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Albert Einstein

sábado, 3 de março de 2012

Físicos desvendam o gol perdido de Deivid

Bruno Doro 

Do UOL, em São Paulo
  • <strong>O GOL PERDIDO DE DEIVID</strong><br> Para terminar, os dois autores também explicaram o gol perdido por Deivid. E a explicação não é a que todos estavam procurando. Ao ser questionado sobre o assunto, Marcos Duarte usou o bom humor: "Podemos explicar o lance sim. Mas já aviso: é uma explicação trivial. Ele simplesmente aplicou a força na direção errada".
    O GOL PERDIDO DE DEIVID
    Para terminar, os dois autores também explicaram o gol perdido por Deivid. E a explicação não é a que todos estavam procurando. Ao ser questionado sobre o assunto, Marcos Duarte usou o bom humor: "Podemos explicar o lance sim. Mas já aviso: é uma explicação trivial. Ele simplesmente aplicou a força na direção errada".
Você se lembra da Jabulani? A bola da Copa do Mundo de 2010 ficou famosa por seus efeitos malucos, que goleiro nenhum entendia.
E, certamente, ouviu falar do gol que o atacante Deivid, do Flamengo, perdeu há alguns dias na final da Taça Guanabara.
O que os dois têm em comum? A explicação para os dois fenômenos está na física – mesmo que a explicação para um deles não seja, exatamente, a que todos procuram.
A união entre a ciência e o esporte é uma proposta dos físicos Marcos Duarte e Emico Okuno. Eles são autores de “Física do Futebol”, da Oficina de Textos, um livro paradidático que usa o mundo do futebol para explicar os conceitos de física. “Nosso objetivo não é divulgar nenhuma descoberta científica, mas ensinar física de uma maneira que os alunos entendam. Como professores, estamos acostumados a buscar os alunos nas quadras de futebol. Agora, trouxemos o futebol para a sala de aula”, diz Marcos.

O MISTÉRIO DA JABULANI

  • Franck Fife / AFP Photo Franck Fife / AFP
Um dos pontos mais interessante de “Física do Futebol” é a explicação do vôo das novas bolas. Como a Jabulani mostrou na Copa do Mundo de 2010, as bolas tecnológicas têm comportamento bem diferente das antigas. E o motivo é a diminuição do número de gomos. Em 1970, a bola chamada Telstar tinha 32. A Jabulani, apenas oito.
Segundo o livro, o movimento irregular é criado “quando a bola faz uma pequena rotação sobre si mesma e tem pequenas irregularidades em sua superfície. Essas irregularidades são decorrentes das costuras ou das regiões entre os gomos da bola, ou ainda, pela região do bico da bola.Cada irregularidade (...) age de forma diferente com o ar a sua volta. Interagir de forma diferente significa que surgirá uma força ligeiramente diferente da que surge sobre uma superfície lisa. Para uma bola com muitos gomos, essas forças diferentes em cada região entre os gomos ocorrerão durante um chute. Com a rotação da bola em torno de si mesma, a direção dessas forças mudará. No entanto, como há muitas dessas forças (porque há muitos gomos), elas continuam balanceadas e não mudam a trajetória da bola”.
“Em uma bola com poucos gomos e com uma pequena rotação, porém, essas forças mudam de direção, e como são poucas em número, ocorre uma mudança  na direção da força resultante e a bola muda a sua trajetória. Como a bola gira lentamente, essa mudança de trajetória varia, e isso produziria uma trajetória irregular”.
A explicação, apesar de parecer certeira, não convence a todos. A reportagem do UOL presenciou, na fila de autógrafos, uma conversa bem humorada entre os autores e o professor Ronald Ranvaud, da USP: “Olha, depois precisamos conversar um pouco sobre o que vocês escreveram sobre o efeito da bola. Não sei não”, questionou, sorrindo.

FÍSICA DO FUTEBOL, O LIVRO


O livro atende ao currículo exigido pelo MEC para o primeiro ano do ensino médio. E os autores querem que ele seja usado como complemento às aulas. “Um estudo feito em Pernambuco mostrou que garotos que vendiam cocos na praia sabiam fazer contas para dar o troco para as pessoas. Faziam as operações complexas instintivamente. Mas quando entravam em sala de aula, no ambiente escolar, não conseguiam fazer exercícios muito menos complexos. Isso mostra um problema no ensinar. Trazer o futebol para o mundo da física é nossa tentativa de sugerir uma solução para esse problema”, explica Emico.
Em quatro capítulos, os autores usam exemplos do futebol para explicar movimento, força, energia e fluídos. Em cada um deles, um ícone do futebol brasileiro é associado a um nome importante da física. Galileo Galilei é ligado a Charles Miller, que trouxe o futebol ao Brasil. Rene Descartes, a Arthur Friedenreich, considerado o primeiro craque do futebol brasileiro. Isaac Newton, a Pelé. James Prescott Joulle, a Zico. Albert Einstein, a Garrincha. Didi é um dos poucos a aparecer sozinho, graças a sua “Folha Seca”, explicada pelo livro (Didi chuta com “com os três dedos laterais do pé, o que fez a bola ganhar um movimento de translação e de rotação, girando em torno de si mesma. Isso produziu um efeito que levou a bola a fazer uma curva inesperada e cair no gol de repente”).

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