Tales de Mileto e a pergunta que nunca envelhece: do que é feito o mundo?
Salve Janeiro de 2026, mês de férias, a dois dias parti de SP onde estava com a família, na direção dos Capixabas, terra boa com muito peixe e camarão 🦐. Espero conhecer Santa Tereza e voltar a comer a banofe abençoada por Anchieta.
Alguns professores contam os dias de férias, os alunos contam os minutos… e eu, como sempre, conto histórias — as de hoje, as de ontem e as de 2.600 anos atrás.
E por falar em lá atrás, volto para Mileto.
Tales era… como posso dizer?
O cara.
O sujeito que previu eclipse, desviou rio, irritou deuses e ainda colocou a Grécia na trilha da luz intelectual.
Se aquilo não é currículo, não sei o que é.
Heródoto — nosso correspondente internacional da Antiguidade — conta que Tales ajudou até em estratégia militar ao mexer no leito de um rio.
Se estivesse vivo em 2026, seria facilmente contratado para ajudar a resolver a bronca da enchente no RS, seca no Amazonas e, de quebra, explicar no Jornal Nacional por que o clima está do jeito que está.
Mas o que realmente fez Tales entrar para a história não foi o eclipse, nem os truques hidráulicos.
Foi uma pergunta simples e gigantesca:
“Do que é feito o mundo?”
Para Tales, a resposta era água.💦
Hoje parece estranho, mas com o que ele tinha à disposição — olhos, lógica e o mar batendo ali perto — foi uma conclusão bem ousada.
Ele percebeu que tudo precisava de água para viver, que a água mudava de forma, que cercava a Grécia como uma muralha líquida.
E pensou:
“Se tudo depende disso… talvez tudo venha disso.”
Não estava sozinho na ousadia.
Anaxímenes jurou que era ar ☁️
Heráclito apostou no fogo.🔥
Cada um defendia seu elemento como se estivesse numa final de campeonato — e eles levavam essas discussões tão a sério quanto os torcedores do meu Vascão levam o time (sai fora Corinthians).
Mas, veja bem: a genialidade deles não está em acertar.
Está em perguntar.
Pela primeira vez, alguém olhou para a natureza e tentou explicar sem mitos, sem deuses de plantão, sem mágicas.
Foi o nascimento da ideia de que o mundo tem regras — e que vale a pena estudá-las.
É por isso que, mesmo hoje, em pleno período de férias, eu continuo encantado.
Continuamos tentando responder a mesma pergunta de Tales — agora com telescópios, químicos, IA e satélites — mas a essência é a mesma:
curiosidade, coragem e uma boa dose de teimosia.
De resto, professor, aluno, grego, amazonense…
Todos estamos apenas tentando entender do que é feito o mundo e, se possível, aproveitar o recesso quando ele chega.
Um abraço — e segura firme, porque janeiro é um mês bom!
Nos vemos com um próximo episódio em fevereiro.
