A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A semana na Ciência

A semana 1 - Após 13 anos, a física explica Roberto Carlos

Reportagem 1 - A ciência, mais precisamente a física, conseguiu na quinta-feira 2 explicar um dos gols mais inacreditáveis de todos os tempos: o do jogador Roberto Carlos, marcado em 1997, num amistoso da Seleção Brasileira contra a França. À época, muitos comentaristas disseram: “Esse gol desafia a física.” Pois bem, físicos franceses levaram a coisa a sério e lá se foram 13 anos de estudos, agora publicados no “New Journal of Physics”. Segundo o pesquisador Christophe Clanet, o chute potente de Roberto Carlos e a distância de 35 metros minimizaram o efeito da ação da gravidade, fazendo com que a bola cumprisse sua trajetória em “caracol“ e não em “espiral”. Eis o golaço. O País já teve craques como Pepe, que fazia a rede furar, e Didi, que encantava com a sua “folha seca”. Ninguém, no entanto, mobilizou um dos mais significativos ramos da ciência como o fez Roberto Carlos.

Reportagem 2 - Cientistas desvendam segredo de famoso gol de falta de Roberto Carlos
Físicos criaram equação que descreve a trajetória da bola em chute do jogador em 1997

Um dos gols mais incríveis da história do futebol, marcado pelo lateral esquerdo Roberto Carlos pela seleção brasileira há 13 anos, foi tema de um estudo feito por físicos na França. O gol marcado pelo jogador em 1997 contra a França, em um torneio amistoso em Paris, ficou famoso pela enorme curva na trajetória da bola, que deixou o goleiro Fabian Barthez perplexo e sem reação. Uma pesquisa publicada na revista científica New Journal of Physics sugere que aqueles que dizem que o gol foi um golpe de sorte estão errados. A equipe de físicos franceses estudou a trajetória da bola e elaborou uma equação que a descreve. Eles afirmam que a jogada pode ser repetida se a bola for chutada com muita força, com o efeito correto e - mais importante - a uma grande distância do gol. 'Caracol' Muitos comentaristas chamavam a jogada de Roberto Carlos de "o gol que desafia a física", mas o estudo mostra que uma equação matemática pode descrever perfeitamente a trajetória da bola. "Nós mostramos que a trajetória natural de uma esfera quando ela gira é em espiral", disse à BBC o físico Christophe Clanet, da Ecole Polytechnique de Paris. Clanet disse que a trajetória da bola é em formato de caracol, com a curvatura da bola aumentando na medida em que ela vai viajando no ar. Como Roberto Carlos estava muito longe do gol quando chutou a bola, a 35 metros, a trajetória em espiral era visível. A previsão dos físicos é de que a bola faria mais curvas para a esquerda, até entrar em espiral, caso não sofresse a ação da gravidade ou encontrasse nenhum obstáculo à sua frente. No caso do chute de Roberto Carlos, o obstáculo era a rede. Em algumas simulações, os cientistas usaram tanques de água e bolas de plástico com a mesma densidade da água para estudar a trajetória. Com isso, eles puderem eliminar os efeitos da turbulência aérea e da gravidade, estudando apenas a trajetória. "Em um campo de futebol, às vezes nós vemos algo próximo a essa espiral ideal, mas a gravidade modifica um pouco as coisas", disse Clanet. "Mas se o chute for potente o suficiente, como o de Roberto Carlos, é possível minimizar o efeito da gravidade." O fator mais importante, segundo o físico, é a distância. "Se a distância é pequena, você só vê a primeira parte da curva. Mas como a distância era grande no chute de Roberto Carlos, você vê a curvatura aumentando. Então você vê a trajetória completa."

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