A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

segunda-feira, 6 de maio de 2013

ABC da Astronomia

Série de 30 episódios apresentando os principais conceitos da Astronomia. A cada programa, o professor e Astrônomo Walmir Cardoso, apresenta um tema derivado de uma letra do alfabeto.  Animações, fotos espaciais e imagens de arquivo complementam a viagem espacial que traz como grande diferencial o ponto de vista do hemisfério sul.

Clique nos links abaixo para assistir aos programas:

Episódio 1 - Astronomia
Episódio 2 - Ano Luz
Episódio 3 - Big Bang
Episódio 4 - Cruzeiro do Sul
Episódio 5 - Distâncias
Episódio 6 - Estrelas
Episódio 7 - Fases da Lua
Episódio 8 - Galáxias
Episódio 9 - Heliocentrismo
Episódio 10 - Invisível
Episódio 11 - Júpiter
Episódio 12 - Kepler
Episódio 13 - Lua
Episódio 14 - Meteoros
Episódio 15 - Noite
Episódio 16 - Observatórios
Episódio 17 - Planetas
Episódio 18 - Quadrante
Episódio 19 - Rotação e Evolução
Episódio 20 - Sol
Episódio 21 - Terra
Episódio 22 - Universo
Episódio 23 - Via Láctea
Episódio 24 - Wolf
Episódio 25 - Raios X
Episódio 26 - Yuri Gagarin
Episódio 27 - Zodíaco
Episódio 28 - Constelações
Episódio 29 - Vida
Episódio 30 - Buracos Negros

Link Direto

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UMA HISTORINHA NO ESPETO – Texto de Rodolpho Caniato

                   Era uma vez um frango que se chamava Fazde Konta. Nosso Fazde Konta era um frango muito especial. Era um visionário, um predestinado. Desde pinto ele já manifestava dotes de grande imaginação e curiosidade. Apesar de todos os hábitos semelhantes aos demais galináceos, ele se perdia a observar coisas que passam despercebidas aos demais habitantes de um galinheiro. Ele era, por isso, considerado pelos demais como um “visionário”. FazdeKonta foi crescendo, até que lhe veio a vontade de cantar. Sem perceber, ele se havia tornado um “galleto”: um “galleto di primo canto” isto é, um frangote.
                   Seus colegas de galinheiro o viam como um “diferente”. Havia até quem achasse que ele não era “deste mundo”. De fato, ele era muito diferente. Nosso frango estava mesmo muito acima do que habitualmente pensam os galináceos normais. Além de observar o mundo, ele era até capaz de tirar conclusões surpreendentes, especialmente se comparadas ao que geralmente se  pensa em um galinheiro. Como os demais ele via o nascer e o por do sol, coisas muito importantes para regular a vida de sua comunidade. Cada novo dia era precedido e anunciado pelo canto do galo chefe daquele galinheiro.
FazdeKonta já estava ultrapassando sua adolescência  e começava a ensaiar suas primeiras tentativas de cantar, ainda muito desafinado e esganiçado. Ele já estava se tornando um “galeto”, ou melhor, um frangote. Já os hormônios o estavam dotando de melhor  plumagem e até de um novo interesse. Vez por outra, ele já começava a “arrastar asa” para as frangas e galinhas. Tanto as frangas quanto as galinhas mais velhas não aceitavam a “corte” de  qualquer frangote. O  grande galo, o galo-mor, era o chefe incontestável daquele terreiro e não havia lugar para quem lhe quisesse ameaçar a autoridade e, sobretudo, no domínio de seu “harém” emplumado. Todos deviam obediência à autoridade máxima do galinheiro. Também à tarde, logo depois do por do sol, todos deviam se recolher ao galinheiro, como convém a todos os membros de uma “comunidade de respeito”. Um “verdadeiro” frango não fica “andando por aí”, depois que escurece. Esse era um dos preceitos do galinheiro.
       Nosso frango, bem que andava muito curioso para saber o que se passa fora do galinheiro, especialmente à noite. Ele nunca vira as estrelas, nem o luar. Seus anseios de liberdade e de conhecimento eram barrados pelas “necessidades” impostas pela comunidade. Era preciso se “enquadrar” como frango para ser alimentado e mantido seguro e protegido pelo galinheiro. “O galinheiro é uma instituição que precisa ser preservada”, era a ordem. Por tudo isso nosso frango cresceu sem poder sentir e ver aquelas coisas com que sonhara, mas que ficavam para além do seu seguro galinheiro. Essas limitações eram o “preço” para viver na “segurança  de nossas instituições”, em termos de galinheiro.
                  Com tantas limitações  impostas pela sua comunidade, só restava ao nosso bom frango sonhar. Tanto ele ficava pensando  e imaginando que, muitas vezes lhe faltava o sono. Enquanto toda comunidade  dormia, em suas noites de insônia, ele  olhava pelas frestas do galinheiro. Ele  já conseguira até ver algumas estrelas e a Lua. Isso  só lhe era possível quando conseguia um lugar no poleiro bem próximo àquela fresta. Durante  suas noites de insônia, ele se acostumara a ver uma única lâmpada que sempre ficava acesa,  num  quintal das vizinhanças. Sempre sonhador, nosso Fazde Konta já estava ficando adulto e mais gordinho.
                     Por alguma razão que não vale a pena discutir aqui, o dono da propriedade em que se situava o galinheiro, resolvera dar uma grande festa naquela noite. Como haveria muitos convidados, o anfitrião havia recomendado a seus empregados que começassem a preparar os assados já no fim da tarde. Era preciso que frangos e leitões já estivessem  assando nos espetos quando chegassem os convidados, antes do Sol se por.
                     Fazde Konta, como todos os frangos de sua geração, naquela propriedade, também foi parar no espeto. Mas..... apesar de no espeto, nosso frango, por ser um predestinado, ainda era capaz de observar e tirar algumas conclusões do que se passava no mundo.
                      Indiferente ao calor do braseiro em que ele ia rodando, Fazde Konta, continuava a observar e querer entender o que via. Sua visão agora era muito diferente do que ele sempre observara no dia-a-dia de seu galinheiro. Ele só conhecia os movimentos caóticos do galinheiro. Agora o mundo todo parecia ter um sentido diferente. A primeira grande impressão era de que toda festa girava ao seu redor. Todas as coisas pareciam “nascer” de um lado e se “por” do outro. Era bem clara a impressão de que tudo girava ao redor dele, Fazde Konta. Depois de algumas voltas ficou bem clara essa impressão de que toda a festa girava ao redor dele. “Se tudo gira a meu redor é porque eu estou no centro”, pensou ele. “Se estou no centro e tudo gira a meu redor, talvez  eu nunca me tenha dado conta de minha importância. Talvez a festa seja para mim”. A cada rotação do espeto mais lhe parecia real a impressão de ser o centro da festa.
                 Quando os frangos foram colocados em seus respectivos espetos ainda era dia O Sol ainda estava sobre o horizonte. Com grande admiração, nosso bom frango se deu conta de que o Sol também fazia voltas ao redor dele. Ele já havia visto o Sol em seu terreiro. Agora ele via o Sol fazer voltas a seu redor. Ele era o centro dos movimentos também do Sol. Antes de desaparecer no horizonte, o Sol fez muitas voltas ao redor de nosso Fazde Konta. Ora, se até o Sol fazia voltas ao seu redor, ele devia mesmo ser muito importante:  “a festa devia mesmo ser para mim”, pensa ele..
                   Depois que o Sol desapareceu, a Lua apareceu do lado oposto. Era noite de lua cheia. Ela também girava ao redor de nosso frango. “Até a Lua gira ao meu redor. Eu sou mesmo muito importante”, pensou o nosso frango. Isso aumenta nele  ainda mais, a convicção de ser o homenageado da festa. Antes de desaparecer no ocaso,  a Lua havia dado muitas voltas ao redor dele . Ele era o centro dos movimentos também da Lua.
                    Depois  da Lua, finalmente nosso frango podia ver o céu estrelado. Era a primeira vez que ele podia contemplar o céu em todo seu esplendor e amplitude; do nascente ao poente. No entanto, ele logo  percebe que  todo o céu também fazia voltas ao redor dele. Ele  era  o centro dos movimentos de todo o céu, portanto, de todas as estrelas. A impressão de ser o centro dos movimentos de todas as estrelas, aumenta em nosso frango a sensação de ser o centro de tudo no Universo. Mas, porque estaria ele no centro de todo Universo? Certamente deveria ser ele a coisa mais importante desse Universo: a razão de ser do próprio Universo.
                      Enquanto nosso frango-herói ia pensando nessas coisas que lhe davam a convicção de ser o centro do Universo, duas pessoas passando perto do espeto iam conversando. Uma delas apontava para o céu nas proximidades do Cruzeiro do Sul e comentava com seu interlocutor. “Você está vendo aquelas duas manchas nas proximidades do Cruzeiro?. Aquelas são as Nuvens de Magalhães. Elas têm aspecto de nuvens mas são duas galáxias vizinhas da nossa . Elas estão a cerca de cem mil anos-luz de distancia, para além, para fora de nossa grande galáxia que se chama Via Láctea. Elas receberam o nome de Magalhães em homenagem ao grande navegador que fez a primeira viagem de circunavegação da Terra, em 1520. Pelo fato de ter sido o primeiro homem civilizado a passar perto do Polo Sul da Terra, no estreito que também leva o seu nome, ele foi o primeiro a ver e registrar a presença dessas nubéculas (pequenas nuvens). Essas Nuvens de Magalhães ficaram bem visíveis para o navegador pelo fato de serem vistas bem próximas do Zênite, o ponto mais alto do céu. Isso porque ele estava numa latitude Sul  em que nunca ninguém havia estado antes. Além dessas  informações nosso frango ouvira que aquelas duas galáxias estão a uma distância de cerca  100.000 anos –luz, uma distância “astronômica”.
                  Mesmo aquelas galáxias tão distantes, faziam, como todo o resto do céu, voltas ao redor de nosso frango. Todo o mundo visível, desde  as coisas próximas  como também o Sol, a Lua, as estrelas e mesmo as galáxias, tudo girava ao redor de  nosso herói. Ele era mesmo o centro dos movimentos de  tudo no Universo. Essa  observação reforça nele a impressão, mais que isso, a certeza, de ser o centro do Universo. Ser o centro do Universo lhe da a certeza de ser a coisa mais importante desse Universo.
                   Curiosamente, enquanto todo o Universo parecia girar ao redor daquele frango sonhador, um único ponto ficara imóvel. Por coincidência, o único ponto imóvel de toda a paisagem, era bem conhecido de Fazde Konta. Era aquela lâmpada de um quintal vizinho, tão conhecida de suas noites de insônia. Por que estaria imóvel aquele único ponto enquanto todo o resto da paisagem, Sol, Lua, estrelas e galáxias faziam voltas ao redor dele?
                     Com essa dúvida mas com a certeza de ser a coisa mais importante do Mundo, nosso “galeto", percebe que aquelas duas pessoas que haviam dito coisas tão novas para ele, dele se aproximam. Certamente viriam homenagea-lo como centro de todo o Universo. Grande foi sua decepção ao perceber que, em vez de ser homenageado, ia simplesmente ser comido
                       Caro leitor, você já deve  ter percebido que  Fazde Konta, nosso frango sonhador esteve representando um pouco  da história do que o homem pensava de si mesmo e do Universo. Quando observamos os movimentos do céu temos a nítida impressão de que tudo gira ao nosso redor, com se estivéssemos no centro de todo o Universo. Essa sensação de estarmos no centro, deu-nos a impressão e a convicção de que éramos  mesmo e centro de tudo e, portanto, a obra prima e a razão de ser de todo o Universo. Parece difícil entender que durante tanto tempo tenhamos sido tão iludidos por nossa impressão de sermos o centro de tudo e por aqueles interessados nisso.
                        Um grego famoso foi o primeiro a indagar sobre a falsidade dessa impressão e chegou a propor um sistema diferente, o sistema heliocêntrico. Esse  prodígio de pensamento se deveu a Aristarco de Samos que viveu entre os anos de 325 a 230 aC. Suas ideias foram consideradas subversivas e abandonadas. Só muitos séculos depois essas ideias foram retomadas, num período da história que, também por isso, se chama renascimento.
                          Por mais absurdo que nos pareça hoje, a ideia de que  não estamos no centro do Universo foram ferozmente combatidas, especialmente pelas igrejas católica e protestantes. Até hoje muita gente acha que o homem é o centro e a razão de ser de todo Universo. Mas, voltemos à história de nosso frango. Você já descobriu porque a tal lâmpada  era o único objeto imóvel no Universo  visto pelo frango? – Pare um pouco e pense..........(discuta com seus amigos).  
                   E’ isso mesmo que você imaginou. A lâmpada foi o único objeto imóvel pelo simples fato de estar bem na direção para onde apontava o espeto ao redor do qual o frango girava. Se você entendeu isso, você acaba de entender uma coisa muito importante em muitos aspectos do conhecimento humano, relacionado à Astronomia
                    Analogamente ao caso do frango, também estamos girando com a Terra que tem seu “espeto”, quer dizer, seu eixo sempre apontado numa mesma direção. No caso da Terra, nosso eixo está sempre apontado para uma mesma “lâmpada”, quer dizer, para uma mesma estrela. Por isso essa estrela é a única coisa ( que parece) imóvel em todo e céu.. A única coisa que ela tem de especial é   ser a direção para onde casualmente aponta nosso “espeto”, quer dizer, o eixo da Terra. Mesmo fazendo sua grande órbita ao redor do Sol, o eixo da Terra sempre fica apontado para a Estrela Polar ou simplesmente Polaris. Essa estrela, a Polaris, fica do lado Norte. Do outro lado (Sul), o eixo também aponta para um ponto que fica imóvel no céu. Só que do nosso lado(hemisfério Sul)  não há nenhuma estrela visível para esse outro ponto também imóvel. Esses dois pontos imóveis do céu chamam-se  Polos Celestes e são importantes por várias razões de ordem pratica.
                      Especialmente a estrela polar do Norte ou Polaris, desde a antigüidade foi usada como orientação. E’ ela que indica a direção Norte. Todos os grandes deslocamentos, em terra e no mar sempre foram orientados por essa estrela. O cristianismo começa com a história do presépio. Os reis magos vêm de longe e são orientados por uma estrela. Essa estrela é a Estrela Polar. As crenças populares, o folclore e as lendas entenderam a seu modo e puseram  essa estrela como se ela estivesse pousada sobre o presépio. A crença popular ainda acrescentou uma cauda a essa estrela. Por volta do ano 70 dC, deve ter passado o cometa de Halley, tomado como “espada de fogo” a prenunciar a destruição de Jerusalém pelos romanos. Esse mesmo cometa (Halley) deve ter passado próximo ao tempo do nascimento de Jesus.
                       Além de indicar a direção Norte (também todas as outras em relação a ela), a Estrela Polar indica a latitude em que estamos. Quando um viajante chega ao Polo Norte ele terá a Polaris exatamente sobre sua cabeça. Todas as outras estrelas,  para esse observador, passarão a se deslocar paralelamente ao horizonte, sem ocaso e sem “nascimento”. Essa é a maneira do viajante saber se está exatamente no polo Norte da Terra. À medida que o observador for se deslocando do Polo Norte na direção Sul, a altura (ângulo) da Estrela Polar em relação ao horizonte vai diminuindo. Quando o observador estiver chegando no Equador Terrestre, a Estrela Polar estará chegando no horizonte. A altura da Estrela Polar em relação ao horizonte indica a latitude geográfica desse lugar. Esse é’um conhecimento muito antigo e que serviu a Cristóvão Colombo para ele que viajasse sempre para Oeste e controlando sua latitude pela altura da Estrela Polar.
                     Você se lembra de que a lâmpada do frango da nossa história estava imóvel pelo simples fato de estar para ela apontado o espeto em que estava girando o frango. Qualquer mudança na direção do espeto mudaria o ponto que fica imóvel. Aquela lâmpada que ficava parada, logo se movimentará se houver qualquer mudança na direção do espeto. E’ também  com essa mesma ideia que se estuda as lentas e pequeníssimas variações nos movimentos da Terra. Hoje sabemos, por exemplo que o eixo faz um pequeno bamboleio. Uma só volta desse bamboleio leva cerca de 25.800 anos. Além desse movimento que se chama precessão, o eixo da Terra faz um pequeníssimo balanço que se chama nutação  e leva cerca de 18 anos e meio.
                       Espero que nosso Fazde Konta tenha ajudado você, leitor, a entender coisas importantes e interessantes. Espero também que além do efeito principal de ajudar a entender coisas que não são óbvias, tenha lhe proporcionado um “efeito colateral” de mostrar quanto é ilusória nossa impressão de estarmos e sermos o centro e razão de ser do Universo. Talvez a maior grandeza do homem seja em entender e admitir sua insignificância diante da grandeza do Universo. Isso pode produzir em nós uma verdadeira vertigem da solidão e desamparo. Talvez essa sensação de pequenez  possa sugerir  e inspirar uma maior solidariedade entre os homens e a necessidade de preservarmos o habitat de tanta vida que o nosso planetinha viajando entre esse Mundão de estrelas.


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