A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
O período dos planetas do Sistema Solar
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
O meta verso de Stranger Things
Créditos: @entenda mais ciência
🎬 Você já ouviu falar do Mundo Invertido? Ele aparece na série Stranger Things, um fenômeno mundial da televisão. A ideia é fascinante — mas o que disso tem base científica e o que é pura ficção?
🔬 Na série, o Mundo Invertido é apresentado como uma realidade paralela sombria, que espelha o nosso mundo, porém com condições ambientais extremas e organismos hostis. O contato entre esses mundos estaria ligado a experimentos secretos do governo e aos poderes da personagem Eleven, uma menina com habilidades psíquicas como telecinese e percepção extrasensorial — poderes inteiramente fictícios, usados como recurso narrativo.
🌌 A ciência contemporânea não descarta a possibilidade de outros universos, mas apenas no campo teórico. Entre as ideias discutidas estão o multiverso cosmológico associado à inflação do universo, a interpretação de muitos mundos da mecânica quântica e teorias físicas que preveem dimensões espaciais extras, como a teoria das cordas. Nenhuma dessas hipóteses, porém, prevê a existência de um universo espelhado ao nosso, congelado no tempo ou acessível fisicamente a partir do nosso mundo.
🕳️ Essas hipóteses ajudam a entender de onde vêm as inspirações da série, mas não implicam a possibilidade de interação direta entre universos. Na física teórica, existem soluções matemáticas conhecidas como buracos de minhoca, ou pontes de Einstein–Rosen. Essas estruturas são hipotéticas, exigiriam energias extremas e formas de matéria nunca observadas e não contam com qualquer evidência experimental de existência ou estabilidade. Portais como os mostrados na série pertencem, portanto, exclusivamente ao domínio da ficção científica.
🧪 O Mundo Invertido apresenta atmosfera irrespirável, esporos e condições extremas. Ambientes hostis existem no universo — como Vênus, luas geladas ou certos exoplanetas. Ainda assim, um mundo quase idêntico ao nosso, diferindo apenas por ser biologicamente incompatível, é cientificamente improvável.
👾 O Demogorgon é apresentado como uma criatura predadora do Mundo Invertido, atuando como seu principal caçador. Embora a vida fora da Terra seja cientificamente plausível, a forma e o comportamento extremos do Demogorgon não são compatíveis com a lógica da evolução biológica, que favorece eficiência, integração ecológica e adaptação ao ambiente, e não agressividade constante e isolamento ecológico.
🔎 Em resumo, o Mundo Invertido não encontra respaldo na ciência atual. A série se inspira em conceitos científicos reais — como multiverso, dimensões extras e vida fora da Terra — mas os transforma em metáforas narrativas, não em explicações científicas. Essa liberdade é justamente o que torna Stranger Things tão eficaz como ficção.
📚 REFERÊNCIAS
Tegmark, M. 2003. Parallel Universes. Scientific American, 288(5): 40–51.
Carr, B. (ed.). 2007. Universe or Multiverse? Cambridge University Press.
Greene, B. 1999. The Elegant Universe. W. W. Norton & Company.
Randall, L. 2005. Warped Passages: Unraveling the Mysteries of the Universe’s Hidden Dimensions. HarperCollins.
Visser, M. 1995. Lorentzian Wormholes: From Einstein to Hawking. AIP Press.
Davies, P. 2010. The Eerie Silence: Renewing Our Search for Alien Intelligence. Houghton Mifflin Harcourt.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
A Caminho do Tudo - Parte II (Edição 2026)
Tales de Mileto e a pergunta que nunca envelhece: do que é feito o mundo?
Salve Janeiro de 2026, mês de férias, a dois dias parti de SP onde estava com a família, na direção dos Capixabas, terra boa com muito peixe e camarão 🦐. Espero conhecer Santa Tereza e voltar a comer a banofe abençoada por Anchieta.
Alguns professores contam os dias de férias, os alunos contam os minutos… e eu, como sempre, conto histórias — as de hoje, as de ontem e as de 2.600 anos atrás.
E por falar em lá atrás, volto para Mileto.
Tales era… como posso dizer?
O cara.
O sujeito que previu eclipse, desviou rio, irritou deuses e ainda colocou a Grécia na trilha da luz intelectual.
Se aquilo não é currículo, não sei o que é.
Heródoto — nosso correspondente internacional da Antiguidade — conta que Tales ajudou até em estratégia militar ao mexer no leito de um rio.
Se estivesse vivo em 2026, seria facilmente contratado para ajudar a resolver a bronca da enchente no RS, seca no Amazonas e, de quebra, explicar no Jornal Nacional por que o clima está do jeito que está.
Mas o que realmente fez Tales entrar para a história não foi o eclipse, nem os truques hidráulicos.
Foi uma pergunta simples e gigantesca:
“Do que é feito o mundo?”
Para Tales, a resposta era água.💦
Hoje parece estranho, mas com o que ele tinha à disposição — olhos, lógica e o mar batendo ali perto — foi uma conclusão bem ousada.
Ele percebeu que tudo precisava de água para viver, que a água mudava de forma, que cercava a Grécia como uma muralha líquida.
E pensou:
“Se tudo depende disso… talvez tudo venha disso.”
Não estava sozinho na ousadia.
Anaxímenes jurou que era ar ☁️
Heráclito apostou no fogo.🔥
Cada um defendia seu elemento como se estivesse numa final de campeonato — e eles levavam essas discussões tão a sério quanto os torcedores do meu Vascão levam o time (sai fora Corinthians).
Mas, veja bem: a genialidade deles não está em acertar.
Está em perguntar.
Pela primeira vez, alguém olhou para a natureza e tentou explicar sem mitos, sem deuses de plantão, sem mágicas.
Foi o nascimento da ideia de que o mundo tem regras — e que vale a pena estudá-las.
É por isso que, mesmo hoje, em pleno período de férias, eu continuo encantado.
Continuamos tentando responder a mesma pergunta de Tales — agora com telescópios, químicos, IA e satélites — mas a essência é a mesma:
curiosidade, coragem e uma boa dose de teimosia.
De resto, professor, aluno, grego, amazonense…
Todos estamos apenas tentando entender do que é feito o mundo e, se possível, aproveitar o recesso quando ele chega.
Um abraço — e segura firme, porque janeiro é um mês bom!
Nos vemos com um próximo episódio em fevereiro.


