia do Rio de Janeiro. Quando criança, tinha discos da Xuxa e gostava de imitá-la. Desde cedo, começou a apanhar do irmão Vitor, que batia estimulado pelo pai. Thiago tinha que “virar homem”. Depois de tantas surras, ele viajou para a Tailândia, fez uma cirurgia de mudança de sexo e se transformou numa criatura híbrida. Por alguma razão, buscou uma nova identidade na mitologia grega e talvez tenha encontrado a saída para o seu labirinto interior.

Dias atrás, a jovem Ariadna, primeira transexual a fazer parte de uma edição do Big Brother Brasil, foi excluída, por ampla maioria, no paredão inicial do programa. Qual terá sido a intenção do BBB ao levar Ariadna às telas? Testar os limites de tolerância da sociedade brasileira – a que mais produz, consome e exporta travestis – ou apenas buscar audiência, ampliando o que alguns consideram um circo de horrores na televisão? Não se sabe, mas o fato é que Ariadna foi abandonada pelo público, assim como a princesa grega, rejeitada por Teseu.

Na mesma semana, falou-se muito sobre outra história comovente: a do cachorro vira-lata Caramelo, que velou o corpo de Cristina Santana, sua antiga dona, morta na tragédia das chuvas. Caramelo foi adotado por outra dona, mas teria fugido e voltado ao local onde Cristina está enterrada. Um drama semelhante ao do cãozinho Hachiko, que passou anos à espera de um dono já falecido e cuja história foi levada ao cinema no filme “Sempre ao seu Lado”, interpretado por Richard Gere.

O que as histórias de Ariadna e Caramelo têm em comum? Quase nada, a não ser o fato de que ela foi sempre rejeitada (exceto entre quatro paredes), enquanto um cão nunca abandona seus donos. No fim da semana, dizia-se que a história de Caramelo era falsa. Tão falsa quanto o mito do Minotauro ou o sexo de Ariadna. Que seja então uma fábula, cuja moral é muito simples: cachorros vira-latas talvez sejam superiores aos seres humanos .                        


                                                                                                  Leonardo Attuch


TIRINHA DO DIA




CURIOSIDADE DO DIA 
O que significa a frase "ao vencedor, as batatas"?



Se você vencesse uma batalha, gostaria de receber homenagens e medalhas ou conseguiria contentar-se com batatas como prêmio pelo triunfo? Pois é exatamente isto o que sugere Machado de Assis no romance Quincas Borba: "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas".

O livro narra a trajetória de Rubião, professor que se torna rico de uma hora para outra ao receber uma herança deixada pelo filósofo Quincas Borba, criador de uma filosofia chamada Humanitismo.

Após receber a herança, Rubião deslumbra-se com a nova vida e acaba traído por um casal de amigos, que rouba sua fortuna. No final da vida, pobre e doente, ele relembra um ensinamento de Quincas Borba, que sintetiza o Humanitismo.
Para explicar sua teoria, o filósofo evoca uma história sobre duas tribos famintas diante de um campo de batatas, suficientes apenas para alimentar um dos grupos. Com as energias repostas, os vencedores podem transpor as montanhas e chegar a um campo onde há uma grande quantidade de batatas. Então, Quincas Borba finaliza: "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas".
Quincas Borba faz, ainda, um comentário: "A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação". Para a professora de Literatura Brasileira Ana Maria Lisboa Mello, "a vitória de uma das tribos provoca hinos, alegrias e outros efeitos das ações bélicas e aponta para a conquista de outro território. Essas demonstrações revelam que o homem comemora aquilo que lhe é vantajoso ou aprazível, ainda que isso implique a ruína de outros".
De forma bastante resumida, a frase significa que os vencedores podem desfrutar das batatas nos campos de guerra, simplificando ao máximo o Humanitismo e seu preceito básico de que, na luta pela sobrevivência, quem vence é o mais forte.
Conforme a professora Ana Maria Lisboa Mello, "a teoria do Humanitismo é pessimista e aponta para o absurdo da existência, opondo-se à filosofia do Humanismo, que valoriza o homem, colocando-o no centro de tudo".
Com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e Dom Casmurro (1899), o romance Quincas Borba, publicado em 1891, é considerado uma das obras-primas de Machado de Assis (1838-1908).
A filosofia do Humanitismo, desenvolvida de maneira mais detalhada em Quincas Borba, havia sido introduzida por esse mesmo personagem em Memórias Póstumas de Brás Cubas.
TRAILER DO DIA





CARICATURA DO DIA



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

As 10 mortes que mais abalaram os super hérois

Na vida real heróis morrem o tempo todo, mas nos quadrinhos, isso raramente acontecia – pelo menos até pouco tempo. Claro, nos antigos gibis, heróis, vilões e personagens de apoio frequentemente “pareciam morrer”, mas dificilmente essas mortes eram reais. Um pouco de clonagem, uma dose de remédio ou magia, uma gota de criação imaginativa na continuidade – e tudo estava como antes. Hoje, as coisas mudaram. Realidade é a palavra de ordem, e morte “permanente” impera nas HQs. Personagens não se levantam e saem andando do apocalipse, e há muitas razões para que isso aconteça .


"A morte da Fênix fez isso (fala ele se referindo à personagem daMarvel). É só olhar as vendas da revista dos X-Men. Foram aquelas edições (as da morte de Jean Grey) que levaram a equipe pro alto. Pela primeira vez, tinham assassinado um personagem de tal quilate... Foi polêmico. E esse evento é que aprovou a matança em grande escala. Crise (nas Infinitas Terras) não tem toda a influência de que falam por aí".

Mas mesmo que Crise não tenha tido efeito na maré aparentemente crescente de assassinatos de heróis mascarados, com certeza teve sobre seu autor.

"Colocando a morte numa escala tão grande em Crise, só depois eu percebi onde ela causa ou não um bom efeito", observa. "Pelo menos, na minha cabeça, a morte da Supermoça funcionou porque a gente se esforçou pra fazer a história funcionar. Acho que a morte do Flashrealmente enriqueceu a saga, mas não sei bem se foi uma boa ideia matá-lo. A história ficou ótima. Contudo, isso não justifica se Barry Allen deveria ir pro Além ou não. Não estou certo a respeito dele; só me sinto seguro quanto à Supermoça."


Já na época, Wolfman parecia incomodado com a banalização da morte nas HQs, e comenta:
Hoje, porém, muitos personagens são mortos nas HQs, e você não tem nem mesmo um sentimento de perda por eles. Com frequencia, vejo que as mortes não são usadas pra fazer uma mudança nas revistas.”

Sobre o mesmo assunto e com mais humor, Walt Simonson, que esteve à frente das mais emblemáticas Sagas do Poderoso Thor brinca:

“Há boas e más maneiras de se matar personagens importantes. Assim que suas vendas começarem a cair, mate alguém!”.

Após confessar que estava sendo jocoso, ele continua:

“Certamente não é tão simples. É verdade que o público que compra gibis reage bem à morte – comercialmente, pelo menos. Não é uma linha narrativa que se pode usar frequentemente e, em alguns casos, todos sabem muito bem que o cara não vai ficar morto pra sempre. Logo, vão fazer histórias flashback ou criar outro personagem com o mesmo nome, pois a editora tem que proteger a marca registrada. A morte é uma ferramenta dramática e pode levar ao sucesso uma história dramática.”

São monstros sagrados das Histórias em Quadrinhos comentando há mais de 20 anos sobre um assunto que está cada vez mais atual e infelizmente, cada vez mais banal também.

A seguir comentários sobre o "morre e desmorre" nas HQs, passando por Crise nas Infinitas Terras(cujos efeitos bombásticos já foram desfeitos em sua maioria), a morte do Superman e as recentes ressurreições de Barry Allen e do próprio Capitão América.



10- ::SUPER-HOMEM- O famoso herói morreu em uma batalha contra um ser indestrutível, Apocalypse. A cena final foi mostrada em "Superman" nº75.



9- ::SUPER-MOÇA - O conceito de Super-Moça foi utilizado em várias histórias da DC Comics. Em uma delas, ela morre protegendo o Super-Homem de um meteoro de kryptonita. Depois de vários relançamentos, ela também se despede deste mundo pelas mãos de Anti-Monitor na saga "Crise das Infinitas Terras", publicada em 1985 


8- ::SEIYA - Personagem da série "Os Cavaleiros do Zodíaco", Seiya de Pégaso já encarou a morte inúmeras vezes. Uma das versões é que Seiya foi vitimado no confronto contra Hades, nos Campos Elíseos, mas ressurgiu preso a uma cadeira de rodas em "Prólogo do Céu", quinto filme da série


7- ::ROBIN - Interpretado por vários personagens, o eterno parceiro de Batman também já se despediu deste mundo -- e por decisão do público. Jason Todd, que fez o segundo Robin depois de Dick Grayson, foi morto pelo Coringa na história "Morte em Família"


6- ::CAPITÃO MARVEL - As histórias do alienígena da raça Kree eram publicadas pela DC Comics. Depois de um período sem novos títulos, a saga foi retomada na novela gráfica "A Morte do Capitão Marvel", na qual o herói sucumbe a um câncer 


5- :GOKU - Em "Dragon Ball", mangá japonês que deu origem às séries "Dragon Ball" e "Dragon Ball Z", o personagem Goku morreu em combates e até por conta de um ataque cardíaco provocado por um vírus


4- ::FLASH - Famoso velocista escarlate, o Flash --vivido pelo estudante Jay Garrick e, depois, por Barry Allen-- teve uma morte heróica em "Crise nas Terras Infinitas nº8", de 19



3- :FÊNIX - Personagem dos X-Men, Jean Grey, ou Fênix, recebe um pulso eletromagnético desferido por Magneto e morre nos braços de Ciclope





2- ::CAPITÃO AMÉRICA - Em "Capitão América nº25", Steve Rogers, o Capitão América, morre baleado por Ossos Cruzados e Sharon Carter (sob o controle hipnótico do Dr. Fausto) 

Hoje pela manhã, nós noticiamos a tentativa de assassinato de um antigo super-herói. Podemos confirmar agora que a vítima foi identificada como sendo Steve Rogers, também conhecido como Capitão América. Rogers foi declarado morto no Hospital Mercy em decorrência de ferimentos múltiplos nos ombros, peito e estômago provocados por uma arma de fogo.
Relatos de testemunhas dão conta de que o primeiro tiro, que atingiu Rogers no ombro, partiu de um atirador posicionado no alto ou no interior de um dos edifícios adjacentes à Corte Federal. Diversos outros tiros foram disparados durante a comoção – acertando Rogers no peito e no estômago – mas as testemunhas presentes no local, assim como os soldados do Exército que estava escoltando Rogers, afirmaram ter visto apenas um tiro ser disparado.
A identidade do(s) assassino(s) bem como a origem dos disparos ainda não foram revelados. Agentes da S.H.I.E.L.D., do FBI e da polícia local estão trabalhando juntos na investigação e iniciaram a evacuação dos edifícios daquela área. Um porta-voz da S.H.I.E.L.D. se recusou a comentar sobre o tiroteio, e sublinhou que alguns detalhes sobre a investigação seria disponibilizados ao longo do processo.
Rogers, um veterano da Segunda Guerra Mundial que foi considerado desaparecido ao final do conflito, retornou à ação décadas depois e teve papel importante nos primeiros dias dos Vingadores. Ele esteve à frente da liga americana de super-heróis até recentemente quuando abertamente e de modo violento se opôs ao Ato de Registro de Super-Heróis determinado pelo governo dos Estados Unidos. Como Capitão América, Rogers lutou contra as forças Pró-Registro na última semana em Manhattan até se render e se entregar à custódia da S.H.I.E.L.D. Ele estava a caminho de sua audiência quando foi baleado pela manhã de hoje.




1- ::BATMAN - O Homem-Morcego se despediu deste mundo em uma batalha contra Darkseid --foi atingido pela Sanção Ômega, que aprisiona a alma da sua vítima em uma série de vidas alternativas. No penúltimo capítulo de "Crise Final nº6", o Super-Homem encontra o cadáver carbonizado de Batman na base do vilão.

Grant Morrison deixou os fãs de quadrinhos confusos essa semana ao mostrar, em Final Crisis 6, o destino doBatman. Destino esse, aliás, que supostamente já havia sido resolvido na série Batman R.I.P.. Teorias sobre o que realmente aconteceu infestam a Internet - e o siteWizarduniverse conversou com o escritor para tentar lançar alguma luz sobre o caso.
As declarações abaixo estão carregadas de surpresas da série - que ainda vai levar algum tempo para chegar ao Brasil, portanto, leia por sua conta e risco.
Morrison começou brincando, dizendo que se sente comoJohn Wilkes Booth (o assassino de Abraham Lincoln) por ter entrado para a história como o homem que matou Batman. "É fantástico", disse. "Eu ainda voltarei a esse tema.. Não sei como exatamente serei lembrado, mas prefiro pensar que será pelos capítulos finais. Estamos planejando essa saga há bastante tempo, desde as primeiras discussões sobre Final Crisis, acho que remonta a 2006".
Incialmente, Batman R.I.P. seria uma "desconstrução psicológica do Morcego", mas o editor Dan Didio gostou tanto do título que resolveu juntar idéias que circulavam na DC Comics sobre o universo do super-herói e a tal "Crise Final". "Mas eu ressalto que as pessoas não devem pensar nestes acontecimentos como uma morte, mas apenas parte da história. Tem mais umas coisas legais vindo pela frente", continuou.
Sobre a maneira como Batman morre - atingido por uma rajada de Darkseid logo depois de disparar uma arma no poderoso regente de Apokolyps -, Morrison disse "eu queria uma história que fosse mítica. Algo nessa escala. Não é realista, não fala de política ou das coisas que estão acontecendo nas ruas. Ela é sobre o que acontece quando os deuses começam a interferir na vida e a vida se torna mítica".
"Para mim, a raiz do mito do Batman está nas balas e na arma que o criaram. Então ele está finalmente completando esse grande círculo ao empunhar uma arma e disparar balas contra a própria encarnação do mal", seguiu.
Morrison disse ainda que as últimas palavras do Homem-Morcego, "te peguei!", referem-se ao fato de que finalmente ele conseguiu ter o deus do mal em sua mira - e o matou. "Esse era a missão dele o tempo todo, desde a primeira bala. Batman tem senso de humor e é  mais esperto que Darkseid", acredita.
"Mas a história não está nem perto do fim", completou o escritor, que deve retornar ao título do Batman no meio do ano.




TIRINHA DO DIA



CURIOSIDADE DO DIA

O que é mais perigoso: raio ou trovão?



Existem pessoas que só de verem nuvens negras se formando no céu já começam a tremer de medo de raios e trovões. Pode parecer exagero, mas quando se trata de raios, todo cuidado é pouco. No Brasil, de 2000 a 2009, 1.321 pessoas morreram atingidas por raios, segundo levantamento do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgada em março deste ano. O balanço de 2010 aponta que 30 pessoas perderam a vida por causa de raios, estando a maior incidência na região Sudeste.
"O raio é perigoso porque é uma descarga elétrica, que ao atingir uma pessoa, ou cair próximo dela, pode ser fatal. Já o trovão é apenas o som proveniente do deslocamento de ar da passagem do raio", explica Gerson Santos, integrante do grupo de espetáculos Ciência em Show.
A descarga do raio é visível a olho nu, com trajetórias sinuosas e de ramificações irregulares. Este fenômeno produz um clarão conhecido como relâmpago. "Então se você escutar o trovão é sinal de que o raio não lhe atingiu", brinca Gerson.
Em dias de tempestades, a melhor forma de evitar ser atingido por estas descargas elétricas é manter distância de áreas descampadas, como praias, campos, botes, e não ficar embaixo de árvores. Em caso de impossibilidade de escapar destes locais, o recomendado é ficar abaixado e colocar a cabeça entre os joelhos, formando uma posição mais esférica e menos alta, tornando-se menos vulnerável aos raios. Construções com pára-raios e automóveis com os vidros fechados são os melhores locais para se proteger.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Antimatéria é capturada pela primeira vez

Quarta Quântica


O ímã octupólo foi fundamental para aprisionar os átomos de antihidrogênio, tirando proveito de seus pequenos momentos magnéticos, já que o antihidrogênio não tem carga. Esta versão simplificada mostra como os pólos norte e sul de ímãs estrategicamente dispostos podem imobilizar um átomo neutro de antihidrogênio, cujo momento magnético equivale a uma minúscula barra magnética.[Imagem: Katie Bertsche]



Uma equipe internacional de cientistas conseguiu pela primeira capturar átomos de antihidrogênio - a antimatéria equivalente ao átomo de hidrogênio.


"Esta é uma realização fenomenal. Ela vai nos permitir fazer experimentos que resultarão em alterações dramáticas na visão atual da física fundamental ou na confirmação daquilo que nós já damos por certo," afirmou Rob Thompson, membro da colaboração ALPHA, instalada no CERN, na Suíça.
A corrida pela captura da antimatéria já durava 10 anos, em uma disputa entre as equipes ALPHA, que utiliza os laboratórios do CERN, e ATRAP, sediada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
A equipe ALPHA tem atualmente mais de 40 membros, de 15 universidades ao redor do mundo, incluindo os brasileiros Cláudio Lenz César, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Daniel de Miranda Silveira, atualmente no Laboratório Riken, no Japão.
Tanque de antimatéria
A quantidade de antimatéria aprisionada ainda é pequena, e não seria suficiente para alimentar os motores da nave Enterprise e nem para ameaçar o Vaticano, como no filme Anjos e Demônios.
Mas é o suficiente para que os cientistas comecem a estudar aonde foi parar a antimatéria que se acredita ter sido criada no Big Bang.
Foram aprisionados 38 átomos de antihidrogênio no "tanque de antimatéria" criado pelos cientistas, cada um deles ficando retido por mais de um décimo de segundo.
O resultado foi obtido depois de 335 rodadas do experimento, misturando 10 milhões de antiprótons e 700 milhões de pósitrons.




A antimatéria foi capturada durante 335 rodadas do experimento, misturando 10 milhões de antiprótons e 700 milhões de antipósitrons


O rendimento no aprisionamento dos átomos de antimatéria ainda é baixo - por volta de 0,005% - mas os cientistas afirmam que estão trabalhando para elevá-lo. Na verdade, o artigo que descreve a pesquisa apresenta uma série de inovações que tornaram possível a realização do experimento - a maioria das quais mereceria um artigo científico à parte.
O experimento ALPHA (Antihydrogen Laser PHysics Apparatus) já havia feito história em 2006, quando os físicos conseguiram fazer uma reação química entre matéria e antimatéria, usando átomos de antihidrogênio para criar uma matéria híbrida.
Os primeiros átomos de antihidrogênio de baixa energia produzidos artificialmente - constituídos por um pósitron ou elétron de antimatéria, orbitando em um núcleo de antiprótons - foram criados lá mesmo, no CERN, em 2002.
Mas até agora tinha sido impossível isolá-los, e eles acabam se chocando com átomos de matéria normal, aniquilando-se em um flash de raios gama apenas alguns microssegundos depois de serem criados - algo que pode ser extremamente útil para a construção de um laser de raios gama.
Em um experimento não diretamente relacionado, realizado em 2005, um grupo de físicos conseguiu criar o positrônio, um átomo exótico, feito de matéria e de antimatéria: um elétron e um pósitron (anti-elétron) ligados um ao outro, mas sem um núcleo.
Simetria de CPT
"Estamos chegando perto do ponto em que poderemos fazer algumas classes de experimentos sobre as propriedades do antihidrogênio," disse Joel Fajans, outro membro da equipe.
"Inicialmente, serão experiências simples para testar a simetria CPT, mas já que ninguém foi capaz de fazer esse tipo de medição em átomos de antimatéria até hoje, será um bom começo," explica o cientista.
A simetria CPT (carga-paridade-tempo) é a hipótese de que as interações físicas não se alteram se você inverter a carga de todas as partículas, mudar sua paridade - isto é, inverter suas coordenadas no espaço - e reverter o tempo.
Quaisquer diferenças entre o antihidrogênio e o hidrogênio, como diferenças no espectro atômico, violariam automaticamente a CPT, derrubando o Modelo Padrão da física de partículas e suas interações, e poderia explicar por que a antimatéria praticamente não existe no Universo hoje, apesar de ambas, matéria e antimatéria, terem sido criadas em quantidades iguais no Big Bang.




Tanque de antimatéria
Para aprisionar a antimatéria, os físicos resfriaram os antiprótons e os comprimiram em uma nuvem com um tamanho equivalente à metade de um palito de dentes - 20 milímetros de comprimento e 1,4 milímetro de diâmetro).
Em seguida, usando uma técnica chamada autorressonância, a nuvem de antiprótons frios e comprimidos foi superposta a uma nuvem de pósitrons de dimensões semelhantes. Os dois tipos de partículas então se juntaram para formar o antihidrogênio.
Tudo isto acontece dentro de uma garrafa magnética, que prende os átomos de antihidrogênio. A armadilha magnética é um campo magnético especial, que usa um estranho e caríssimo ímã supercondutor de oito pólos - um octupólo - para criar um plasma mais estável.
"Atualmente nós conseguimos manter os átomos de antihidrogênio presos por pelo menos 172 milésimos de segundo - cerca de um sexto de segundo - tempo suficiente para nos certificarmos de que os apanhamos," disse Jonathan Würtele, outro membro da equipe.
De Agosto a Setembro de 2010, a equipe detectou um átomo de antihidrogênio em 38 dos 335 ciclos de injeção de antiprótons. Dado que a eficiência do detector usado é de aproximadamente 50 por cento, a equipe calculou ter capturado cerca de 80 dos vários milhões de átomos de antihidrogênio produzidos durante esses ciclos.

Bibliografia:

Trapped antihydrogen
G. B. Andresen, M. D. Ashkezari, M. Baquero-Ruiz, W. Bertsche, P. D. Bowe, E. Butler, C. L. Cesar, S. Chapman, M. Charlton, A. Deller, S. Eriksson, J. Fajans, T. Friesen, M. C. Fujiwara, D. R. Gill, A. Gutierrez, J. S. Hangst, W. N. Hardy, M. E. Hayden, A. J. Humphries, R. Hydomako, M. J. Jenkins, S. Jonsell, L. V. Jørgensen, L. Kurchaninov, N. Madsen, S. Menary, P. Nolan, K. Olchanski, A. Olin, A. Povilus, P. Pusa, F. Robicheaux, E. Sarid, S. Seif el Nasr, D. M. Silveira, C. So, J. W. Storey, R. I. Thompson, D. P. van der Werf, J. S. Wurtele, Y. Yamazaki
Nature







TIRINHA DO DIA






CURIOSIDADE DO DIA
Você sabe como surgiu a Lei de Murphy?



"Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível". Quem já não passou por alguma situação dessas que atire a primeira pedra, ou melhor, não atire, porque é bem capaz de acabar dando tudo errado, e a pedra acertar você mesmo. Essa é - podemos dizer famosa e conhecida- lei de Murphy, mas, porque atribuímos a essa lei nossos "fracassos" e tentativas mal-sucedidas?. Descubra.
De acordo com o livro 'Oh dúvida cruel', Edward Murphy Jr. foi um engenheiro da força Aérea Americana, responsável por um projeto em que se media tolerância humana à aceleração excessiva, em 1949.
Num dos testes era necessário colocar 16 sensores em diferentes locais do corpo de um piloto de provas. Havia duas maneiras de colocar os sensores alguém metodicamente instalou todos os 16 sensores de maneira errada.
Ao checar o que havia acontecido, Murphy formulou a lei, que na forma correta e original é: Se há duas ou mais maneiras de fazer alguma coisa e uma delas pode resultar em catástrofe, alguém o fará dessa maneira.


VÍDEO DO DIA

 Resposta de R9 à Remi via twitter.....ClaroRonaldo Ae Remi, aqui vai a resposta. @nqtv Remi celui-ci est. http://bit.ly/gLbpCz