A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

sábado, 26 de março de 2011

O homem de Hiroshima

Takashi Morita, que vive no Brasil, era policial militar na cidade

 japonesa arrasada pela bomba nuclear na Segunda Guerra

 Mundial. Ele conta o que viu e como sobreviveu à explosão

Bruna Cavalcanti, Fotos Pedro Dias
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“Fui empurrado para longe e quando consegui levantar vi
um clarão forte. Depois, veio a chuva preta. Desesperadas por água,
as pessoas engoliam a radiação que vinha das nuvens”
Takashi Morita, fundador da Associação Hibakusha Brasil pela Paz
As vítimas do bombardeio de Hiroshima e Nagasaki sempre recusaram a denominação de “sobreviventes”. Elas entendem que esta palavra dá uma ênfase exagerada ao fato de elas estarem vivas, o que poderia sugerir um certo desrespeito para com os mortos sagrados. Assim, num exemplo característico do extremado recato japonês, quem escapou com vida daquele inferno adotou um termo mais neutro para se qualificar. Elas se chamam apenas de “hibakusha”, que significa, literalmente, pessoa afetada pela explosão. Takashi Morita é uma delas. Aos 88 anos ele vive no bairro paulistano de Jabaquara e se considera um abençoado por Deus. Chegou ao Brasil em 1956 com a mulher e dois filhos. Carregava um diagnóstico de leucemia, junto com a esperança de que poderia recuperar a saúde mudando de ares. A leucemia jamais se manifestou por aqui. Ativo, em 1984 ele fundou a Associação Hibakusha Brasil pela Paz, que reúne 120 sobreviventes da tragédia e seus descendentes. Hoje, Morita se vê novamente às voltas com o drama do perigo nuclear: seu neto Victor Massamichi, 33 anos, mora em Tóquio com a mulher.
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"Os sobreviventes de Hiroshima sempre se
posicionaram contra o uso da energia nuclear"
Na foto, Morita, quando era da Polícia Militar japonesa
ISTOÉ – Onde o sr. estava e o que fazia em Hiroshima no dia da explosão da bomba?Morita – Lembro de cada detalhe daquele dia como se fosse hoje. Vi, vivi e senti tudo de perto. Foi o inferno. Na época, eu tinha 21 anos e integrava a Polícia Militar japonesa. Estava em missão havia dois dias em Hiroshima, que ainda não tinha sido bombardeada como outras cidades. Quando a bomba explodiu, eu estava a apenas 1,3 quilômetro do hipocentro. O dia estava ensolarado e muito bonito. Havia muitas crianças na rua. Fui empurrado para longe e quando consegui levantar vi um clarão forte. Depois, veio a chuva preta. Desesperadas por água, as pessoas engoliam a radiação preta que vinha das nuvens porque achavam que aquilo iria acabar com a sensação de sede que sentiam. Ao meu redor, várias pessoas, inclusive crianças, gritavam por socorro. Eu só conseguia pensar: a maioria morreu e eu me salvei. O terror era absoluto. Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo.
ISTOÉ – Como o sr. se salvou?
Morita – Minha sorte é que estava de costas para o lado da explosão e fardado. A vestimenta e o boné que usava me protegeram. Tive apenas queimaduras fortes no pescoço. Vaguei pelas ruas arrasadas de Hiroshima. Minha única preocupação era salvar a vida de quem podia. Por onde passava no centro da cidade, o rastro era de destruição. Até hoje sou capaz de lembrar do cheiro fétido dos cadáveres amontoados pelas calçadas. Lembro da pele das pessoas caindo e da fome e sede que sentiam. Tudo o que eu queria era prestar socorro às vítimas. Fiz até o parto de uma mulher no meio da rua. Só depois de dois dias é que fui tratar dos ferimentos que já estavam infeccionados na minha nuca.
ISTOÉ – Muitos japoneses sentiam vergonha por terem sobrevivido à bomba. O sr. tem esse sentimento?
Morita – Quem sobrevive a isso carrega pelo resto da vida a radiação e a memória de todo aquele horror. Mas não sinto remorso nem culpa. Ajudei a salvar a vida de muita gente. Considero-me abençoado e tenho muita motivação para viver. Acho que Deus me deixou vivo por uma missão: falar para as pessoas sobre os perigos da radiação. As pessoas precisam aprender definitivamente que a humanidade e a energia nuclear não podem caminhar juntas.
ISTOÉ – Como o sr. vê hoje o risco nuclear em Fukushima?
Morita – Os sobreviventes de Hiroshima sempre se posicionaram contra o uso de energia nuclear. Chegaram a nos chamar de arcaicos e antiquados por isso. O governo sempre falou que era seguro. Onde está agora essa segurança? O uso de energia nuclear é uma ameaça silenciosa.
ISTOÉ – O sr. acha que o Japão vai conseguir se recuperar de toda essa tragédia?
Morita – Mais uma vez, os japoneses vão trabalhar muito e conseguirão reconstruir o país. Nosso povo é unido. A vida vai continuar.
ISTOÉ – O seu neto, Victor, está em Tóquio neste momento e já falou para o sr. que não vai abandonar o país. Sente medo de que aconteça alguma coisa com ele?
Takashi – Deus vai cuidar dele como cuidou de mim.

Para comemorar...


Para curtir o Sábado....






sexta-feira, 25 de março de 2011

Viajem animada pela eletricidade - Parte 2

Pura diversão animada em cada vídeo. É bom aprender se divertido...Bom Estudo.















quinta-feira, 24 de março de 2011

O medo Nuclear - Parte 2


A volta do medo nuclear - Parte 2


O mundo inteiro entra em alerta, temendo que o vazamento

atômico na usina Fukushima I, no Japão, espalhe uma nuvem 

radioativa pelo planeta

Delmo Moreira e Luiza Villaméa

Um novo costume também foi incorporado aos hábitos dos moradores do país: observar a direção dos ventos. Enquanto eles soprarem na direção do Oceano Pacífico, acreditam os japoneses, diminuem os riscos de uma contaminação radioativa pelo ar. Nos Estados Unidos, essa é a direção que alarma. Tanto que o presidente Obama, na quinta-feira 17, tratou de anunciar que não esperava que níveis perigosos de radiação atingissem o país, “seja a costa Oeste, o Havaí, o Alasca ou os territórios americanos no Pacífico”. Mesmo assim, a principal fabricante de cápsulas de iodeto de potássio, que diminui o impacto da radiação no organismo humano, avisou que seus estoques estão praticamente esgotados em decorrência da crise em Fukushima I. No Japão, sabe-se ainda que a neve e a chuva que caem no entorno da usina podem ajudar a contaminar o solo, tornando impraticável a tradicional agricultura de arroz. Daqui para a frente, qualquer produto alimentício exportado pelo país precisará passar pelo escrutínio radioativo. O Brasil anunciou que não tomará nenhuma medida especial nesse sentido.
Os efeitos da radiação atômica sobre os seres humanos começaram a ser identificados pelos japoneses antes mesmo de eles saberem que a bomba de urânio lançada sobre Hiroshima levava o apelido de Little Boy e que a bomba de plutônio responsável pela devastação de Nagasaki era chamada pelos soldados americanos de Fat Man. Em setembro de 1945 médicos da Cruz Vermelha em Hiroshima começaram a formular uma teoria sobre a natureza da nova enfermidade. O primeiro estágio era acachapante: 60% das vítimas tinham morrido queimadas pelo calor de 6 mil graus centígrados que a bomba provocou no solo. Um mês depois, os médicos começaram a notar que mesmo aqueles que haviam sobrevivido sem ferimentos à explosão começavam a revelar sintomas como anemia, fadiga, perda de cabelos, alterações sanguíneas e febre altíssima. Espalhou-se, então, o boato que a bomba havia depositado um tipo de veneno sobre a cidade que ia se desprendendo aos poucos. Era a radiointoxicação, a mesma ameaça que paira sobre aqueles expostos à radioatividade de Fukushima I. Dependendo do grau de contaminação, seus efeitos vão da morte imediata a alterações na estrutura das células, podendo provocar câncer.
O espírito pragmático, a obediência civil e a fé cega dos japoneses na tecnologia podem explicar como um povo que conheceu o poder atômico por seu lado mais macabro, ingressou de forma tão avassaladora no uso da energia nuclear. Fukushima I abriga apenas seis dos 55 reatores atômicos do Japão. A usina completa 40 anos no próximo dia 26. No começo dos anos 1970, quando foi instalada na região, chegou como símbolo de redenção econômica, já que as minas de carvão da região haviam entrado em decadência. Hoje representa o inferno pelo qual já passaram Hiroshima e Nagazaki. Na sexta-feira 18, nem o restabelecimento da linha de transmissão de energia que pode viabilizar o resfriamento dos reatores amenizou a crise. Na sequencia, a agência nuclear japonesa admitiu que o acidente tinha “conseqüência de maior alcance” que local. Pouco depois, imagens de Tóquio eram exibidas na tevê. Os raros moradores que passavam por uma avenida semideserta usavam máscaras e carregavam sacolas com víveres. De tempos em tempos, um solitário gari pegava com uma pinça de madeira um pedacinho de papel jogado no chão. Apesar da crise, não havia nenhum tumulto. E a cidade permanecia limpíssima.
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Não estacione em local proibido na Rússia…



O pessoal lá é muito estressado.