A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL.
Albert Einstein

domingo, 19 de setembro de 2010

A semana na Ciência

A semana 1 - O Rio Negro morre de sede


Longas estiagens são características ambientais da região Norte do Brasil durante o inverno. Este ano, no entanto, tal situação saiu da normalidade e o que se vê é a maior seca desde 1963. Em Manaus, por exemplo, o atual nível da água do rio Negro é de 19,64 metros – em junho do ano passado, deu-se o inverso, e registrou-se a maior cheia da história: 29,71 metros. Pelo excesso de chuva ou falta dela pagam as comunidades que estão isoladas: de acordo com a Defesa Civil, três mil pessoas no interior do Amazonas estão incomunicáveis. O baixar das águas também revelou que os rios da região estão muito mais poluídos do que se imagina – mal que hoje afeta os quatro cantos do País.

A semana 2 - Comer com os olhos

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Cientistas descobrem que peixe capaz de acertar insetos com jato d'água tem sistema visual parecido com o dos humanos.


O peixe-arqueiro é conhecido pela capacidade de lançar um esguicho pela boca que pode acertar um inseto fora da água. A precisão e a força são tamanhas que derrubam a presa e garantem a refeição do Toxotes jaculatrix, nome científico da espécie. Pesquisadores de Israel descobriram que uma das razões para essa habilidade é o fato de o arqueiro ser dotado de uma visão até então associada apenas aos mamíferos. Testes mostraram que eles enxergam algo que destoa da paisagem – como uma barra na horizontal sobre um fundo de listras verticais, por exemplo. O estudo foi publicado na semana passada na revista científica americana “PNAS”.


Nos humanos e demais mamíferos, a atenção visual é atraída por estímulos que sobressaem no ambiente, como orientação do objeto (vertical, horizontal, diagonal), cores e movimento. Essa função é facilitada pela organização do córtex visual, parte do nosso cérebro conhecida pela tarefa de enxergar. O curioso é que os peixes não possuem córtex. Ainda assim, são capazes de enxergar os insetos fora da água. “A experiência não ajuda a entender o cérebro deles em si, mas indica que alguns processos óticos são similares aos encontrados em mamíferos”, afirma Ohad Ben-Shahar, líder do estudo. Ele diz, no entanto, que as evidências sugerem que circuitos parecidos com os nossos podem ser encontrados também no pequeno cérebro daqueles animais.

Para chegar a essa conclusão, Ben-Shahar e seus colegas submeteram cinco peixes-arqueiros a uma série de testes. Num deles, uma barra na posição vertical e outra na horizontal eram exibidas num monitor acima do aquário durante dois segundos. O plano de fundo variava entre faixas em um ou no outro sentido. Quando a posição da barra destoava do fundo, eles lançavam a água justamente sobre ela.
A especulação mais óbvia é que esse recurso seria fruto de um ancestral comum entre homem e peixe. “Não é possível afirmar isso”, diz Ben-Shahar. “No entanto, parece que esse tipo de processamento é um aspecto tão crítico para a informação visual que mesmo espécies tão diferentes o possuem.” O elo continua perdido.

A Nasa vai ao Sol

Com o objetivo de desvendar enigmas e mistérios sobre os fenômenos solares, a agência espacial americana lança projeto para enviar uma nave ao astro em 2018


Já se passaram quase 50 anos desde que o homem se aventurou fora do planeta Terra pela primeira vez. Fomos à Lua, mandamos sondas para vários planetas do sistema solar, mas o astro central ainda permanece cercado de mistérios. Não é para menos. Não é fácil se aproximar do Sol, cuja temperatura varia entre seis mil e 15 milhões de graus Celsius e fica a cerca de oito anos-luz (por volta de 150 milhões de quilômetros) de distância do nosso planeta.

A Nasa, agência espacial americana, resolveu encarar o desafio e vem desenvolvendo tecnologias para chegar o mais perto possível do astro. Coroou esse processo na semana passada, quando lançou o programa Solar Probe Plus, que enviará uma espaçonave não tripulada ao Sol em agosto de 2018. Do tamanho de um carro pequeno, a máquina será capaz de chegar a uma distância de 6,5 milhões de quilômetros da superfície solar e poderá fazer avaliações mais precisas da atmosfera do astro. É a primeira vez que o homem manda uma nave para uma estrela.

Para colocar os instrumentos de medição o mais próximo possível do Sol, a Nasa desenvolveu uma espaçonave que suporta temperaturas de até 1.400 graus Celsius. Feita de carbono e equipada com painéis solares, ela é uma espécie de laboratório móvel e possui sensores para medir a radiação e fazer contagens do número de elétrons, prótons e íons de hélio.

Muito do que se conhece do Sol é baseado no comportamento de outros corpos similares, já que o astro é apenas um dos 200 bilhões de estrelas da Via Láctea. Com esse método, os cientistas sabem, por exemplo, que o Sol não vai explodir em uma nuvem de poeira nos próximos milhões de anos, mas não conseguem prever se a radiação vai aumentar nas próximas décadas. “Sabemos qual será a trajetória do astro a longo prazo, mas os detalhes não temos como prever, porque não sabemos o suficiente sobre ele”, afirma o pesquisadordo do Observatório Nacional Victor D’Ávila.

O que se sabe é que a estrela responsável pela vida na Terra sofre variações no seu campo magnético a cada 22 anos. Mas essas variações não são estáveis, sendo que a quantidade de manchas solares que aparece em cada ciclo varia de maneira aleatória. Quanto mais manchas solares, maior é a radiação emitida pelo Sol e, consequentemente, maior a temperatura na Terra. “No século XVII, por exemplo, tivemos um ciclo que praticamente não teve manchas solares. A consequência foi uma espécie de míni era glacial na Europa”, conta D’Ávila.

Ao se aproximar do Sol e fazer medições na atmosfera, a Nasa espera descobrir como são formadas as manchas solares, o que pode contribuir para a previsão de fenômenos climáticos na Terra. Além disso, a agência espera diagnosticar se o diâmetro do Sol está variando. Outro mistério são os chamados ventos solares – fenômenos que ocorrem quando a parte da atmosfera solar se projeta para o espaço – e que só puderam ser medidos recentemente. Os cientistas ainda não sabem como isso acontece, mas conseguiram detectar que existe uma zona em volta do Sol que possui temperatura mais elevada do que a da superfície. O porquê desse fenômeno é outro enigma para a missão desvendar.

Para responder a essas questões, os americanos estão dispostos a desembolsar. Começam gastando US$ 180 milhões, custo estimado para design, desenvolvimento e testes da nave.

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