A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O meta verso de Stranger Things



Créditos: @entenda mais ciência 

🎬 Você já ouviu falar do Mundo Invertido? Ele aparece na série Stranger Things, um fenômeno mundial da televisão. A ideia é fascinante — mas o que disso tem base científica e o que é pura ficção?

🔬 Na série, o Mundo Invertido é apresentado como uma realidade paralela sombria, que espelha o nosso mundo, porém com condições ambientais extremas e organismos hostis. O contato entre esses mundos estaria ligado a experimentos secretos do governo e aos poderes da personagem Eleven, uma menina com habilidades psíquicas como telecinese e percepção extrasensorial — poderes inteiramente fictícios, usados como recurso narrativo.

🌌 A ciência contemporânea não descarta a possibilidade de outros universos, mas apenas no campo teórico. Entre as ideias discutidas estão o multiverso cosmológico associado à inflação do universo, a interpretação de muitos mundos da mecânica quântica e teorias físicas que preveem dimensões espaciais extras, como a teoria das cordas. Nenhuma dessas hipóteses, porém, prevê a existência de um universo espelhado ao nosso, congelado no tempo ou acessível fisicamente a partir do nosso mundo.

🕳️ Essas hipóteses ajudam a entender de onde vêm as inspirações da série, mas não implicam a possibilidade de interação direta entre universos. Na física teórica, existem soluções matemáticas conhecidas como buracos de minhoca, ou pontes de Einstein–Rosen. Essas estruturas são hipotéticas, exigiriam energias extremas e formas de matéria nunca observadas e não contam com qualquer evidência experimental de existência ou estabilidade. Portais como os mostrados na série pertencem, portanto, exclusivamente ao domínio da ficção científica.

🧪 O Mundo Invertido apresenta atmosfera irrespirável, esporos e condições extremas. Ambientes hostis existem no universo — como Vênus, luas geladas ou certos exoplanetas. Ainda assim, um mundo quase idêntico ao nosso, diferindo apenas por ser biologicamente incompatível, é cientificamente improvável.

👾 O Demogorgon é apresentado como uma criatura predadora do Mundo Invertido, atuando como seu principal caçador. Embora a vida fora da Terra seja cientificamente plausível, a forma e o comportamento extremos do Demogorgon não são compatíveis com a lógica da evolução biológica, que favorece eficiência, integração ecológica e adaptação ao ambiente, e não agressividade constante e isolamento ecológico.

🔎 Em resumo, o Mundo Invertido não encontra respaldo na ciência atual. A série se inspira em conceitos científicos reais — como multiverso, dimensões extras e vida fora da Terra — mas os transforma em metáforas narrativas, não em explicações científicas. Essa liberdade é justamente o que torna Stranger Things tão eficaz como ficção.

📚 REFERÊNCIAS

Tegmark, M. 2003. Parallel Universes. Scientific American, 288(5): 40–51.

Carr, B. (ed.). 2007. Universe or Multiverse? Cambridge University Press.

Greene, B. 1999. The Elegant Universe. W. W. Norton & Company.

Randall, L. 2005. Warped Passages: Unraveling the Mysteries of the Universe’s Hidden Dimensions. HarperCollins.

Visser, M. 1995. Lorentzian Wormholes: From Einstein to Hawking. AIP Press.

Davies, P. 2010. The Eerie Silence: Renewing Our Search for Alien Intelligence. Houghton Mifflin Harcourt.

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