A descoberta telescópica das quatro luas de Júpiter por Galileu Galilei em 1610 revolucionou a astronomia e apoiou as teorias heliocêntricas. Os séculos subsequentes viram mais luas descobertas e uma mudança de foco em direção a Europa, que se acredita abrigar vida, levando a missões exploratórias avançadas.
Em 7 de janeiro de 1610, o astrônomo italiano Galileu Galilei usou seu telescópio caseiro recém-aprimorado, que ampliava objetos 20 vezes, para observar o planeta Júpiter. Perto dali ele notou três pontos de luz que inicialmente pensou serem estrelas distantes. No entanto, enquanto os seguia por várias noites, ele viu algo incomum: esses pontos de luz se moviam de uma maneira inconsistente com as estrelas de fundo. Eles ficaram perto de Júpiter e mudaram suas posições em relação um ao outro.
Quatro dias depois, Galileu avistou um quarto ponto de luz se comportando da mesma maneira. Em 15 de janeiro, ele percebeu que não eram estrelas distantes, mas quatro luas orbitando Júpiter. Essa descoberta inovadora forneceu fortes evidências para a teoria de Copérnico, que propunha que os objetos celestes não giram em torno da Terra.
🔹 PUBLICAÇÃO E NOMEAÇÃO DAS LUAS DE JÚPITER
Em março de 1610, Galileu publicou suas descobertas em um livro intitulado Siderius Nuncius (O Mensageiro Estrelado), detalhando suas observações das luas de Júpiter e outros fenômenos celestes. Como seu descobridor, Galileu teve o privilégio de nomear as luas. Ele propôs nomeá-los em homenagem a seus patronos, a família Medici, e durante grande parte do século XVII, eles foram chamados de "Estrelas Mediceanas".
No entanto, em suas anotações pessoais, Galileu simplesmente os numerou I, II, III e IV com base em sua distância de Júpiter. Hoje, essas quatro luas são conhecidas coletivamente como "satélites galileanos", uma homenagem ao seu descobridor.
🔹 EXPANSÃO DA FAMÍLIA DE SATÉLITES DE JÚPITER
Em 1614, o astrônomo alemão Johannes Kepler sugeriu nomear os satélites com nomes de figuras mitológicas associadas a Júpiter, ou seja, Io, Europa, Ganimedes e Calisto, mas sua ideia não pegou por mais de 200 anos. Os cientistas não descobriram mais satélites ao redor de Júpiter até 1892, quando o astrônomo americano E.E. Barnard encontrou a quinta lua de Júpiter, Amalteia, muito menor que as luas galileanas e orbitando mais perto do planeta do que Io. Foi o último satélite do sistema solar encontrado por observação visual - todas as descobertas subsequentes ocorreram por meio de fotografia ou imagem digital. Até hoje, os astrônomos identificaram 95 luas orbitando Júpiter.
🔹 EUROPA: UM CANDIDATO À VIDA EXTRATERRESTRE
Embora cada um dos satélites galileanos tenha características únicas, como os vulcões de Io, a superfície de Calisto e o campo magnético de Ganimedes, os cientistas concentraram mais atenção em Europa devido à possibilidade tentadora de que ela possa ser hospitaleira para a vida. Na década de 1970, as espaçonaves Pioneer 10 e 11 e Voyager 1 e 2 da NASA obtiveram imagens cada vez mais detalhadas dos grandes satélites, incluindo Europa, durante seus sobrevoos por Júpiter.
As fotografias revelaram que Europa tem a superfície mais lisa de qualquer objeto do Sistema Solar, indicando uma crosta relativamente jovem, e também uma das mais brilhantes de qualquer satélite, indicando uma superfície altamente reflexiva. Essas características levaram os cientistas a levantar a hipótese de que Europa é coberta por uma crosta gelada flutuando em um oceano salgado subterrâneo. Eles postularam ainda que o aquecimento das marés causado pela gravidade de Júpiter reforma a camada de gelo da superfície em ciclos de derretimento e congelamento.
🔹 EXPLORAÇÃO MODERNA E MISSÕES FUTURAS
Observações mais detalhadas da sonda Galileo da NASA que orbitou Júpiter entre 1995 e 2003 e completou 11 encontros próximos com Europa revelaram que longas características lineares em sua superfície podem indicar atividade de maré ou tectônica. O material marrom-avermelhado ao longo das fissuras e em manchas em outras partes da superfície pode conter sais e compostos de enxofre transportados de baixo da crosta e modificados por radiação.
Observações do Telescópio Espacial Hubble e reanálise de imagens de Galileu revelaram possíveis plumas emanando de baixo da crosta de Europa, dando credibilidade a essa hipótese. Embora a composição exata desse material não seja conhecida, provavelmente contém pistas sobre se Europa pode ser hospitaleira para a vida.
Futuros exploradores robóticos de Europa podem responder a algumas das questões pendentes sobre este satélite único de Júpiter. A Europa Clipper da NASA partiu em outubro de 2024 em uma jornada de 5,5 anos até Júpiter. Após sua chegada em 2030, a espaçonave entrará em órbita ao redor do planeta gigante e realizará 49 sobrevoos de Europa durante sua missão de quatro anos. Gerenciado pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) em Pasadena, Califórnia, e pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, o Europa Clipper carregará nove instrumentos, incluindo sistemas de imagem e um radar para entender melhor a estrutura da crosta gelada.
Os dados da Europa Clipper complementarão as informações retornadas pela espaçonave JUICE (Jupiter Icy Moon Explorer) da Agência Espacial Europeia. Lançado em abril de 2023, o JUICE entrará primeiro em órbita ao redor de Júpiter em 2031 e depois entrará em órbita ao redor de Ganimedes em 2034. A espaçonave também planeja realizar estudos de Europa complementares aos da Europa Clipper. As duas espaçonaves devem aumentar muito nossa compreensão de Europa e talvez descobrir novos mistérios.
🌏 Créditos/fonte/Publicação: por NASA -scitechdaily
----------------------------------------------------------------------

Nenhum comentário:
Postar um comentário