A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Caminho do Tudo - Parte II (Edição 2026)


Tales de Mileto e a pergunta que nunca envelhece: do que é feito o mundo?

Salve Janeiro de 2026, mês de férias, a dois dias parti de SP onde estava com a família, na direção dos Capixabas,  terra boa com muito peixe e camarão 🦐. Espero conhecer Santa Tereza e voltar a comer a banofe abençoada por Anchieta. 

Alguns professores contam os dias de férias, os alunos contam os minutos… e eu, como sempre, conto histórias — as de hoje, as de ontem e as de 2.600 anos atrás.

E por falar em lá atrás, volto para Mileto.

Tales era… como posso dizer?

O cara.

O sujeito que previu eclipse, desviou rio, irritou deuses e ainda colocou a Grécia na trilha da luz intelectual.

Se aquilo não é currículo, não sei o que é.

Heródoto — nosso correspondente internacional da Antiguidade — conta que Tales ajudou até em estratégia militar ao mexer no leito de um rio.

Se estivesse vivo em 2026, seria facilmente contratado para ajudar a resolver a bronca da enchente no RS, seca no Amazonas e, de quebra, explicar no Jornal Nacional por que o clima está do jeito que está.

Mas o que realmente fez Tales entrar para a história não foi o eclipse, nem os truques hidráulicos.

Foi uma pergunta simples e gigantesca:

“Do que é feito o mundo?”

Para Tales, a resposta era água.💦 

Hoje parece estranho, mas com o que ele tinha à disposição — olhos, lógica e o mar batendo ali perto — foi uma conclusão bem ousada.

Ele percebeu que tudo precisava de água para viver, que a água mudava de forma, que cercava a Grécia como uma muralha líquida.

E pensou:

Se tudo depende disso… talvez tudo venha disso.”

Não estava sozinho na ousadia.

Anaxímenes jurou que era ar ☁️ 

Heráclito apostou no fogo.🔥 

Cada um defendia seu elemento como se estivesse numa final de campeonato — e eles levavam essas discussões tão a sério quanto os torcedores do meu Vascão levam o time (sai fora Corinthians).

Mas, veja bem: a genialidade deles não está em acertar.

Está em perguntar.

Pela primeira vez, alguém olhou para a natureza e tentou explicar sem mitos, sem deuses de plantão, sem mágicas.

Foi o nascimento da ideia de que o mundo tem regras — e que vale a pena estudá-las.

É por isso que, mesmo hoje, em pleno período de férias, eu continuo encantado.

Continuamos tentando responder a mesma pergunta de Tales — agora com telescópios, químicos, IA e satélites — mas a essência é a mesma:

curiosidade, coragem e uma boa dose de teimosia.

De resto, professor, aluno, grego, amazonense…

Todos estamos apenas tentando entender do que é feito o mundo e, se possível, aproveitar o recesso quando ele chega.

Um abraço — e segura firme, porque janeiro é um mês bom!

Nos vemos com um próximo episódio em fevereiro.